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O processo de venda da Medley, unidade de genéricos da Sanofi, avança para sua fase final, com propostas a serem apresentadas no dia 13 de março por Aché, Biolab, EMS, Hypera, Sun Pharma e um fundo da Vinci Compass.
Após as ofertas, a Sanofi realizará um mini-leilão para avaliar se há possibilidade de propostas mais altas. A decisão sobre o novo proprietário pode ser divulgada em março. A Sanofi estendeu o prazo para permitir que as empresas completassem a auditoria detalhada.
Uma exigência para a compra é a manutenção do quadro de 850 funcionários da Medley por um ano, incluindo a diretora-geral Lucia Rossato. O valor mínimo das propostas deve ser de US$ 500 milhões, com expectativa de aumento de pelo menos 10% sobre ofertas anteriores.
A Aché e a EMS são vistas como fortes concorrentes, enquanto a Sun Pharma pode reduzir custos ao transferir parte da produção para a Índia. Outras empresas, como Cimed e Eurofarma, não avançaram na disputa.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O processo de venda da Medley, unidade brasileira de genéricos da farmacêutica francesa Sanofi, está na última etapa. As empresas interessadas que avançaram para a segunda fase da disputa – Aché, Biolab, EMS, Hypera, Sun Pharma e um fundo da Vinci Compass – terão de fazer suas ofertas finais até 13 de março, todas no mesmo dia.
O NeoFeed apurou que, com as ofertas em mãos, os executivos da Sanofi deverão fazer uma espécie de “mini-leilão”, sem, no entanto, que cada uma das empresas saiba oficialmente o valor da proposta das demais concorrentes. Será uma consulta final caso a dona da Medley entenda que pode conseguir um preço maior para o ativo.
Com isso, o cenário indica que o resultado pode ser conhecido horas depois das propostas enviadas. A perspectiva é que a divulgação do nome da nova dona da Medley seja feita pela farmacêutica francesa ainda em março.
Anteriormente, os participantes tinham como prazo final o começo de março. Mas a Sanofi estendeu o período para que as candidatas pudessem concluir o processo de due diligence (auditoria detalhada com dados operacionais e financeiros), iniciado em 5 de janeiro.
A empresa também demorou para disponibilizar todas as informações da Medley e os documentos do processo de seleção em um data room criado para que as concorrentes pudessem ter acesso aos novos passos da disputa. Por isso, entendeu ser mais justo dar um prazo maior para a proposta definitiva.
Na documentação disponibilizada pela Sanofi, consta uma exigência aos candidatos: quem comprar a Medley terá de garantir a estabilidade por um ano de todo o quadro de funcionários da empresa, hoje de cerca de 850 colaboradores.
A manutenção do quadro envolve inclusive a diretoria executiva da companhia, como a diretora-geral Lucia Rossato, hoje principal nome da Medley. Com isso, a atual líder da empresa vai dirigir a companhia mesmo com um novo dono.
“O mercado não vê isso como um problema, porque a tendência é que o processo no Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] demore pelo menos um ano. E é importante contar com o conhecimento técnico destes profissionais”, diz ao NeoFeed uma fonte do setor farmacêutico, com trânsito no processo de venda da Medley.
A chegada de Rossato ao comando da farmacêutica veio na esteira do processo de consolidação da independência da Medley sobre a Sanofi no Brasil, em julho de 2025, justamente para concretizar a venda da unidade de genéricos. Hoje, o comando se reporta diretamente à matriz da companhia francesa.
Até a terça-feira, 10 de fevereiro, ainda pela segunda fase, todas as empresas que participam da disputa terão reunião presencial com o management da Medley, na sede da Sanofi Brasil, em São Paulo. A etapa de encontros com os executivos começou na segunda-feira, 2 de fevereiro.
