Guerra no Oriente Médio ameaça exportação de grãos que sai do Porto de Santos

Guerra no Oriente Médio ameaça exportação de grãos que sai do Porto de Santos

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A guerra entre Irã e Estados Unidos, iniciada no fim de fevereiro, já impacta o porto de Santos, que exporta 31% de seu milho para o Irã.

Em 2025, foram enviadas 4,7 milhões de toneladas de milho para o país, e em 2026, 1,1 milhão de toneladas já foram embarcadas, com 350 mil toneladas nos primeiros meses do ano. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota dos navios, agrava a situação, e há temor de que o conflito dure mais de um mês, afetando diretamente as exportações.

A carga leva cerca de 25 dias para chegar ao Irã, que também é o maior exportador de ureia para o Brasil. A Autoridade Portuária de Santos está monitorando a situação e considera mudanças de rotas para as cargas.

Em 2025, o porto teve lucro de R$ 938,9 milhões e movimentou 186,4 milhões de toneladas de cargas, com recordes em contêineres e soja.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A guerra entre Irã e Estados Unidos, que teve início no fim de fevereiro, já ameaça afetar o ritmo de movimentações de cargas do Porto de Santos. Neste sentido, abril deve ser um mês-chave para a receita dos operadores que utilizam o maior terminal portuário da América do Sul.

A preocupação maior está no embarque de grãos. Do total do volume exportado de milho do terminal santista, 31% vão para o Irã. Isso significa que, em 2025, foram enviados para o mercado iraniano 4,7 milhões de toneladas do produto, do total de 15,2 milhões que saíram dos navios de Santos.

Em 2026, já foram embarcados para o exterior 1,1 milhão de toneladas de milho a partir de Santos. Dessa forma, nos primeiros dois meses deste ano, cerca de 350 mil toneladas do grão viajaram para o país hoje em conflito.

A situação se agrava ainda mais por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, rota natural dos navios que partem de Santos rumo ao país do Oriente Médio. O maior temor é que o conflito dure pelo menos mais duas semanas e chegue a um mês, o que vai afetar diretamente o volume e os futuros pedidos de produtos brasileiros.

Uma carga demora cerca de 25 dias para sair do litoral paulista e chegar ao porto iraniano. Por outro lado, o Irã é o maior exportador de ureia (um tipo de fertilizante) para o Brasil. Além de risco de interrupção, a guerra tem aumentado o preço do produto.

“Se avançar mais 15 ou 20 dias e o canal continuar fechado, a guerra vai começar a afetar o porto, sim. O Irã é nosso grande importador de milho”, diz Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), em entrevista ao NeoFeed.

Segundo ele, a gestora do terminal portuário tem monitorado diariamente as saídas dos navios e já iniciado diálogo com os operadores das cargas no porto. Há possibilidade de mudanças de destinos destas cargas, embora Pomini reconheça que este trabalho comercial não seja tão rápido.

“O porto de Santos atua em 600 destinos em quase 200 países. E há uma demanda grande pelo milho brasileiro. Essa é a vantagem de produzir commodity, ainda que o produto industrializado tenha maior valor agregado”, afirma.

O NeoFeed apurou, entre fontes do setor portuário, que já há pedidos de empresas do Oriente Médio para que cargas não deixem o porto de Santos. Com isso, navios devem ficar esperando na área de fundeio do porto e, em outras situações, as cargas seguirão nos armazéns, por enquanto.

Para Pomini, o cenário atual é diferente do que foi vivido nos dias anteriores ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Naquela ocasião, houve uma corrida para envio das cargas brasileiras a portos americanos, sem que fossem atingidos pelas novas taxas.

“Quem tinha os produtos taxados fez de tudo para que chegasse antes. No caso do milho, ou a carga vai passar por outro canal ou o comprador vai mudar. Então, é possível, sim, que a gente tenha mudança de rotas para esta carga”, afirma. “Também há chance de aumento de preço, principalmente pelo aumento da logística.”

Segundo ele, até aqui o papel da Autoridade Portuária de Santos e do próprio Ministério de Portos e Aeroportos tem sido acompanhar com atenção e orientar os terminais portuários sobre a interrupção do acesso ao Irã.

Em 2025, o porto alcançou lucro recorrente de R$ 938,9 milhões, alta de 22,3% sobre o resultado do ano anterior. A geração de caixa alcançou R$ 1 bilhão, com uma margem Ebitda de 59,1%. O porto terminou o ano com R$ 4 bilhões em caixa.

Santos atingiu, no ano passado, um recorde de movimentação de cargas, totalizando 186,4 milhões de toneladas. Contêineres somaram 62,3 milhões de toneladas, e o complexo soja, 44,9 milhões de toneladas. O volume de celulose foi de 9,9 milhões de toneladas.



Fonte ==> NEOFEED

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