Laura Zopelaro combina formação jurídica, habilidades de programação e visão empresarial para liderar a transformação digital da advocacia brasileira
Enquanto grande parte dos advogados brasileiros ainda engatinha no uso de ferramentas tecnológicas, Laura Zandavalle Zopelaro já treinou mais de 10 mil profissionais do direito a dominar a inteligência artificial.
Com menos de 30 anos de idade, a advogada catarinense acumula títulos que parecem contraditórios à primeira vista: fundadora do ADV Club, Hera Tecnologia e da Code Law, empresas especializadas em soluções de IA para o setor jurídico; criadora do Método Advogado Digital (MAD) e da Mentoria Advogando com IA (MAI), programas que se tornaram referências nacionais em capacitação tecnológica para advogados e uma das únicas brasileiras a serem convidadas para o grupo LATAM de Estudos sobre IA da prestigiada universidade de Stanford.
Mas o que torna Laura singular não é apenas a quantidade de chapéus que veste. É a capacidade rara de transitar entre mundos aparentemente distantes — direito e tecnologia — com a mesma fluência. “Eu não sou só advogada que aprendeu a usar IA. Sou desenvolvedora de sistemas que também é advogada”, explica, resumindo em uma frase a essência de sua abordagem.
Da academia à tecnologia
A trajetória de Laura começou longe dos holofotes da inovação. Formada em Direito pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), em Criciúma, ela seguiu o caminho tradicional: atuação em direito contratual e relações de consumo, passagem pela Defensoria Pública, experiência em escritórios. Durante a graduação, desenvolveu pesquisas acadêmicas sobre políticas públicas e educação superior, coordenou projetos de extensão e chegou a publicar artigos científicos.
O ponto de virada veio quando ela percebeu que os problemas mais interessantes da advocacia moderna não estavam nas salas de audiência, mas na interseção entre direito e tecnologia. Enquanto cursava pós-graduação, Laura foi além da teoria: aprendeu programação, estudou desenvolvimento de sistemas e obteve certificação como Data Protection Officer (DPO) pelo Instituto Daryus.
“Vi que advogados perdiam horas em tarefas operacionais que poderiam ser automatizadas. E percebi que ninguém estava ensinando isso de forma prática, aplicável ao dia a dia do escritório”, relembra.

Laura Zopelaro
A construção de um império educacional
Em 2022, Laura começou a desenvolver o que viria a ser a Mentoria Advogando com IA. Diferente de cursos teóricos sobre tecnologia no direito, o MAI nasceu da experiência prática: ensinar advogados a usar Chat GPT e outras ferramentas de IA de forma estratégica, ética e lucrativa.
O resultado foi explosivo. Seus programas rapidamente formaram mais de 3.500 advogados apenas na primeira versão, número que já ultrapassou 10 mil profissionais capacitados. Sua comunidade no Instagram (@lauzzopelaro) conta com mais de 100 mil seguidores.
“Meus alunos entram no programa produzindo 10 petições por semana e saem produzindo 40, com a mesma qualidade ou melhor. Isso não é promessa, são resultados mensuráveis.” Disse a Dra Laura quando perguntada sobre sua comunidade.
O método de Laura é extremamente funcional: workshops práticos, assistentes personalizados criados sob medida para cada área do direito, análises de contratos automatizadas e, principalmente, uma abordagem que respeita os limites éticos da profissão. Ela insiste que a IA não substitui o advogado, mas multiplica sua capacidade produtiva.
Hera Tecnologia: soluções sob medida
Paralelamente à atuação jurídica, Laura fundou a Hera Tecnologia, empresa dedicada a desenvolver soluções de IA personalizadas para escritórios e departamentos jurídicos. O nome é uma referência à deusa grega do casamento e da família — mas Laura diz que a escolha tem outro significado: “Hera representa poder, estratégia e liderança. É isso que queremos entregar aos nossos clientes.”
A Hera desenvolve desde chatbots especializados para atendimento de clientes até sistemas completos de gestão integrados com IA. A empresa atende tanto pequenos escritórios quanto grandes corporações, sempre com foco em aumentar produtividade e rentabilidade.
Liderança além do escritório
Nas redes sociais, Laura adota um tom acessível e direto, quebrando o padrão corporativo frio comum entre profissionais do direito. Ela compartilha dicas práticas, desmistifica ferramentas complexas e responde dúvidas de seguidores — muitos deles advogados que nunca tinham escrito uma linha de código na vida.
“Minha missão é democratizar o acesso à tecnologia no direito”, explica. “Não adianta a IA existir se apenas grandes escritórios com orçamentos milionários conseguem implementar. Quero que o advogado autônomo, do interior, também tenha essas ferramentas.”
Visão de futuro
Quando questionada sobre o futuro da advocacia, Laura é categórica: “Daqui a cinco anos, advogados que não dominarem IA serão considerados obsoletos. Não é pessimismo, é realidade. Assim como hoje ninguém imagina um advogado que não sabe usar e-mail ou processos eletrônicos, a IA será habilidade básica.”
Ela defende que a transformação já começou e é irreversível. “A diferença é que, desta vez, temos uma janela curta de oportunidade. Quem aprender agora vai liderar. Quem esperar vai correr atrás pelo resto da carreira.”
O legado em construção
Com apenas alguns anos de atuação focada em IA jurídica, Laura Zopelaro já deixou marca profunda no setor. Seus alunos relatam aumentos de produtividade que chegam a 800%, escritórios que conseguiram expandir operações sem contratar mais funcionários e advogados autônomos que triplicaram o faturamento.
Mas Laura não se contenta com números. “Meu maior orgulho não é quantos advogados eu treinei. É saber que muitos deles recuperaram tempo para estar com a família, para estudar, para viver. A advocacia não deveria nos escravizar — deveria nos libertar. E o caminho pra isso é a tecnologia.”
Entre compromissos como advogada, fundadora de empresa de tecnologia, criadora de método educacional e influenciadora digital, Laura segue construindo pontes entre o tradicional e o inovador. E, pelo caminho, prova que é possível revolucionar uma profissão centenária sem perder de vista o que sempre foi essencial: servir à justiça e ao cliente.
“Sou apaixonada por transformar o Direito através da tecnologia”, resume. “E estamos só começando.”