“Quanto menos os candidatos para a compra da farmacêutica mexerem nas exigências colocadas pela Sanofi, mais pontos a empresa ganha. Eles querem vender a Medley nas mesmas condições que estabeleceram no processo seletivo”, explica a fonte.
No documento disponibilizado, a Sanofi informou às empresas que, das 300 milhões de unidades de medicamentos produzidas ao ano pela Medley, 60% são de fabricação própria, 20% saem do parque fabril da Sanofi e outros 20% são fornecidos por terceiros.
Mas não há, por enquanto, as informações sobre o custo dessa fabricação terceirizada. Em 2025, a Medley registrou um faturamento de R$ 1,3 bilhão, com um Ebitda perto de R$ 200 milhões. A Sanofi comprou a farmacêutica brasileira em 2009, da família Negrão, por R$ 1,5 bilhão.
Na prática, a companhia francesa venderá um novo CNPJ, sem qualquer passivo – a Medley separou as operações oficialmente em setembro de 2025, segundo dados da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp).
No contrato, a matriz da Sanofi é a única dona, e tem a diretora-geral como administradora da empresa. O CFO da Medley, Álvaro Penteado de Castro, também assina pela empresa. O CFO da Sanofi Brasil, Ricardo Barone, responde pela acionista controladora.
Régua mais alta na fase final
Os franceses também avisaram aos interessados que, por causa da elevada competitividade, o valor ficará acima do que vem sendo oferecido até aqui. Na ida para a segunda fase, o teto ficou em US$ 450 milhões. Mas as concorrentes já sabem que dificilmente uma oferta inferior a US$ 500 milhões consagre a vencedora.
“Todo mundo que quiser, de fato, comprar a Medley, vai ter que aumentar sua proposta. O entendimento é que deve haver um aumento de pelo menos 10% sobre a oferta anterior. Agora, US$ 500 milhões é a base. A partir disso, a cada um dólar que subir, é prêmio”, conta um executivo ligado à indústria farmacêutica.
O mercado enxerga a farmacêutica EMS, da família Sanchez, com ligeira vantagem sobre a concorrência, por ter feito uma das ofertas mais altas entre os candidatos. A Aché também é vista com potencial, seguida pela indiana Sun Pharma, que já atua no Brasil com a marca de genéricos Ranbaxy.
A vantagem para a EMS, na hipótese de ser declarada a vencedora, está na sinergia do negócio, principalmente em relação à logística, já que a fábrica da Medley, em Campinas (SP), está a menos de 20 quilômetros do parque industrial da empresa liderada por Carlos Sanchez, em Hortolândia (SP).
A Aché, se vencer, deve manter as duas marcas no mercado, adequando as possíveis sobreposições de medicamentos. A EMS também planeja oferecer produtos das duas empresas nas farmácias.
No caso da Sun Pharma, a vantagem, em caso de vitória, seria na possibilidade de levar parte de produção para a Índia, diminuindo os custos de importação da matéria-prima.
Outras farmacêuticas chegaram a participar da primeira etapa, mas não avançaram para a fase seguinte: Althaia, Cimed, Eurofarma, Torrent e União Química. Em novembro do ano passado, o CEO da Cimed, João Adibe Marques, chegou a dizer que avançaria na disputa até o fim, mas recuou e preferiu focar os investimentos na área de consumo.
“Hoje, a Medley é página virada para nós. Não entramos na rodada final porque realmente tenho o olhar para o crescimento da área de consumo. Além disso, seria um desafio grande de aprovação do Cade, pela similaridade de 35% dos medicamentos que a gente já tem hoje”, afirma Adibe, ao NeoFeed. “Não faz sentido comprar uma marca e ter que tirar outra.”
Procurada pelo NeoFeed, a EMS não quis falar sobre o processo de compra da Medley, mas confirmou “o interesse pelo ativo”. A Biolab informou que não comentaria. As demais farmacêuticas não responderam. A Sanofi também não respondeu até a publicação da reportagem.
Fonte ==> NEOFEED

