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Cansaço ou burnout? Como identificar quando o trabalho começa a afetar a saúde emocional

Psicóloga Daisy Cangussú explica os sinais de alerta, a diferença entre cansaço e esgotamento e o momento de buscar ajuda profissional

São Paulo, outubro de 2026 – Dormir mal, acordar sem energia e sentir que as tarefas pesam mais do que antes são queixas comuns na rotina de quem trabalha. Mas, quando esse desgaste deixa de ser pontual e passa a tomar conta da vida profissional e pessoal, pode ser mais do que cansaço. Para Daisy Cangussú, psicóloga, escritora e empreendedora, com mais de 30 anos de experiência em gestão de pessoas e saúde mental organizacional, entender essa diferença é o primeiro passo para cuidar de si antes que o quadro se agrave.

“O cansaço normalmente tem causa identificável e melhora com descanso. Já o burnout é um esgotamento que se prolonga, não passa com um fim de semana de folga e vem acompanhado de uma sensação de que o trabalho perdeu o sentido”, explica Daisy.

O que diz a Organização Mundial da Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, resultante de estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. A definição destaca três dimensões: sensação de exaustão, distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Sinais de alerta

Segundo a psicóloga, alguns sinais indicam que o desgaste ultrapassou o limite do cansaço comum:

  • Exaustão que não passa. A sensação de esgotamento persiste mesmo após dias de descanso, e acordar já cansado se torna rotina.
  • Distanciamento e irritabilidade. O profissional passa a ver o trabalho com indiferença, cinismo ou impaciência, e se afasta de colegas, clientes e projetos que antes lhe interessavam.
  • Queda de desempenho. Surgem dificuldade de concentração, esquecimentos, erros frequentes e a impressão de que, por mais que se esforce, nada rende.
  • Sinais físicos e emocionais. Alterações no sono, dores de cabeça, tensão muscular, ansiedade e desânimo também podem aparecer, e costumam ser ignorados por muito tempo.

“Muita gente normaliza esses sinais porque vive em ambientes em que estar sempre exausto parece sinal de comprometimento. O problema é que o corpo e a mente cobram, e quanto mais tarde a pessoa percebe, mais difícil é a recuperação”, alerta.

Quando procurar ajuda

Para Daisy, o momento de buscar apoio é quando os sintomas duram semanas, se repetem ou começam a interferir no sono, nos relacionamentos, na saúde ou na capacidade de trabalhar. Nesses casos, o ideal é procurar um profissional de saúde, como psicólogo ou médico, que poderá avaliar o quadro. O diagnóstico só pode ser feito por esses profissionais, e a avaliação é importante porque os sintomas podem se confundir com outros quadros, como depressão e transtornos de ansiedade.

A psicóloga reforça que, em situações de sofrimento intenso ou pensamentos de se machucar, é fundamental buscar atendimento imediatamente, em um serviço de saúde ou pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), no telefone 188.

O papel das empresas

A especialista lembra que o burnout não deve ser tratado apenas como um problema individual. Sobrecarga constante, metas pouco realistas, falta de clareza sobre o papel de cada um, ausência de reconhecimento e lideranças que não sabem lidar com pressão estão entre os fatores que favorecem o esgotamento.

“Cuidar da saúde mental no trabalho exige uma combinação de responsabilidade individual e responsabilidade organizacional. A empresa que escuta, organiza as demandas e treina suas lideranças previne afastamentos e fortalece a cultura. Quem se cuida precisa de um ambiente que permita isso”, afirma Daisy.

Pequenas mudanças, grandes efeitos

Entre as atitudes que ajudam a prevenir o esgotamento, a psicóloga destaca estabelecer limites entre vida pessoal e profissional, respeitar pausas e períodos de descanso, conversar com a liderança sobre sobrecarga e manter vínculos fora do trabalho. “Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma forma de manter a capacidade de seguir trabalhando e vivendo com qualidade”, conclui.

Daisy Cangussú é psicóloga, escritora e empreendedora, com mais de 30 anos de experiência em gestão de pessoas, atração e seleção de talentos, desenvolvimento de lideranças, gestão de crises e saúde mental organizacional. Fundadora da Wapiya Gestão de Pessoas e Diversidade e da Wapiya Saúde Mental e Bem-Estar, atua de forma estratégica na estruturação de equipes, identificação de talentos, fortalecimento da cultura organizacional e implementação de soluções voltadas à performance humana nas organizações. É coautora de livros reconhecidos e premiados internacionalmente.