Primeiras impressões: Assassin’s Creed Black Flag Resynced moderniza um clássico com respeito

Primeiras impressões: Assassin’s Creed Black Flag Resynced moderniza um clássico com respeito

Existem alguns clássicos que envelheceram bem e existem clássicos que, embora datados, ainda podem ser salvos. Assassin ‘s Creed Black Flag, lançado originalmente em 2013, está claramente no segundo grupo – mesmo sendo um grande fã da franquia, rejoguei recentemente a versão original e não lembrava o quão frustrante era a gameplay: truncada, com várias quebras de ritmo e uma localização, digamos… abaixo do esperado.

Felizmente, mais de uma década depois a Ubisoft trouxe de volta o carismático pirata Edward Kenway em Assassin ‘s Creed Black Flag Resynced, remake do quarto capítulo da saga dos assassinos. A pergunta que essa nova versão precisava responder era simples: será que Ubi iria se limitar somente a uma melhoria gráfica ou ia de fato repensar o jogo? Depois de três horas jogando o remake, deu para ver que eles foram além, entregando praticamente algo repensado do zero.

A história que você já conhece

Quem jogou o Black Flag original vai reconhecer tudo desde os primeiros minutos  – a mesma cena de abertura, o mesmo caminho de tutorial, a mesma progressão inicial. A Ubisoft não mexeu no que funcionava (e fez bem). A história de Edward Kenway continua sendo um dos pontos altos da saga, agora com algumas adições na história e de personagens novos, que irei falar mais a frente.

As lutas ganharam novos elementos surpresa. (Imagem: Derek Keller/Voxel)

O que sumiu, felizmente, foram as partes que ninguém sentia falta: as interrupções obrigatórias para o “presente” logo no início do jogo original, onde você era forçado a sair do Animus para seguir uma narrativa paralela que quebrava o ritmo. Em Resynced, pelo menos até onde joguei, isso não apareceu. A Ubisoft parece ter abraçado o sistema de hub do Animus introduzido em Assassin’s Creed Shadows, onde você escolhe a época e o jogo que quer “entrar” como se estivesse acessando uma memória, bem melhor do que as interrupções forçadas do passado.

Porém, tem uma perda que me deixou triste: os objetivos secundários dentro das missões, (aquela lista de metas adicionais que te desafiava a concluir cada missão com 100%), sumiram no Resynced. Era um sistema que criava uma camada extra de desafio para quem queria fazer tudo de forma impecável e a ausência dele deixa as missões um pouco mais “simples” do que eu gostaria.

Afinal, o que mudou?

A primeira grande novidade aparece nos primeiros minutos, logo após o naufrágio de Edward: agora é possível mergulhar livremente em qualquer área do mapa (no original, o mergulho era restrito a zonas específicas). Agora a água vira um elemento tático de verdade, já que você pode mergulhar para se esconder dos inimigos em praticamente qualquer lugar (perto da praia, claro). É uma adição pequena, mas que muda a forma como você pensa a fuga e o stealth.

Ninguém tá te vendo na moita, relaxa. (Imagem: Derek Keller/Voxel)

O sistema de movimentação em terra também foi repensado. Acabou a bagunça de segurar o gatilho para correr enquanto ficava apertando repetidamente o botão de pulo para subir nos lugares – uma das coisas mais irritantes dos Assassin ‘s Creed mais antigos. Agora, você corre simplesmente apertando o analógico, como na maioria dos jogos. Parece pouca coisa, mas quem viveu a frustração do sistema antigo vai sentir a diferença imediatamente.

A roda de armas e equipamentos também foi atualizada: antes, a escolha deles ocupava espaço na tela inteira, “pausando” o jogo durante os momentos de ação. Agora, é possível alternar os equipamentos apertando os botões direcionais – como era antes, mas sem interrupção completa doo gameplay. 

O stealth também evoluiu. Agora é possível agachar a qualquer momento, sem precisar estar próximo de um arbusto para entrar no modo furtivo. O assobio para chamar a atenção dos guardas tem um alcance maior, o que abre mais possibilidades táticas para o jogador. Espionar conversas – algo que frequentemente resultava em dessincronização no jogo original, para a raiva geral de todo mundo – não te penaliza mais automaticamente. O sistema ainda não é perfeito: os guardas ainda reagem rápido e podem te reconhecer antes do esperado, o que me fez iniciar brigas involuntárias duas vezes enquanto tentava escutar informações importantes.

O loot dos inimigos mortos agora é feito com um único toque de botão, sem aquele ritual de segurar o botão por três segundos que ninguém entende porque existia. Os contra-ataques ficaram mais fluidos e adicionaram parry ao sistema de combate, aproximando a jogabilidade dos jogos mais recentes da saga, como Origins, Odyssey e Valhalla. Ainda tem um sistema de desequilíbrio onde você pode optar por dar chutes, rasteiras ou empurrões nos inimigos, mas que pode confundir um pouco no começo, se integrando bem ao conjunto depois que você pega o ritmo.

Positivo, capitão

A navegação, coração do Black Flag original, voltou com ajustes sutis mas muito bem-vindos. O minimapa do lado esquerdo da tela sumiu (algo que eu particularmente senti falta em trechos mais estreitos de navegação) dando lugar à indicação de direção do vento, que foi reinventada de uma forma mais imersiva: em vez de um ícone no mapa, o vento aparece na tela como uma onda de ar visual, mostrando de onde ele vem e sugerindo a melhor posição para virar o navio e aproveitar o impulso das velas.

Bebei, amigos YO-HO! (Imagem: Derek Keller/Voxel)

As batalhas navais continuam divertidas, mas mais fluidas e com menos daquela sensação de combate truncado do original. Novos tipos de armas e upgrades para o navio também foram adicionados, sendo que alguns deles só ficam disponíveis conforme você recruta oficiais para a sua tripulação. Nessa demo, um dos três novos personagens foi apresentado: Lucy Baldwin, que pode se tornar uma oficial do seu navio após uma missão de resgate num navio-prisão gigante. Os outros dois (o Padre e Deadman Smith) não apareceram na demonstração, mas prometem trazer histórias e missões inéditas dentro do universo do jogo.

Vale o retorno?

Como um grande fã do jogo original – comprei ele no lançamento em 2013 logo após sair do meu primeiro trabalho – posso dizer que gostei muito não só do que joguei, mas do empenho da Ubisoft em respeitar a primeira versão do game, preferida por uma boa parcela dos fãs. É um jogo praticamente refeito do zero, com respeito pelo material original e honesto nas partes que precisavam não só mudar, mas atualizar para o caminho que a franquia seguiu de 2017 para frente.

Os gráficos estão lindos: jogamos em 4K num ambiente controlado e o trabalho com a iluminação, jogo de sombras e detalhes de ilhas e superfície da água elevaram a imersão de um jogo que já tinha imersão de sobra. As expressões faciais dos personagens foram completamente refeitas e soam mais naturais, além da dublagem, que utiliza os mesmos atores do original mas com uma nova direção, ficando mais orgânica – e já adiantaram que a versão brasileira deve seguir o mesmo padrão.

Algumas mudanças me incomodaram pontualmente, como a ausência dos objetivos secundários das missões e os guardas ainda um pouco sensíveis demais no stealth. Porém, são ajustes que não ofuscam a coisa mais importante aqui:  que Edward Kenway voltou. E voltou com tudo. 

Assassin’s Creed Black Flag Resynced será lançado em 9 de julho de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X/S, PC e via streaming pelo Nvidia GeForce Now e Blacknut. Continue acompanhando nossa cobertura da saga nas redes sociais!  

Fonte ==> TecMundo

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