Dia Internacional da Mulher: um dia para lembrar, todos para transformar!

O Dia Internacional da Mulher é um marco, mas não pode ser o único momento em que a sociedade “vê” a mulher. Neste artigo, celebro conquistas reais (na política, na ciência, nos lares, nas lideranças e nos novos desenhos de família), trago reflexões que mostram o quanto avançamos e o quanto ainda falta, e proponho caminhos práticos para acelerar a igualdade: dentro de casa, nas empresas, nas políticas públicas e nas conversas do dia a dia.

O Dia Internacional da Mulher é um marco, mas não pode ser o único momento em que a sociedade “vê” a mulher. Neste artigo, celebro conquistas reais (na política, na ciência, nos lares, nas lideranças e nos novos desenhos de família), trago reflexões que mostram o quanto avançamos e o quanto ainda falta, e proponho caminhos práticos para acelerar a igualdade: dentro de casa, nas empresas, nas políticas públicas e nas conversas do dia a dia.

Um olhar sobre o Dia Internacional da Mulher e sobre todos os outros dias do ano

Há datas que funcionam como faróis. O Dia Internacional da Mulher é uma delas: ilumina histórias, reconhece lutas, dá nome a vitórias que por muito tempo foram invisibilizadas. Mas farol não é destino, é direção! E a direção que ele aponta é simples e profunda: um dia para lembrar, todos para transformar!

Porque, se existe algo que aprendemos ao longo das últimas décadas, é que a presença das mulheres não é “tendência”, é realidade. Mudamos o mapa do mundo e do cotidiano. Hoje, no Brasil, 49,1% dos lares têm uma mulher como responsável. Isso é quase metade das casas reescrevendo, na prática, o que significa liderança, cuidado, provisão e decisão. Ao mesmo tempo, ainda convivemos com a pergunta silenciosa que ninguém deveria precisar responder: “E você dá conta de tudo?”, como se o “tudo” fosse obrigação natural. E cada conquista tem um preço. E muitas vezes, esse preço tem nome: cansaço, culpa, solidão, julgamento.

Esse peso invisível que acompanha tantas trajetórias femininas ajuda a explicar porque falar de conquistas não é apenas celebrar resultados, mas compreender o contexto em que eles foram alcançados. Cada avanço carrega esforço individual e coletivo, e é justamente por isso que olhar para o que já mudou e para o que ainda precisa mudar não é luxo, é responsabilidade compartilhada. Conquistas estas que merecem ser ditas em voz alta e celebrar não é romantizar. Celebrar é reconhecer o caminho percorrido e ele é imenso.

Por exemplo, na política avançamos, mesmo que a passos curtos, onde mulheres ocupam aproximadamente 17,7% das cadeiras da Câmara Legislativa, que ainda está longe de refletir a maioria da população, mas maior do que já foi. Na ciência, o cenário global também mostra a distância: a média de pesquisadoras no mundo gira em torno de 33,3%, lembrando que talento nunca foi o problema, acesso e permanência, sim.

E há conquistas que não cabem apenas em números: mulheres em lideranças executivas, mulheres que reconfiguram o conceito de maternidade, mulheres que escolhem não ser mães, mulheres que são mães solo, mulheres negras abrindo caminhos em espaços historicamente fechados, mulheres trans reivindicando respeito e oportunidades, novas famílias, novos cargos, novos “lugares” onde antes nos diziam que não era para nós.

E há conquistas que não cabem apenas em números: mulheres em lideranças executivas, mulheres que reconfiguram o conceito de maternidade, mulheres que escolhem não ser mães, mulheres que são mães solo, mulheres negras abrindo caminhos em espaços historicamente fechados, mulheres trans reivindicando respeito e oportunidades, novas famílias, novos cargos, novos “lugares” onde antes nos diziam que não era para nós.

E o que ainda precisa entrar de verdade na agenda?

Não existe igualdade possível onde não existe segurança. Não existe futuro justo quando o presente é ameaça. Se as vitórias são reais, os desafios também são e urgentes. A desigualdade no trabalho continua estampada: segundo o Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho e Emprego, mulheres recebem, em média, 20,9% a menos do que os homens (dados de 2024 para estabelecimentos com 100+ empregados). E quando falamos de reconhecimento, não é só sobre salário. É sobre promoção, visibilidade, credibilidade. É sobre interrupções em reuniões. É sobre a maternidade virar “risco”. É sobre mulheres precisarem provar, repetidamente, o que muitos têm como pressuposto.

