Socorro contra tarifaço vai priorizar quem mais perdeu – 22/08/2025 – Mercado

Imagem aérea de um porto, mostrando uma grande quantidade de contêineres coloridos organizados em fileiras. O porto é cercado por água e há estruturas de carga e guindastes visíveis. Ao fundo, pode-se ver a cidade e o horizonte.

O pacote de socorro a empresas prejudicadas pelo tarifaço de 50% implantado contra produtos do Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai priorizar a concessão de crédito incentivado a empresas que perderam mais de 5% do faturamento com interrupção de exportações.

Além disso, o BNDES oferecerá garantias a micro e pequenas empresas e uma nova linha de crédito para setores que não foram atingidos pela sobretaxa de 50%. “Elas também foram atingidas por tarifas menores”, disse o presidente do banco, Aloizio Mercadante.

Batizado de Plano Brasil Soberano, o pacote tem uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para ajudar as companhias, além do adiamento de impostos federais, maior ressarcimento de créditos tributários e uma reformulação nas garantias à exportação para facilitar a busca de novos mercados.

O BNDES anunciou nesta sexta-feira (22) que o pacote terá ainda R$ 22,5 bilhões em garantias, que dependem que o Congresso aprove projeto retirando a ajuda do superávit primário, e duas novas linhas emergenciais com recursos de mercado.

Com relação ao crédito incentivado, para empresas com impacto entre 5% e 20% do faturamento, o BNDES vai oferecer uma linha de capital de giro e garantias a empresas o FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) para pequenas e médias empresas.

Empresas com perdas superiores a 20% podem acessar todas as linhas e garantias do FGI, Peac (Programa Emergencial de Acesso ao Crédito).

Ao todo, são quatro linhas, duas de capital de giro com juros entre 0,6% e 0,82% ao mês e prazo de cinco anos com um de carência. Outras duas são voltadas a investimentos, com juros de 0,58% ao mês.

O programa demanda manutenção do número de empregados. O cálculo é feito com base na média de empregados em 12 meses anteriores a junho de 2025. Há uma carência de quatro meses no início dos contratos, mas a média deve ser retomada entre o 5º e o 12º mês de financiamento.

Mercadante diz que o modelo de socorro é inspirado na experiência do socorro emergencial a empresas afetadas pelas enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024.

As indústrias madeireira, calçadista e de armamentos, que registram queda nas vendas por causa do tarifaço, vem apelando a férias coletivas como primeira medida para conter custos e esperam o apoio do governo para tentar evitar demissões em massa.

Na quarta-feira (20), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSD) afirmou que o Brasil vai insistir na negociação comercial com os Estados Unidos contra o tarifaço de 50%.

“Vamos continuar negociando permanentemente”, disse em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews. “O Brasil está sendo injustiçado. Temos que separar questões de natureza político-partidária e do Judiciário. No Estado de Direito, os poderes são separados”.

Ele reafirmou que não há justificativa para a taxação e disse que o Brasil está entre os únicos países do G20, que reúne as maiores economias do mundo, com quem os EUA têm superávit, ao lado do Reino Unido e da Austrália.



Fonte ==> Folha SP

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