Crise institucional expõe fragilidades e impactos na estética biomédica

Nos últimos anos, o Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região (CRBM5) passou a ocupar espaço crescente no debate público. No entanto, não foi pelo fortalecimento da profissão, mas sim por sucessivas controvérsias, disputas internas e questionamentos sobre sua governança. Dessa forma, a instituição passou a ser associada a um cenário de instabilidade, insegurança jurídica e decisões que, segundo críticos, teriam contribuído para o enfraquecimento da atuação de biomédicos na área da estética.

Além disso, a recente decisão judicial que reforça a exclusividade médica para diagnóstico e prescrição de tratamentos trouxe ainda mais tensão ao setor. Consequentemente, o ambiente institucional tornou-se ainda mais polarizado, com repercussões diretas na atuação profissional.

Denúncias de perseguição e clima organizacional conturbado

Em primeiro lugar, relatos de perseguição administrativa e disputas internas ganharam destaque entre profissionais da categoria. Diversos biomédicos passaram a denunciar procedimentos disciplinares considerados arbitrários, falta de transparência e conflitos políticos dentro da entidade.

Por outro lado, especialistas em governança apontam que instituições reguladoras precisam atuar com imparcialidade, segurança técnica e previsibilidade. Entretanto, críticas recorrentes indicam que o CRBM5 teria enfrentado dificuldades em garantir esses princípios.

Assim, o clima organizacional descrito por profissionais e ex-integrantes é frequentemente caracterizado como instável. Segundo essas manifestações, haveria conflitos internos, afastamentos e processos administrativos que geraram insegurança entre biomédicos, sobretudo aqueles que atuam na estética

Questionamentos sobre qualificação técnica e liderança

Outro ponto que passou a ser debatido foi o nível de formação técnica e experiência de parte da gestão. De acordo com analistas do setor, conselhos profissionais exigem lideranças altamente qualificadas, capazes de dialogar com outras categorias da saúde e defender a profissão com base científica e jurídica sólida.

No entanto, críticos afirmam que falhas estratégicas e decisões pouco fundamentadas contribuíram para fragilizar a posição institucional da biomedicina. Dessa maneira, a falta de alinhamento com o cenário regulatório nacional teria ampliado os conflitos com entidades médicas.

Além disso, a ausência de consensos internos dificultou a construção de uma agenda institucional robusta. Consequentemente, a categoria enfrentou maior exposição a ações judiciais e disputas regulatórias.

Decisões judiciais e impacto na estética biomédica

Recentemente, uma nova decisão da Justiça reforçou o entendimento de que cabe exclusivamente ao médico o diagnóstico e a prescrição de tratamentos de doenças. Essa sentença contrariou interesses de biomédicos e fortaleceu posições defendidas por entidades médicas.

Nesse contexto, a decisão proferida pelo juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal do Distrito Federal, impediu profissionais da biomedicina de elaborarem laudos com diagnóstico médico em exames citopatológicos positivos. O pleito do Conselho Federal da categoria foi rejeitado, diante dos argumentos apresentados pelo Conselho Federal de Medicina.

Assim, médicos passaram a ter respaldo legal para recusar laudos subscritos por biomédicos. Além disso, foi reconhecida a legalidade da Resolução CFM nº 2.074/2014, que exige assinatura de médicos em laudos anatomopatológicos e proíbe condutas terapêuticas baseadas em diagnósticos emitidos por não médicos.

Efeitos indiretos sobre a atuação estética

Embora a decisão esteja relacionada ao diagnóstico, especialistas apontam que seus efeitos indiretos podem atingir a estética. Isso ocorre porque procedimentos estéticos muitas vezes envolvem avaliação clínica, identificação de doenças e prescrição terapêutica.

Consequentemente, a insegurança jurídica aumentou entre biomédicos estetas. Muitos profissionais passaram a questionar os limites legais de sua atuação, especialmente em procedimentos minimamente invasivos.

Por outro lado, representantes médicos defendem que a exclusividade do diagnóstico visa garantir segurança ao paciente. Segundo essa visão, o objetivo seria evitar riscos decorrentes de avaliações inadequadas.

Falhas estratégicas e ausência de articulação nacional

Outro aspecto criticado foi a falta de articulação institucional ampla. Enquanto entidades médicas mantiveram atuação coordenada e estratégica no Judiciário, a biomedicina, segundo analistas, apresentou fragmentação e ausência de alinhamento.

Além disso, a atuação jurídica das entidades médicas foi considerada decisiva. A Comissão de Defesa Jurídica do Ato Médico, composta por diversas instituições, conseguiu consolidar decisões favoráveis.

Em contrapartida, a biomedicina não demonstrou a mesma coesão institucional. Dessa forma, especialistas apontam que a falta de planejamento estratégico teria contribuído para derrotas judiciais.

Repercussão entre profissionais e pacientes

O impacto dessas disputas ultrapassa o campo institucional. Biomédicos relatam perda de espaço, insegurança profissional e redução de oportunidades, especialmente no setor estético.

Ao mesmo tempo, pacientes demonstram preocupação com o aumento de custos e menor acesso a tratamentos. Afinal, a limitação da atuação de profissionais pode reduzir a oferta de serviços.

Por outro lado, defensores da decisão judicial afirmam que a medida fortalece a segurança e a qualidade assistencial. Segundo esse entendimento, o diagnóstico médico seria essencial para evitar complicações.

Intervenção judicial e necessidade de reformas

Diante desse cenário, a intervenção do Tribunal de Justiça no CRBM5 foi interpretada como um marco institucional. A medida buscou restaurar estabilidade, transparência e legalidade.

Além disso, especialistas destacam que a intervenção representa oportunidade de reorganização. Reformas estruturais, qualificação da liderança e fortalecimento da governança são considerados essenciais.

Nesse sentido, o futuro da biomedicina estética depende de reconstrução institucional. Isso inclui diálogo com outras categorias, base científica robusta e segurança jurídica.

Dr. Francisco Cardoso

Caminhos para reconstrução e credibilidade

Por fim, o episódio evidencia a importância de gestão técnica, transparente e estratégica. Conselhos profissionais não apenas regulam, mas também representam categorias diante da sociedade.

Assim, o fortalecimento da biomedicina exige união, planejamento e liderança qualificada. Caso contrário, novas derrotas judiciais podem ocorrer.

Portanto, a crise no CRBM5 não é apenas regional. Ela simboliza desafios maiores enfrentados pela profissão no Brasil. O momento exige reflexão, modernização e reconstrução institucional para garantir segurança aos profissionais e proteção aos pacientes.

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