E há a ferida mais grave: a violência! Em 2022, o país registrou cerca de 1,4 mil feminicídios, com a marca dolorosa de uma mulher morta a cada 6 horas, segundo levantamento com dados oficiais estaduais. Em 2023, os feminicídios permaneceram em patamar altíssimo: 1.463 casos no Brasil, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Além disso, a violência doméstica e o assédio seguem como realidade cotidiana: segundo a Organização Mundial da Saúde, 1 em cada 3 mulheres já sofreu violência física ou sexual ao longo da vida, e no Brasil pesquisas indicam que mais de 70% das mulheres já vivenciaram algum tipo de assédio, seja no trabalho, nos espaços públicos ou nas relações pessoais.

Igualdade não é slogan, é método e prática!

Se queremos avançar, precisamos sair do discurso e ir para o desenho da vida real com atitudes repetidas, mensuráveis e compartilhadas.

Nas empresas, igualdade começa com transparência e correção: auditorias salariais frequentes, critérios claros para promoções, metas de diversidade em liderança, tolerância zero a assédio e canais seguros (com proteção real a quem denuncia). E começa também com cultura: reuniões onde ninguém é interrompida, ambientes onde “maternidade” não é sinônimo de “falta de compromisso”, avaliações que não punem quem cuida.

Em casa, igualdade é divisão justa do invisível: planejamento, rotina, cuidado, carga mental. Não “ajuda”, mas corresponsabilidade.

Na sociedade, igualdade é política pública e prioridade: educação, proteção, rede de atendimento, responsabilização do agressor, acolhimento das vítimas, estímulo à participação feminina em espaços de poder.

E na linguagem que parece pequena, mas não é igualdade, é revisar piadas, hábitos e comentários que sustentam a desigualdade como se fosse normal.

O futuro das meninas de hoje: o que estamos construindo e elas podem esperar?

Quando penso nas meninas, inclusive na minha própria filha, que serão as mulheres do amanhã, eu penso em liberdade sem medo. Penso em oportunidades sem desculpas. Penso em escolha sem punição.

Quero um mundo em que elas não precisem ser “fortes” o tempo todo porque a força, muitas vezes, é só a forma mais bonita de chamar sobrevivência. Quero que elas possam errar sem carregar a sentença moral que historicamente recai sobre nós. Quero que possam crescer sem reduzir a própria voz para caber no desconforto de alguém.

E aqui, Cora Coralina nos entrega uma frase que é quase um manual de vida e também um manifesto: “Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras…”

É isso. A gente recria. A gente remove pedras. A gente planta. Mas é esse “mas” que importa e não dá para pedir que as mulheres removam todas as pedras sozinhas.

Que o Dia Internacional da Mulher seja mais do que postagem bonita. Faça dele um ponto de virada. E encorajo a cada um, leitor ou leitora, a escolher uma ação concreta: um ajuste de prática na sua equipe, uma conversa necessária em casa, uma pauta de transparência no trabalho, um apoio ativo a uma mulher (indicando, recomendando, patrocinando um projeto), um compromisso real de intervir quando presenciar machismo ou violência. E, sobretudo, não espere a próxima data para continuar.

Se amanhã você acordasse mulher e por uma semana vivesse a mesma rotina, os mesmos riscos, as mesmas cobranças e a mesma necessidade de provar valor o que, exatamente, você mudaria no seu comportamento, na sua casa e no seu trabalho para que essa vida fosse mais justa?

Se amanhã você acordasse mulher e por uma semana vivesse a mesma rotina, os mesmos riscos, as mesmas cobranças e a mesma necessidade de provar valor o que, exatamente, você mudaria no seu comportamento, na sua casa e no seu trabalho para que essa vida fosse mais justa?

(1)Jullyanna Sobrinho

Executiva Global de Qualidade

(1)As opiniões apresentadas neste artigo são pessoais e não refletem necessariamente a posição do meu empregador.

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