No último dia 8, o jornal O Estado de S.Paulo publicou a reportagem “Gilmar Mendes viajou para Brasília em avião de empresa de Vorcaro”. Republicou-a no dia seguinte, no papel, ao lado de “Master pagou R$ 27 milhões a site de Luiz Estevão; Coaf aponta suspeita”. Tal dobradinha colocou o jornal paulistano numa linha de tiro incomum.
Nove dias depois, o Estado resolveu se retratar pela reportagem. Numa nota de correção, afirmou que “o título não refletia como deveria o conteúdo integral do texto” e que “a presença de Gilmar Mendes no voo não se deveu ao fato de o avião, à época, pertencer a uma empresa, a Prime You, na qual o banqueiro Vorcaro tinha participação. Gilmar viajou como convidado de Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF”. A MBRF, não custa lembrar, é a gigante fruto da união entre Marfrig e BRF e é dona da Sadia e da Perdigão.
Já o Grupo Estado se viu enredado em mais duas polêmicas. Há uns dias, anunciou o fechamento da rádio Eldorado, emissora tradicional em São Paulo. E, depois da publicação sobre os R$ 27 milhões, virou assunto no portal brasiliense Metrópoles, de propriedade do ex-senador Luiz Estevão. Em uma década, o Metrópoles cresceu e se impôs na paisagem jornalística com apurações e furos importantes, como a recente investigação sobre os descontos do INSS.
Depois que o Estado noticiou os pagamentos do Master ao Metrópoles, tidos como “suspeitos” e “inusitados” pelo Coaf, o portal passou a investigar e a se referir ao jornal como “dos banqueiros”.
O Metrópoles afirmou também que o Estado contratou a Trustee, “gestora de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro no banco e na Prime You [a empresa do jatinho], para estruturar” a operação. Ao noticiar a correção feita pelo jornal, o Metrópoles fez uso do novo aposto: “Controlado por banqueiros, Estadão diz que errou ao relacionar Gilmar Mendes a Vorcaro”. E voltou à carga informando que o Estado recebeu R$ 1,12 milhão do Master como pagamento por publicidade.
Procurado pela ombudsman, o Estadão enviou nota e informou que “a captação de R$ 157,5 milhões realizada pelo Grupo Estado em 2024, (…) teve como objetivos a reorganização financeira do grupo” e “não resultou em mudança na estrutura societária”. “A governança do grupo permanece a definida por seu estatuto social, tendo a linha editorial sob responsabilidade exclusiva da família Mesquita. A operação foi estritamente de crédito de mercado, contratada em condições usuais, e não impõe qualquer restrição ou influência sobre a cobertura diária e crítica que o jornal realiza sobre as instituições envolvidas. O Grupo Estado reafirma seu propósito liberal e republicano de 151 anos e sua missão essencial de informar o público com precisão, independência e responsabilidade.”
O Metrópoles também foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento do texto. O espaço continua aberto.
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Fonte ==> Folha SP
