A política anti-imigração do governo Donald Trump foi enaltecida nesta quinta-feira (26) por palestrantes e pessoas que participaram do CPAC —o maior evento conservador do mundo, que este ano reúne políticos e personalidades da direita e ultradireita de diversos países em Dallas, nos Estados Unidos.
A agência estampada nas costas dela vive uma crise no segundo mandato de Trump depois da morte de dois americanos em Minnesota por agentes da imigração. A atuação do governo passou a ser criticada até por republicanos e levou a diversos protestos e à paralisação, conhecida como shutdown, do Departamento de Segura Interna (DHS) dos EUA.
Graças à discordância no Congresso sobre como a agência de imigração deve funcionar, o Partido Democrata se recusa a aprovar o orçamento do DHS —o que significa que uma série de funcionários, principalmente em aeroportos, estão há mais de um mês sem receber.
Os democratas argumentam que, enquanto os republicanos não cederem a exigências sobre a atuação do ICE, como o fim do uso de máscaras, não votarão o orçamento da pasta.
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Desde o início da polêmica em Minnesota, Trump mudou a gestão do DHS, retirou do cargo o agente Greg Bovino, que cuidava da operação, e colocou o encarregado de fronteiras do governo, Tom Homan, no seu lugar.
Ambos estiveram presentes no evento conservador. Bovino, que declarou em uma entrevista ao The New York Times nesta semana que tem poucos arrependimentos sobre seu trabalho, chegou ao CPAC vestido com uma blusa com os dizeres “patrulha da fronteira”.
Ele não estava previsto na programação, mas foi chamado ao palco durante uma palestra que enaltecia a baixa entrada de imigrantes pelas fronteiras. Sob fortes aplausos da plateia, Bovino relatou que, agora, está aposentado, mas agradeceu aos presentes e disse que sempre lutará pelo povo americano.
Mais tarde, Tom Homan subiu ao palco, também enaltecido pela plateia presente. Na conversa conduzida por Mercedes Schlapp, uma das organizadoras do CPAC, Homan disse que agentes do ICE são ameaçados e jurados de morte e que suas famílais sofrem retaliações. Também disse que não liga para críticas.
“Eles me chamam de racista, né? Não tem nada mais humano do que manter a fronteira segura e impedir essa atividade horrível de crimes transfronteiriços”, afirmou.
Quando chegou em Minnesota, o governo Trump enfrentava duras críticas sobre a condução dos agentes no estado. Na ocasião, Homan chegou a afirmar que estava ali porque a operação “não estava perfeita”. Poucas semanas depois, os agentes foram retirados do local e a operação, encerrada —sob pretexto de já ter atingido seu objetivo.
Agora, no CPAC, ao relatar sua experiência em Minnesota, elogiou os agentes que continuaram trabalhando “enquanto milhares de pessoas gritavam contra eles”. “Eles enfrentaram o ódio como eu nunca vi.”
Schlapp, que conduzia a conversa e trabalhou no governo Trump durante o primeiro mandato, aplaudiu Homan e disse que “toda vez que um desses barcos de narcoterroristas é explodido, eu fico tipo: ‘Sim, vamos fazer de novo!’”.
Homan criticou a paralisação orçamentária que atinge o DHS e disse que os opositores políticos estão dispostos a “punir os homens e mulheres da TSA [segurança de aeroportos], Guarda Costeira” e outras agências porque “nos odeiam tanto”.
Disse ainda que a situação é “cruel”, afirmando que funcionários sofrem com a paralisação e “não podem comprar comida para seus filhos, não podem pagar as mensalidades escolares, não podem pagar seu aluguel”, enquanto os membros do Congresso continuam sendo pagos.
Homan demonstrou ainda desdém pela resistência democrata. Ele acusou os políticos de tentarem retirar as autoridades legais do Executivo sob o pretexto de “reforma” no ICE e afirma: “Eu nunca venderei as autoridades de vocês”.
Por fim, o encarregado das fronteiras disse que o ICE está apenas aplicando as leis que o próprio Congresso escreveu e para as quais anteriormente destinou dinheiro para a execução. “Se vocês não gostam, mudem a lei”, afirmou.
Fonte ==> Folha SP
