Lucas Pinheiro, um medalhista olímpico com “valor de mercado” de R$ 1 bilhão

Lucas Pinheiro, um medalhista olímpico com "valor de mercado" de R$ 1 bilhão

Milão — Lucas Pinheiro Braathen é diferente. O atleta de 25 anos, da geração Z, entrou para a história ao ganhar a primeira medalha de ouro para um país sul-americano nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026. No Brasil, claro, não neva.

Mas Pinheiro Braathen é distinto também fora das pistas de esqui. Ele é modelo e presença constante em semanas renomadas de moda, como a de Milão. Patrocinado pela grife italiana Moncler, o atleta é fashionista e criador — o responsável pelo desenho dos uniformes da equipe de esqui alpino do Time Brasil.

Lucas também se dedica ao design de acessórios. Possui uma linha própria de óculos de esqui da Oakley. Além dessas empresas, ele está associado à Visa, Corona, Atomic, que é uma fabricante austríaca de esquis, e BMW.

Mas o valor maior está na marca de skincare Octo, criada por ele. Após a exposição mundial com a conquista da medalha em Milano Cortina, especula-se que ela tenha ultrapassado R$ 1 bilhão em valor de mercado.

“Para mim, números, seja resultado esportivo, seja valor comercial da minha marca, são consequência. No fim das contas, tudo isso é reflexo de como eu estou conectado com o meu propósito e com os meus sonhos”, diz Pinheiro Braathen, em entrevista ao NeoFeed durante o evento de um de seus patrocinadores, a Visa, na Casa Brasil.

Comendo pão de queijo, muito simpático e vestindo uniforme do Brasil, Braathen chegou na Casa Brasil, em Milão, ponto de encontro de torcedores, na sexta-feira, 20 de fevereiro, por volta das 16 horas (horário local), com um ligeiro atraso porque o motorista italiano precisava fazer uma pausa para descansar.

O atleta conversou com jornalistas em inglês e português, deixou alguns convidados segurarem a medalha, fez selfies e disse que não ver a hora de chegar ao Brasil na semana que vem para ver a família, a namorada Isadora Cruz, atriz da Globo, e comer picanha.  Assim que passar “essa loucura”, Braathen quer viajar para o Chile e o Japão e confessou que usa Havaianas “o ano inteiro”.

“A creator economy transformou indivíduos em marcas com posicionamento, audiência própria e capacidade real de geração de negócios. Quando um atleta como o Lucas conquista relevância cultural, e não apenas esportiva, ele amplia drasticamente seu valor. Ele deixa de entregar somente a visibilidade e passa a oferecer narrativa, conexão emocional e influência sobre comportamento”, afirma Rafaela Queiroz, copresidente da agência Leo, ao NeoFeed.

Lançada em 2025, a Octo, marca de skincare cofundada por Lucas, foi avaliada em R$ 1 bilhão, depois do ouro olímpico (Foto: Montagem com imagens do Instagram @pinheiiiroo e @octo.skincare)

Lucas é embaixador da Moncler, responsável pelos uniformes da equipe brasileira na abertura e encerramento dos jogos (Foto: COB)

O capacete de Lucas traz a inscrição “Vamos Dançar” (Foto: Instagram @pinheiiiroo)

O esquiador e a atriz paraibana Isadora Cruz se conheceram em Nova York e começaram a namorar em junho de 2025 (Foto: Instagram @pinheiiiroo)

Filho de pai norueguês e mãe brasileira, de São Paulo, Lucas passou a infância entre a Noruega e o Brasil (Foto: Instagram @pinheiiiroo)

Lucas conquistou o lugar mais alto do pódio da categoria Slalom Gigante ao fechar as duas descidas com o 2min25s, 0s58 à frente do segundo colocado, o suíço Marco Odermatt (Foto: Instagram @pinheiiiroo)

Nascido em Oslo, capital da Noruega, ele chegou a competir com as cores vermelho, branco e azul nos primeiros anos de carreira — inclusive defendendo o país nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2022. Porém, um desentendimento com a federação local fez Braathen anunciar sua aposentadoria precoce.

Aos 23 anos, ele afirmou que a decisão foi motivada por divergências com a federação norueguesa, especialmente relacionadas à exposição de patrocinadores, regras de vestimenta e participação em eventos.

Após um período de férias em Ilhabela, no litoral paulista, decidiu “trocar” o Braathen, herdado do pai, seu grande incentivador a praticar esqui, pelo Pinheiro da família materna.

