A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) se emocionou ao ser aplaudida de pé na sessão plenária de encerramento da COP30 (a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas).
COP30
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Em seu discurso, Marina voltou a defender um plano para superar a dependência dos combustíveis fósseis em todo o mundo mesmo que o tema não tenha entrado nas decisões finais dos países. E ressaltou que a presidência brasileira da COP (que não se encerra com o evento) vai trabalhar no tema.
“Em que pese ainda não ter sido possível o consenso para que esse fundamental chamado entrasse nas decisões desta COP30, tenho certeza de que o apoio que recebeu de muitas partes e da sociedade fortalece o compromisso da atual presidência de se dedicar para elaborar os dois mapas do caminho. Um sobre deter e reverter o desmatamento e outro sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa”, disse.
A ministra fez um paralelo entre a sensação no fim da COP30 e a Rio-92, evento sobre clima na capital carioca. Para ela, na reunião anterior também se demandava mais ambição nos resultados alcançados e havia expectativa que a urgência falaria mais alto do que qualquer outro interesse.
Para ela, há continuidade entre os dois eventos. “Continuamos capazes de cooperar, de aprender e de reconhecer que não há atalhos e que a coragem para enfrentar a crise climática é resultado da persistência e esforço coletivos”, disse.
Marina citou conquistas das negociações. Segundo ela, as conversas na conferência deram um passo relevante no reconhecimento do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes, deram corpo à transição justa e ainda originaram o TFFF, fundo para florestas tropicais. “Enfim, progredimos, ainda que modestamente”, disse.
Marina afirmou ainda que a COP foi feita no “coração da Amazônia”. Ela agradeceu a todos os participantes por terem comparecido ao encontro em Belém e reconheceu que a estrutura pode não ter agradado a todos.
“Talvez não os tenhamos recebido como vocês merecem, mas recebemos da forma como achamos que é o nosso gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta”, afirmou.
Delcio Rodrigues, Diretor Executivo da ClimaInfo, disse que Marina Silva merece enorme reconhecimento por garantir que a COP30 mantivesse a ação contra fósseis e o desmatamento.
“Sem seus esforços, não teríamos chegado a um acordo aqui em Belém. Levar uma COP para a Amazônia acabou sendo uma decisão inspirada do presidente Lula — o mundo viu a beleza das florestas do Brasil e a rica herança dos nossos povos indígenas. Esperamos que ambos sejam melhor protegidos no futuro como resultado desta cúpula.”
Fonte ==> Folha SP


