Economia da higiene: como o mercado de produtos de limpeza se tornou um dos motores silenciosos do Brasil

O setor de produtos de limpeza, muitas vezes visto como tradicional e pouco inovador, vem se consolidando como um dos mais resilientes e em expansão na economia brasileira.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA), o mercado movimenta mais de R$ 30 bilhões por ano e cresce, em média, 6% ao ano, mesmo diante de crises econômicas.

A pandemia acelerou mudanças no comportamento do consumidor, ampliando a conscientização sobre higiene em residências, empresas e, especialmente, condomínios. Essa transformação não retrocedeu: os hábitos de consumo permaneceram e impulsionaram tanto grandes multinacionais quanto distribuidores regionais e marcas próprias. O resultado é um mercado robusto, competitivo e em constante renovação.

Outro ponto de destaque é o crescimento do comércio eletrônico. Relatório da NielsenIQ mostra que o e-commerce já representa 12% das vendas de produtos de limpeza no Brasil, com previsão de dobrar até 2027. A digitalização ampliou o alcance de empresas que, até pouco tempo atrás, atendiam apenas clientes locais e hoje conseguem distribuir seus produtos para todo o país.

Nesse contexto, ganha relevância a estratégia das marcas próprias, que vêm conquistando espaço ao oferecer qualidade a preços competitivos e fidelizar clientes. Para Fábio Canal, empresário com mais de 20 anos de atuação no setor e CEO de uma empresa que atende mais de mil clientes ativos, a diferenciação é o fator decisivo para a longevidade. “No nosso mercado, só sobrevive quem aposta em qualidade real. Criar uma linha própria foi fundamental para fidelizar clientes e mostrar que é possível competir com grandes marcas oferecendo desempenho superior”, afirma.

A trajetória de Canal reflete as mudanças do setor. Em 2010, sua empresa deixou de ser apenas fábrica para se tornar também distribuidora, ampliando portfólio e expandindo presença em condomínios da região de Porto Alegre. Hoje, a operação conta com cerca de 15 colaboradores diretos, mais de mil clientes ativos e presença nacional via e-commerce. Para ele, a transformação da empresa em distribuidora foi um marco estratégico. “Ampliamos a oferta de soluções e conseguimos atender melhor um mercado que exige variedade e eficiência logística. Essa adaptação nos permitiu crescer em um ambiente extremamente competitivo.”

Com consumidores mais exigentes e empresas buscando parceiros confiáveis, o setor de limpeza se consolida como parte estratégica da economia da saúde e do bem-estar. Para os especialistas, a expansão continuará guiada pela digitalização, inovação em fórmulas mais sustentáveis e maior profissionalização de distribuidores regionais.

“Empreender nesse setor exige resiliência e visão de longo prazo. São mais de duas décadas de trabalho, enfrentando crises e mudanças de cenário, mas a certeza é que a economia da higiene só tende a crescer. O Brasil descobriu que limpeza é valor agregado, e isso não tem volta”, conclui Canal.

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