A ligação com o Brasil não é algo distante e aleatório. Ele chegou a viver em São Paulo após o divórcio dos pais. Além de primos na capital paulista, seus avós moram em Campinas. Nesse período, jogou futebol e sonhava ser um craque de bola. Mas, aos nove anos, retornou ao seu país de nascimento e seguiu a orientação paterna no esqui. Aos 24 anos, passou a vestir e representar o verde-amarelo.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista ao NeoFeed:

Depois que você ganhou o ouro olímpico, a “marca” Lucas Pinheiro Braathen pode estar valendo mais de um bilhão de reais. Qual é a sua avaliação sobre esse grande número?
Rápido e direto? Eu não faço ideia. Porque, para mim, números, seja resultado esportivo, seja valor comercial da minha marca, são consequência. No fim das contas, tudo isso é reflexo de como eu estou conectado com o meu propósito e com os meus sonhos. Não tenho vergonha de dizer isso. Acho que tenho um valor que vai além das pistas. O que realmente tem potência para inspirar é a conversa que eu construo, os temas que eu trago, mesmo para quem não liga para o esporte.

Após se tornar um medalhista olímpico, você disse que as pessoas podem ser diferentes dependendo de onde vivem, mas que precisam acreditar no próprio poder. Isso vem de você ou alguém te ensinou?
Vem de viver a minha vida. Da diversidade da minha família. Minha mãe é de São Paulo e meu pai é de uma fazenda no interior da Noruega. São mundos completamente diferentes. Eu cresci entre países. Sempre senti essa falta de uma casa fixa. E isso me moldou muito. Ter duas perspectivas abriu a minha visão e alimentou a minha curiosidade. Como eu nunca me senti totalmente em casa em nenhum lugar, eu era sempre aquele que entrava num ambiente e precisava marcar presença. Isso desenvolve uma capacidade de confiar em quem você é, mesmo sendo diferente. E isso, para mim, é fundamental para seguir sonhos.

“Nunca me senti totalmente em casa em nenhum lugar, eu era sempre aquele que entrava num ambiente e precisava marcar presença. Isso desenvolve uma capacidade de confiar em quem você é, mesmo sendo diferente”

Quando você muda de país, a sua casa passa a ser você mesmo. É isso?
Exatamente. Você cresce até perceber que a casa verdadeira está dentro de você. Como atleta, isso é muito significativo. O resultado esportivo é só o reflexo de como eu estou por dentro, do quanto estou conectado com o meu propósito, algo mais profundo do que medalhas ou estatísticas. Por isso eu acho importante não deixar que as opiniões dos outros liderem sua vida. Você precisa seguir sua intuição, seu coração. É nesse estado que você realmente realiza seus sonhos.

Hoje, onde você mora?
Tenho um apartamento em Innsbruck, na Áustria, que é minha base. Também tenho um apartamento em Milão, há cerca de um ano e meio, e uma base no Brasil. Mas, na prática, vivo muito em hotéis, competindo.

Por que você criou a Octo, uma marca de beleza?
Digo que é saúde. Porque saúde é beleza. A parte criativa nasce em Milão. Os ingredientes vêm da Amazônia. Como eu sempre vivi em movimento, viajando, achar equilíbrio nunca foi simples. E saúde é a base de tudo, da minha felicidade e da minha profissão. Muitas marcas falam que você precisa de vários produtos. Mas isso não funciona quando você vive de mala pronta. Então a ideia foi criar simplicidade com riqueza, um produto só, com oito ingredientes.

Como o produto foi desenvolvido?
Estudamos o microbioma de populações na Amazônia e comparamos com o nosso, urbano. A partir disso, encontramos ingredientes específicos e desenvolvemos o creme. O nome Octo vem dos oito ingredientes e também do símbolo do infinito, conexão contínua com a terra e com a saúde.

A sua decisão de sair da equipe da Noruega e competir pelo Brasil teve relação com o business?
Foi muito mais sobre identidade e propósito do que comercial. Eu precisava estar alinhado com quem eu sou, com a minha história. Quando você está conectado com isso, as decisões fazem sentido dentro e fora do esporte.

É verdade que você criou uma fundação?
Sim, a Luci Foundation. É um dos projetos mais importantes da minha vida. Foi criada para ajudar crianças que não têm recursos financeiros para praticar esportes. Hoje, com essa medalha, eu me sinto numa posição em que posso ampliar esse impacto no Brasil. Tenho muito orgulho de que isso possa gerar valor para a sociedade brasileira. Quero levar a fundação para o Brasil e ajudar o país a crescer com mais acesso e inclusão.



Fonte ==> NEOFEED

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