29/06/2026
O avanço das discussões sobre saúde mental tem ampliado a procura por abordagens terapêuticas que integrem diferentes formas de cuidado. Nos últimos anos, o aumento dos índices de ansiedade, estresse, depressão e esgotamento emocional fez com que pacientes buscassem tratamentos mais personalizados, capazes de considerar aspectos físicos, emocionais e comportamentais de forma conjunta. Nesse cenário, as terapias integrativas vêm conquistando espaço ao lado da psicologia clínica, refletindo uma tendência que já influencia o setor da saúde e movimenta um mercado em expansão.
Reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), diversas dessas terapias passaram a ser incorporadas por instituições de saúde e profissionais que defendem uma abordagem multidisciplinar. O movimento acompanha uma mudança no perfil dos pacientes, que buscam não apenas tratar sintomas, mas desenvolver qualidade de vida, equilíbrio emocional e prevenção de adoecimentos.
Especialistas observam que essa transformação também exige profissionais cada vez mais qualificados e preparados para unir conhecimento científico e prática clínica. A formação continuada e a produção acadêmica passaram a ser diferenciais importantes em um setor que cresce tanto em demanda quanto em responsabilidade.
A psicoterapeuta Ana Carolina Ragonha dos Reis Piazza acompanha essa evolução há 24 anos. Atuando na integração entre Psicologia e Terapias Integrativas, ela acredita que o cuidado emocional se torna mais efetivo quando considera o indivíduo de maneira ampla. Em sua avaliação, “cada pessoa possui uma história, um contexto e necessidades próprias. Integrar diferentes recursos terapêuticos permite construir um cuidado mais individualizado e respeitoso com cada processo”.
Sua trajetória reflete essa proposta de integração. Depois de iniciar sua carreira nas terapias integrativas em 2002, aprofundou sua formação ao graduar-se em Psicologia, especializar-se em Psicoterapia Integrativa da Infância e Adolescência e, atualmente, desenvolver pesquisas no mestrado em Psicologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ao longo da carreira, Ana Carolina também contribuiu para a formação de novos profissionais. Já capacitou mais de mil alunos em diferentes práticas integrativas, ministrou palestras em diversas instituições e consolidou uma atuação voltada à disseminação de conhecimento sobre saúde mental, mindfulness e desenvolvimento humano.
Além da atividade clínica e acadêmica, sua produção intelectual acompanha as mudanças do setor. Autora dos livros Xô, Depressão e A Sabedoria dos Cristais, este último traduzido para o inglês e em terceira edição, ela também publicou cerca de 400 artigos sobre saúde mental e bem-estar, ampliando o acesso à informação para diferentes públicos.
Outro tema que vem ganhando espaço nas pesquisas é o cuidado especializado em situações de luto. Embora ainda pouco discutido, o luto perinatal passou a receber maior atenção da comunidade científica diante dos impactos emocionais provocados pela perda gestacional ou neonatal.
Inserida nesse contexto, Ana Carolina desenvolve atualmente um projeto de pesquisa voltado à criação de um aplicativo para acolhimento de mulheres que enfrentam o luto perinatal. Segundo a psicoterapeuta, “a tecnologia pode ampliar o acesso ao suporte emocional e complementar o trabalho clínico, principalmente em situações nas quais muitas famílias ainda enfrentam silêncio e falta de acolhimento”.
A aproximação entre ciência, tecnologia e desenvolvimento humano representa uma das tendências observadas por especialistas na área da saúde. Ferramentas digitais, programas de acompanhamento remoto e conteúdos educativos vêm ampliando as possibilidades de atendimento e fortalecendo estratégias preventivas.
Paralelamente, cresce o interesse de empresas, escolas e organizações por iniciativas voltadas ao bem-estar emocional. Programas de mindfulness, desenvolvimento socioemocional e promoção da saúde mental passaram a integrar projetos institucionais que buscam melhorar qualidade de vida, produtividade e relações interpessoais.
Nesse cenário, profissionais que conciliam experiência clínica, formação acadêmica e atuação científica tornam-se importantes referências para acompanhar as transformações do setor. A evolução das terapias integrativas, associada ao fortalecimento da Psicologia baseada em evidências, indica que o futuro do cuidado emocional será cada vez mais interdisciplinar, colocando o ser humano no centro das estratégias de promoção da saúde e da qualidade de vida.

