BC decreta liquidação do Will Bank, ligado ao Banco Master

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O Banco Central decretou, nesta quarta (21), a liquidação do Will Bank, um banco digital ligado ao Banco Master e que foi arrastado para a crise da instituição financeira após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, no final do ano passado, pela Polícia Federal.

O Will Bank estava sob regime de administração especial temporária desde novembro, quando o Master foi liquidado por suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões e, mais recentemente, investigado por um possível envolvimento em outros crimes financeiros.

“Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, disse o Banco Central em nota (veja na íntegra mais abaixo).

Em nota à Gazeta do Povo, o Banco Master informou que o Will Bank tinha uma “gestão própria” e operou sob controle do conglomerado “regularmente” até o dia 17 de novembro, quando passou à gestão do RAET (regime de administração especial temporária) pelo Banco Central (veja na íntegra mais abaixo). O Will Bank ainda não se pronunciou.

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Ainda segundo o Banco Central, a liquidação do Will Bank foi necessária após a administração especial não ter se mostrado viável, inclusive descumprindo o arranjo de pagamentos que tinha com a Mastercard.

“Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo”, pontuou a autoridade monetária.

No ato assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação do Will Bank passa a ser tratada retroativamente como válida desde o dia 24 de novembro de 2025, seis dias após a mesma operação ser aplicada ao Banco Master. A liquidação do Will Bank terá como liquidante o técnico Eduardo Felix Bianchini. O ato foi estampado no site da instituição, que agora está inacessível.

Criado em 2017 já como um banco digital, o Will Bank foi comprado pelo Master em 2024. Na ocasião, segundo informou ao mercado, a instituição tinha mais de 9 milhões de clientes.

Dados do Banco Central apontam que o Will Bank tinha R$ 14,1 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões. O banco possui, ainda, R$ 6,5 bilhões em aplicações a prazo que, a depender das apurações, pode ter de recorrer ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A instituição detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de acordo com os últimos dados disponíveis do terceiro trimestre do ano passado.

A instituição havia sido preservada pela autoridade monetária durante a liquidação do Master, mas colocado sob um regime especial de administração, que acabou levado ao novo ato do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Esta é a segunda instituição financeira liquidada pelo Banco Central apenas neste ano. Na semana passada, a Reag Investimentos também passou para este regime após suspeitas de operações fraudulentas com o Banco Master, e meses depois de ter entrado na mira da Polícia Federal por uma possível ligação com o PCC, descoberta durante a Operação Carbono Oculto.

A Reag, segundo as investigações, operava fundos de investimentos com dinheiro do tráfico de drogas da facção criminosa paulista.

Além da Reag, o Banco Central decretou a liquidação judicial da Advanced Corretora de Câmbio Ltda., com sede em São Paulo (SP), mas sem apontar ligação entre as duas empresas. As operações da instituição representaram 0,081% do volume financeiro e 0,14% da quantidade de operações de câmbio no país em 2025.

O que dizem os citados

Veja abaixo a nota completa do Banco Central sobre a liquidação do Will Bank:

O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.

O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.

O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.

O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada.

Veja abaixo o que disse o Banco Master sobre a liquidação do Will Bank decretada pelo Banco Central:

A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a instituição mencionada possuía administração apartada, com gestão própria. O Sr. Vorcaro segue colaborando plenamente com as autoridades competentes, permanecendo à disposição para esclarecimentos. Esclarece ainda que, até 17 de novembro, a instituição operava regularmente sob o controle do conglomerado Master, e que, a partir de 18 de novembro, com a decretação da liquidação extrajudicial, a gestão do conglomerado passou a ser exercida em RAET pelo Banco Central.



Fonte ==> Gazeta do Povo.com.br

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