Agosto Lilás: violência doméstica também desafia empresas após atualização da NR-1

Crédito/ Imagem: Magnific

Inclusão dos riscos psicossociais na norma reforça a necessidade de organizações estarem preparadas para lidar com situações que afetam a saúde emocional dos trabalhadores, dentro e fora do ambiente corporativo

A violência doméstica costuma ser tratada como um problema restrito à esfera familiar. Na prática, porém, seus efeitos atravessam diferentes aspectos da vida da vítima — inclusive o trabalho. Dificuldade de concentração, queda de rendimento, faltas frequentes, ansiedade e afastamentos são consequências que impactam tanto o colaborador quanto a organização.

Neste contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir a gestão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), amplia a discussão sobre o papel das empresas na promoção de ambientes emocionalmente seguros. Embora a norma não trate especificamente da violência doméstica, ela fortalece a responsabilidade das organizações em reconhecer fatores que comprometem o bem-estar dos trabalhadores e adotar medidas preventivas.

Para Thaís Rodella, especialista em comportamento humano, gestão de pessoas e Medicina do Estilo de Vida, o Agosto Lilás é uma oportunidade para ampliar essa reflexão dentro das empresas.

“Quem sofre violência não deixa esse sofrimento em casa quando inicia o expediente. O medo, a insegurança e o desgaste emocional acompanham essa pessoa ao longo do dia e podem comprometer sua capacidade de trabalhar, tomar decisões e se relacionar com a equipe. Ignorar essa realidade significa deixar de cuidar de um fator que interfere diretamente na saúde e no desempenho profissional.”

A especialista ressalta que isso não significa transferir às empresas uma responsabilidade que cabe às autoridades ou aos serviços de proteção. O papel das organizações é construir um ambiente onde o trabalhador encontre segurança, respeito e acesso à informação.

“Os gestores não precisam investigar a vida pessoal de ninguém. O mais importante é que saibam identificar mudanças significativas de comportamento, conduzir conversas de forma respeitosa e orientar o colaborador sobre os canais de apoio disponíveis. Muitas vezes, um ambiente de confiança representa o primeiro passo para que a vítima procure ajuda.”

Entre os sinais que podem indicar que algo não vai bem estão mudanças repentinas de comportamento, isolamento, atrasos recorrentes, dificuldade de concentração, redução do desempenho e aumento das faltas. Individualmente, esses comportamentos não confirmam uma situação de violência, mas merecem atenção quando persistem ou surgem de forma abrupta.

Além da capacitação das lideranças, políticas claras de combate ao assédio, canais confidenciais de escuta e programas de apoio psicológico contribuem para criar uma cultura organizacional mais preparada para lidar com situações de vulnerabilidade.

“O Agosto Lilás reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher é um compromisso coletivo. A atualização da NR-1 amplia esse debate ao mostrar que a saúde mental também depende da capacidade das empresas de reconhecer fatores que afetam seus colaboradores e agir de maneira responsável, ética e humana”, conclui Thaís Rodella.

Sobre Thaís Rodella

Thaís Rodella é especialista em comportamento humano, gestão de pessoas e Medicina do Estilo de Vida. Atua no desenvolvimento de lideranças, saúde emocional, cultura organizacional e bem-estar corporativo, auxiliando empresas na construção de ambientes mais saudáveis e sustentáveis.

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