Exu além dos tabus: sacerdote e cientista da religião reúne pesquisa e tradição em curso sem “achismos”
Com mais de 25 anos de experiência, seis livros publicados e formação em História e Antropologia, Pai Bernardo propõe esclarecer dúvidas sobre Exu a partir de referências, contexto e vivência religiosa.
Sacerdote de Umbanda, Tata de Kimbanda, juremeiro e cientista da religião, Pai Bernardo reúne mais de 25 anos de experiência na espiritualidade, pós-graduação em História e Antropologia e certificação em Literatura Religiosa pelo Harvard. Apresentador de TV e autor de seis livros, apresenta o curso “Além da Encruzilhada — Exu não é o que te contaram”, com uma proposta direta: compreender Exu com pesquisa, referências e experiência prática, sem “achismos”.
A formação nasceu tanto da curiosidade de pessoas que procuram o sacerdote quanto da observação de informações desconexas nas redes sociais, inclusive entre praticantes. Exu está nos podcasts, nas publicações e nos debates, mas a visibilidade nem sempre vem acompanhada de contexto. Para quem busca compreender o assunto, versões contraditórias podem ampliar a confusão.
“Percebo uma curiosidade enorme sobre Exu, mas também muita gente tentando montar esse entendimento com informações que não se conectam. Isso acontece até entre praticantes. O curso nasceu dessa demanda: reunir as perguntas e oferecer um caminho para compreendê-las com contexto e fundamento”, explica Pai Bernardo.
Marcado para 28 de novembro, o encontro on-line e ao vivo terá cinco horas de duração. A proposta é organizar dúvidas, aprofundar questões e oferecer elementos para que os participantes avaliem com mais clareza aquilo que leem, ouvem e compartilham.
“Uma afirmação repetida mil vezes nas redes sociais não se transforma em fundamento. Para compreender Exu, é preciso perguntar de onde veio cada ideia e em que contexto ela surgiu”, afirma.
Experiência religiosa em diálogo com a pesquisa
Pai Bernardo preside, ao lado da esposa, o Templo de Quimbanda Tranca Ruas e Cigana, em Fortaleza, no Ceará, e o Instituto CCPJ. Conhecido no cenário espiritualista nacional, já palestrou no Congresso Nacional de Umbanda e no Congresso Nacional de Saúde Mental e Espiritualidade. Dos seus seis livros, dois foram lançados na Bienal Internacional do Livro.
É desse encontro entre vivência e investigação que nasce um dos diferenciais da formação: oferecer elementos para distinguir história documentada, tradição religiosa e interpretação pessoal.
“A experiência dentro do culto e a pesquisa histórica respondem a perguntas diferentes. Quando colocamos as duas em diálogo, conseguimos aprofundar a compreensão sem transformar opinião em verdade absoluta”, explica.
O curso investigará como a imagem de Exu foi construída e transformada ao longo do tempo, dos contextos africanos aos encontros culturais e religiosos que marcaram a diáspora e a formação do Brasil. Deslocamentos forçados, trocas culturais, perseguições e adaptações integram esse percurso, com atenção às particularidades de cada tradição.
“Contar essa história também é olhar para a formação do Brasil. As religiões carregam marcas dos povos, dos conflitos e das estratégias de sobrevivência que construíram este país”, destaca.
Das dúvidas recorrentes à compreensão dos fundamentos
Além do percurso histórico e antropológico, o encontro abordará questões que despertam interesse tanto em praticantes quanto em quem começa a se aproximar do tema. Qual o significado das oferendas, do fumo e da bebida? O que expressam os pontos cantados e riscados? Quais cuidados devem orientar a aproximação com essas práticas?
Ao conectar essas perguntas aos seus contextos, o curso pretende oferecer uma compreensão que dificilmente se constrói a partir de conteúdos isolados nas redes sociais. O formato ao vivo permitirá o contato direto com o sacerdote para apresentar dúvidas e aprofundar os assuntos abordados.
“Esse conhecimento é especialmente importante para praticantes, terapeutas e espiritualistas. Compreender uma força tão frequentemente mal interpretada exige contexto, fundamento e disposição para rever o que se aprendeu”, afirma Pai Bernardo.
Aberta também a quem não é iniciado, a formação não exige vivência religiosa prévia. A proposta é tornar o conhecimento acessível, respeitando os fundamentos reservados e o aprendizado construído dentro das comunidades religiosas.
“Curiosidade pode abrir uma porta. Mas é o conhecimento, acompanhado de respeito e responsabilidade, que orienta os próximos passos”, observa.
Uma oportunidade para organizar o que se aprendeu — e questionar o que se repete
Com pesquisa, referências e experiência prática, “Além da Encruzilhada” se dirige a quem deseja aprofundar o conhecimento e encontrar sentido entre tantas explicações dispersas. Os participantes terão acesso à gravação por 60 dias, permitindo retomar os conteúdos e continuar o estudo após o encontro.
A formação contará com certificação de extensão universitária, emitida por instituição de ensino superior credenciada pelo MEC.
“Não basta trocar uma crença por outra. Quero que o participante tenha elementos para fazer perguntas melhores, reconhecer contradições e compreender o fundamento do que está ouvindo”, ressalta.
Para Pai Bernardo, essa possibilidade de examinar o próprio conhecimento é o ponto de partida da experiência que propõe:
“Antes de perguntar quem é Exu, vale fazer outra pergunta: quanto do que você acredita saber veio do conhecimento e quanto veio do preconceito?”
Serviço:
Curso: Além da Encruzilhada — Exu não é o que te contaram
Ministrante: Pai Bernardo
Formato: On-line e ao vivo
Data: 28 de novembro de 2026
Horário: Das 10h às 12h e das 14h às 17h
Carga horária: 5 horas
Gravação: Disponível por 60 dias
Certificação: Extensão universitária, emitida por instituição de ensino superior credenciada pelo MEC
Informações e inscrições: https://alemdaencruza.paibernardo.com/