Um juiz federal em Washington decidiu nesta quinta-feira (9) que o Pentágono está obstruindo o trabalho de jornalistas em desacato a uma ordem judicial que exigia a restauração do acesso a repórteres credenciados que cobrem a sede do poder militar dos Estados Unidos.
O juiz Paul Friedman afirmou que o Departamento de Defesa deve cumprir sua decisão anterior, que deu razão ao jornal The New York Times e a outras organizações de notícias que contestavam restrições impostas no ano passado.
“O Departamento não pode simplesmente restabelecer uma política ilegal sob o pretexto de tomar uma ‘nova’ medida e esperar que o tribunal faça vista grossa”, escreveu Friedman em sua decisão. O juiz classificou as ações do Pentágono de “tentativa flagrante de burlar uma ordem do tribunal”.
O porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell, disse nas redes sociais que o Pentágono cumpriu integralmente a ordem judicial e planeja recorrer da decisão mais recente.
O New York Times, por sua vez, elogiou a decisão em comunicado e chamou a política revisada do Pentágono de “tentativa mal disfarçada” de violar os direitos previstos em lei dos jornalistas.
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Friedman, em uma audiência realizada em 30 de março, havia expressado preocupação de que o Pentágono tivesse emitido restrições revisadas a jornalistas no início do mês que iam ainda mais longe do que aquelas que ele havia bloqueado anteriormente.
O Pentágono, sob o comando de Pete Hegseth, disse em outubro que jornalistas poderiam ser considerados riscos à segurança e ter suas credenciais de imprensa revogadas caso solicitassem a militares não autorizados a divulgação de informações sigilosas e, em alguns casos, não sigilosas.
Dos 56 veículos de imprensa da Associação de Imprensa do Pentágono, apenas um concordou em assinar um termo de reconhecimento da política. Os repórteres que não assinaram entregaram suas credenciais ao departamento.
Friedman decidiu em 20 de março que a política violava as proteções à apuração jornalística e ao devido processo legal previstas na Constituição dos EUA. Ele emitiu uma liminar exigindo que as credenciais dos repórteres fossem restauradas imediatamente.
A política, segundo o NYT, proíbe repórteres com credenciais de imprensa de entrar no prédio sem escolta, estabelece regras sobre quando um repórter pode oferecer anonimato a uma fonte e mantém outras normas que a ordem judicial rejeitou.
Em um documento apresentado em março, o Pentágono negou ter violado a ordem anterior de Friedman. “O Departamento teve o cuidado de abordar todos os defeitos legais que o tribunal identificou na política anterior”, afirmou.
A Associação de Imprensa do Pentágono disse que as novas regras do Pentágono são “uma clara violação da letra e do espírito” da decisão de Friedman. A Reuters é membro da associação, que inclui o New York Times, a rede ABC News, a emissora Fox News e outros veículos.
Fonte ==> Folha SP
