Blue Ocean lança solução de IA para agências que promete aumentar margem em até 54%

Sonar opera por agentes de IA que executam tráfego, copy, design, edição de vídeo, benchmarking e CS. Na operação que serviu de piloto, cada squad passou a atender os mesmos 30 clientes com um terço da equipe e a economia chegou a R$ 50 mil por mês

Chega ao mercado nesta semana o Sonar, sistema de gestão e execução para agências de marketing construído em torno de agentes de inteligência artificial. A proposta se afasta do que o mercado conhece como ERP: em vez de apenas organizar o trabalho realizado pelas pessoas, o sistema executa parte dele.

O desenvolvimento consumiu R$ 270 mil e levou cinco meses. A tecnologia nasceu dentro da Blue Ocean, assessoria de marketing e vendas para SaaS, que utilizou a solução internamente antes de transformá-la em produto.

A trava que o mercado não resolve contratando

O problema que o Sonar busca resolver é conhecido por qualquer dono de agência: o operacional, e não o comercial, costuma ser o principal freio para o crescimento. Acelerar a aquisição de clientes sem ter folga na operação significa aumentar a carteira antes que o time consiga absorver a nova demanda. O resultado pode ser sobrecarga, queda na qualidade da entrega, insatisfação dos clientes e aumento do churn. Para evitar esse cenário, muitas agências acabam freando deliberadamente a própria venda.

Outro ponto dessa equação é o tempo de rampagem. Contratar, treinar e levar um profissional até o momento em que ele começa a gerar resultados consistentes pode levar de dois a três meses. Dessa forma, toda estratégia de escala acaba ficando dependente desse ciclo e é justamente essa dependência que o sistema pretende quebrar.

Blue Ocean

“A maioria das agências não cresce porque o dono e os líderes gastam mais tempo tendo que fazer a entrega do que focando em colocar receita para dentro. Isso gera um crescimento lento e com falhas. Foi por isso que criamos o Sonar”, afirma Matheus Neri, CEO da Blue Ocean.

Como funciona

O Sonar opera por meio de agentes especializados, cada um responsável por determinada função dentro de uma agência, como tráfego, copy, design, edição de vídeo, customer success e benchmarking. Cada agente é configurado de acordo com as regras e os processos da própria empresa, incluindo onboarding, criação e otimização de campanhas, produção de criativos, cadência de reuniões e SLA.

O agente de customer success é um dos que mais alteram a rotina da operação. Ele monitora as linhas de comunicação com o cliente, como WhatsApp, e-mail, reuniões gravadas e materiais trocados. A partir dessas informações, o sistema consegue sinalizar riscos de churn, oportunidades de upsell, tempo de resposta e frequência de contato por conta.

O diferencial destacado pela empresa está menos no armazenamento das informações e mais na captura desses dados. Historicamente, agências podem perder parte do histórico das contas a cada troca de equipe, incluindo decisões tomadas, contexto das campanhas e combinados realizados com o cliente. Muitas vezes, esse registro depende de alguém se lembrar de inserir a informação no sistema. No Sonar, o agente busca esses dados diretamente na comunicação, em vez de depender exclusivamente do registro manual dos colaboradores.

Já o agente de benchmarking atua desde o onboarding, comparando o novo cliente com seus concorrentes no mercado antes mesmo da definição da estratégia. Além dos agentes, o sistema reúne gestão de tarefas, governança de acessos por nível hierárquico e um painel com indicadores da operação, como LTV e churn por squad, composição e senioridade da equipe, status dos projetos e NPS.

O que aconteceu na operação piloto

Antes da implantação do sistema, cada squad da Blue Ocean atendia 30 clientes com uma equipe formada por seis pessoas. Atualmente, os mesmos 30 clientes são atendidos por duas pessoas. Segundo a empresa, a redução da estrutura, somada à substituição de ferramentas que deixaram de ser necessárias, representou uma economia mensal entre R$ 40 mil e R$ 50 mil, elevando a margem da operação em até 54%.

Além da redução de custos, a empresa aponta outros três efeitos da implementação. O primeiro está relacionado ao SLA de resposta ao cliente, que teria sido reduzido com o monitoramento contínuo e o maior alinhamento de expectativas.

O segundo efeito está na consistência da entrega. Com regras de execução codificadas nos agentes, a qualidade dos resultados passa a depender menos da curva de aprendizado individual de cada colaborador e mais de processos previamente estabelecidos pela própria agência.

O terceiro impacto é estrutural. Na avaliação da empresa, escalar a operação passou a significar ampliar o consumo de processamento tecnológico, e não necessariamente o quadro de funcionários, reduzindo também a exposição trabalhista tradicionalmente associada ao crescimento acelerado das equipes.

E as pessoas?

A mudança também levanta uma questão sobre o papel dos profissionais diante da automatização. A Blue Ocean defende que a função humana se deslocou, mas não desapareceu. Com parte da execução repetitiva absorvida pelos agentes de inteligência artificial, as duas pessoas que permanecem em cada squad passam a concentrar seus esforços em relacionamento, comunicação e construção de confiança com os clientes atividades que a empresa associa diretamente ao aumento do LTV.

“Uma empresa sobrevive de resultado. Com a IA executando o operacional, ganhamos eficiência e as pessoas boas passam a ocupar funções estratégicas que é onde elas rendem mais”, afirma Karina Martins, CXO da Blue Ocean.

Para quem e a partir de quando

O perfil de cliente mapeado pela empresa é formado principalmente por agências de marketing digital que possuem entre 10 e 50 colaboradores e uma carteira de 20 a 100 clientes ativos. São empresas grandes o suficiente para enfrentar os desafios relacionados à escala, mas que ainda não possuem estrutura para manter diferentes ferramentas enterprise separadas por área.

Os agentes são alimentados por dados de múltiplas operações de marketing, o que, segundo a Blue Ocean, tende a melhorar o desempenho do sistema conforme aumenta a base de agências utilizando a plataforma.

O Sonar fica disponível para contratação a partir de 2 de setembro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *