Levou a vida com doçura e otimismo – 21/08/2025 – Cotidiano

Uma mulher sorridente está sentada em um sofá, usando um vestido branco com estampas pretas. Ela tem cabelo curto e usa uma faixa na cabeça. Ao fundo, há uma estante com livros e outros objetos. A iluminação é suave, criando um ambiente acolhedor.

O almoço de domingo mais esperado era na casa da paulistana Marcia Almeida, onde amigos se reuniam para comer massas italianas e o famoso molho de tomate, receita que passou por gerações. Quem não podia ir ganhava um pedaço mesmo assim. Era a forma de ela demonstrar afeto.

Marcia estava sempre rodeada de pessoas, amor e comida, como conta a filha, Marianne Macedo.

Ela lembra da cozinha repleta de grandes porções, com massas, tortas, pães e até congelados, quando as encomendas começaram a aumentar. “Ela gostava de cozinhar para o prédio todo, cozinhar e dar para as pessoas. A vida dela era dar e mostrar amor, era muito religiosa e de energia sempre positiva.”

Seu otimismo marcou também o filho Beto Macedo, que fala da influência da mãe em sua relação com a cozinha e com a música. “Lembro das coleções de discos de vinil. Ela gostava de rock progressivo, black e soul music. Nessa influência, eu fui estudar guitarra ainda criança.”

Ele também recorda das massas de domingo e do molho que aprendeu com a mãe.

Rosibeli Garcia ressalta a trajetória de perdas, lutas e recomeços de Marcia. A amiga diz que ela tinha uma voz suave, sempre calma, sem elevar o tom de voz. E mesmo com as dificuldades, levava a vida com leveza e alegria em poder ajudar. “Era a doçura em pessoa.”

A resiliência lhe era peculiar, mesmo diante de grandes dificuldades, como a tragédia enfrentada na juventude, quando o noivo foi morto em um assalto em frente de sua casa. Ela recomeçou e casou-se mais tarde, porém, precisou enfrentar a separação, numa época cheia de tabus.

“Minha mãe se divorciou em 1982, no período da redemocratização, algo menos comum na época. Lembro-me dela ter perdido amizades, ter sido expulsa da igreja que frequentava por ter se tornado uma ‘mulher desquitada’, mas enfrentou a discriminação em nome da própria emancipação”, diz a filha Lulie Macedo.

Apenas com o ensino médio, sem uma profissão, Marcia não se entregou. Fez cursos a distância, foi autodidata, montou uma confecção, pintou porcelana, vendeu congelados, entre outras tantas atividades, para criar os três filhos.

Depois que todos estavam criados, formou-se em psicologia e passou a ajudar as pessoas, ofertando também sessões de reiki, shiatsu e acupuntura.

“Era feliz e até nas piores horas estava presente, nos dando forças. A vida dela era cuidar da gente, sempre carinhosa e preocupada, querendo ajudar e sempre muito positiva. Mesmo com o mundo acabando, acreditava que ia dar certo. Ela tinha muita força e garra para seguir”, conclui Marianne.

Marcia morreu em 12 de junho, aos 72 anos, de câncer. Deixa três filhos e cinco netas.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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Fonte ==> Folha SP

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