Quando a pressão testa a liderança

Executivo pressionado em escritório, com expressão de tensão, cercado por pilhas de documentos e prazos acumulados
Sob pressão extrema, o líder não revela apenas sua capacidade técnica — revela sua maturidade emocional. E é nesse momento que reputações começam a ser construídas ou corroídas.

Em cenários estáveis, muitos líderes se mostram acessíveis, comunicativos e abertos ao diálogo. São reconhecidos pela equipe e vistos como referência. No entanto, quando o ambiente se torna mais exigente — prazos se acumulam, cobranças aumentam ou os resultados ficam abaixo do esperado —, outros comportamentos podem emergir: impaciência, rigidez, defensividade e confusão.

Para o neuropsicólogo Eduardo Shinyashiki, especialista em liderança e no desenvolvimento de competências socioemocionais, com décadas de atuação junto a líderes e organizações, “a pressão funciona como um amplificador: a forma como o líder reage a ela revela o nível de maturidade emocional presente”, explica.

Quando um líder perde o equilíbrio sob pressão, o impacto se espalha rapidamente. A equipe entra em estado de alerta, passa a medir palavras, reduz a iniciativa e evita se expor. Não por falta de competência ou engajamento, mas por instinto de autoproteção. Ambientes emocionalmente inseguros não estimulam colaboração — estimulam sobrevivência.

Liderar sob pressão exige mais do que técnica, experiência ou conhecimento de ferramentas de gestão. Exige maturidade emocional. É a capacidade de manter clareza quando as exigências aumentam, de decidir sem transferir tensão para o time e de comunicar sem contaminar o ambiente com ansiedade.

Segundo Eduardo Shinyashiki, é cada vez mais comum encontrar profissionais altamente preparados do ponto de vista técnico, mas emocionalmente sobrecarregados, não conseguindo manter resultados em contextos de alta exigência. Quando o desenvolvimento emocional não acompanha a complexidade do cenário, a pressão deixa de ser um fator de desempenho e se transforma em desgaste humano — com impactos diretos na cultura organizacional, nas equipes e nos resultados.

Por isso, o desenvolvimento de competências socioemocionais tem se consolidado como um dos pilares da liderança contemporânea. Não se trata apenas de aprender novas técnicas, mas de fortalecer a capacidade do líder de se autorregular, lidar com desafios e conduzir decisões complexas sem comprometer o ambiente.

“Quando o líder desenvolve essas competências internas, a pressão continua existindo, mas deixa de ser um obstáculo ou uma limitação”Eduardo Shinyashiki

Empresas que investem nesse tipo de desenvolvimento percebem mudanças concretas no clima organizacional, na qualidade da comunicação, na consistência das decisões e na sustentabilidade dos resultados, especialmente em momentos críticos.

A pressão é inevitável. O que diferencia organizações e lideranças é a forma como ela é vivida, assimilada e conduzida no dia a dia.

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