Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões e faz ajustes em seu plano de reestruturação

Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões e faz ajustes em seu plano de reestruturação

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A Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, impactado por R$ 9,1 bilhões em efeitos não recorrentes. O balanço revelou uma baixa de R$ 5,5 bilhões em imposto de renda diferido e R$ 971 milhões em baixa de ágio, entre outros. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado seria de R$ 1 bilhão.

Apesar disso, a receita líquida cresceu 1,6% e o GMV total aumentou 0,5%. A empresa gerou R$ 798 milhões em fluxo de caixa livre e reduziu sua dívida líquida em R$ 3,8 bilhões em 12 meses.

O novo plano de reestruturação inclui o fechamento de 298 lojas, priorização de margem e caixa no online, e ajustes no estoque. A companhia enfrenta desafios devido ao cenário macroeconômico, com juros elevados e endividamento das famílias, mas analistas destacam avanços em EBITDA e desalavancagem.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado influenciado por R$ 9,1 bilhões em efeitos não recorrentes relacionados ao redimensionamento da companhia para o que chamou de “fase 2 de seu plano de transformação”. A empresa também admitiu que pode caminhar para uma nova  recuperação extrajudicial ou recuperação judicial.

O balanço, divulgado na madrugada deste domingo, 16 de agosto, detalha que os impactos que resultaram na baixa contábil incluem a baixa do imposto de renda diferido, no valor de R$ 5,5 bilhões, a baixa de ágio de R$ 971 milhões, contingências contratuais de R$ 1,8 bilhão e R$ 502 milhões em despesas de reestruturação. Sem esses efeitos, o prejuízo líquido ajustado teria sido de R$ 1 bilhão.

Apesar do prejuízo contábil, a operação apresentou crescimento moderado. A receita líquida avançou 1,6% na comparação anual, enquanto o GMV total cresceu 0,5%, impulsionado pelo desempenho do 1P online, que subiu 15,3%. O lucro bruto aumentou 10,9%, elevando a margem bruta para 32,9%. O EBITDA ajustado somou R$ 518 milhões, com margem de 7,4%, abaixo dos 8,3% registrados no 2T25.

O fluxo de caixa foi o principal ponto do trimestre. A empresa gerou R$ 798 milhões de fluxo de caixa livre, alta de R$ 625 milhões em relação ao ano anterior. Houve redução de R$ 685 milhões em estoques e queda de 28% no pagamento de juros frente ao quarto trimestre de 2025. A dívida líquida recuou R$ 46 milhões no trimestre, mantendo a alavancagem em 0,5x. Em 12 meses, a companhia reduziu a dívida líquida em R$ 3,8 bilhões, equivalente a 76%.

Diante desse contexto, a nova fase de seu plano de reestruturação que inclui o fechamento de 298 lojas menos rentáveis, redução de custos estruturais, priorização de margem e caixa no online, redução de capex, monetização de ativos, refinanciamento da dívida e ajustes no estoque para melhorar giro.

No documento apresentado ao mercado, a Casas Bahia descreve a essa nova fase como uma mudança de trajetória mantendo a mesma orientação estratégica. De acordo com a Casas Bahia, o objetivo é “redimensionar a companhia, priorizando canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento”. Calcula-se que a companhia demitiu 1,9 mil funcionários, segundo o jornal Valor Econômico.

A companhia afirma que o tamanho da operação passa a ser consequência, não objetivo, e que a rentabilidade orienta as decisões em um ambiente de maior custo de capital, no qual a escala deve refletir a capacidade de gerar retorno. O redimensionamento é apresentado como mecanismo para manter uma estrutura sustentável e autofinanciável.

O plano, que originalmente previa uma fase de aceleração, foi ajustado após a piora do cenário macroeconômico, levando a empresa a adotar postura de caixa primeiro e a priorizar geração de caixa e rentabilidade. Segundo o balanço, houve redução relevante do risco de refinanciamento, e o redimensionamento busca proteger e preservar os ganhos operacionais e financeiros já obtidos.

A Casas Bahia aponta que algumas expectativas iniciais da reestruturação não se confirmaram. A empresa não conseguiu ampliar prazos com fornecedores, houve redução de limites com seguradoras de crédito e a janela de mercado para captações relevantes permaneceu fechada. O cenário macroeconômico também pressionou a operação, com juros elevados, endividamento das famílias, impacto das apostas esportivas no consumo e efeitos de tensões geopolíticas.

As notas explicativas do balanço da Casas Bahia do segundo trimestre de 2026 detalham também um cenário de pressão financeira que levou a companhia a considerar novas medidas formais de reorganização de passivos. O documento afirma que a empresa avalia alternativas como nova recuperação extrajudicial ou até recuperação judicial, diante da combinação de patrimônio líquido negativo, capital de giro insuficiente e dificuldades para acessar crédito em condições adequadas.

“Dentre as medidas avaliadas pela companhia e passíveis de potencial implementação, estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial.”

O texto destaca que a companhia não conseguiu concluir uma captação internacional considerada estratégica para reforçar sua estrutura de capital. Segundo a companhia, a operação estava em estágio avançado, com diligência concluída e documentação negociada, mas o investidor âncora desistiu, inviabilizando a transação. A empresa afirma que a captação teria sido “extremamente relevante” para seu planejamento financeiro.

O balanço da empresa mostra que o passivo circulante supera o ativo circulante em R$ 7,8 bilhões, no consolidado, e que o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,27 bilhões. A companhia registra ainda perdas acumuladas de R$ 11,2 bilhões no semestre e reconhece a dificuldade de monetizar créditos tributários de R$ 6,3 bilhões, que dependem de geração futura de lucros tributáveis.

As notas explicativas do balanço do segundo trimestre informam ainda que a continuidade operacional depende da execução bem-sucedida das medidas previstas na fase 2 do plano de reestruturação, além de negociações com credores e fornecedores para alongamento de prazos e redução de pressões de curto prazo. A companhia reconhece que, sem essas ações, há risco relevante para sua capacidade de honrar obrigações e manter operações em condições normais.

A Ernst & Young nos seus comentários sobre as informações trimestrais se absteve de emitir uma conclusão e acrescentou que “esses eventos ou condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”.

Além disso, escreveu ainda que “diante deste cenário, que indica a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia, não foi possível concluir sobre o uso da base contábil de continuidade operacional em 30 de junho de 2026, tampouco determinar eventuais efeitos ou ajustes nas informações financeiras intermediárias, individuais e consolidadas”.

A Casas Bahia vinha conseguindo resultados com seu processo de reestruturação. Um relatório do Itaú BBA, que voltou a cobrir a empresa, elogiava o turnaround da varejista, mas alertava para o cenário macro.

Os analistas do Itaú BBA ressaltaram avanços em frentes como EBITDA, a expansão para marketplaces como Amazon e Shopee e a desalavancagem, além da “poderosa alavanca de crescimento” do crediário.

Apesar de observarem que a recuperação operacional da rede tem sido “impressionante”, os analistas frisaram que ainda esperam impactos, em particular, da Selic, ao citarem que o grupo é uma das histórias mais sensíveis às taxas de juros em seu universo de cobertura.

“As elevadas taxas de juros continuam a restringir os lucros, pressionando tanto o crescimento operacional quanto os resultados financeiros”, escreveu o banco no relatório intitulado “Ganhos micro, dores macro”.



Fonte ==> NEOFEED

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