Notícias para investidores e dúvidas para pagadores de boleto – 24/01/2026 – Alexandra Moraes – Ombudsman

Caricatura Dias Toffoli, Ministro do Supremo Tribunal Federal, com cabelo e barba grisalhos, veste camisa florida, bermuda vermelha e casaco preto. Ele está amarrado por um cordão vermelho que conecta seu tornozelo a uma estaca fincada no chão, sobre fundo azul claro.

“Quero injustiça”, dizia um dos cartazes do protesto virtual contra as mudanças no chat da plataforma de jogos Roblox. Enquanto o protesto viralizava, outros setores da sociedade assistiam, atônitos, ao desenrolar do caso Master, aos detalhes sobre o resort Tayayá e à liquidação de mais uma instituição financeira.

Um juiz do Amazonas também achou que o momento era propício para censurar uma reportagem da Folha. (O Estado enfatizou a ligação com o Master: “Juiz do AM censura reportagem da Folha sobre projeto ligado ao banco Master”; a Folha resumiu a questão a uma “reportagem sobre diretor do Incra”.)

O Will Bank usava “bank” no nome, mas para o Banco Central era “Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A”.

A liquidação do Will pode parecer coisa menor nos valores (não é), mas falta mostrar direito a quem e como ela afeta. Textos sobre a instituição informavam que seu foco eram consumidores de baixa renda e que haveria 12 milhões de clientes, mas pouco disso aparecia nas reportagens.

Após apontamento na crítica interna, a Folha chegou a noticiar que “clientes do Will Bank reclamam de falta de dinheiro para pagar contas”. A preocupação, porém, ficou esquecida na cobertura. Enquanto se alardeavam as garantias a serem pagas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que “estima em cerca de R$ 6,3 bilhões o valor a ser desembolsado para investidores elegíveis do Will Bank”, há um contingente que perdeu dinheiro do dia a dia e ainda está acumulando juros de pagamentos atrasados.

O Jornal Nacional era um dos poucos a informar que os “clientes do Will Bank que não tinham investimentos estão fora do ressarcimento do FGC; devolução vai ser feita pelo próprio banco”.

A princípio, a explicação dada pela Folha e pela quase totalidade dos sites e jornais incluía o ressarcimento das contas-correntes pelo FGC. A dúvida permanece.

Segundo o JN, o que o Will oferecia não eram contas-correntes. “Como a Will era uma financeira, não oferecia conta-corrente e sim conta de pagamento pré-paga. Nessa modalidade, a Will era obrigada a depositar diariamente o dinheiro em uma conta dela no Banco Central. Com isso, o ressarcimento não será feito pelo FGC e sim pela própria Will, usando esses recursos depositados no BC. E, pelas regras, não há limite de valor por cliente. Mas para receber o dinheiro de volta, o titular da conta de pagamento deve esperar as instruções que serão divulgadas pelo liquidante.”

As queixas nas redes e no Reclame Aqui dão mostra do tamanho do pepino, e há muito a ser esclarecido. A situação contrasta com a profusão de “entendas” sobre o ressarcimento para quem acreditou nos CDBs do Master.

Faltou clareza também ao informar que o Banco Central mandou o BRB fazer “provisionamento” de R$ 2,6 bilhões para cobrir a fraude do Master. Não seria mais claro informar algo como “mandou reservar dinheiro”, ainda mais em caso de banco público? Escândalos dessa magnitude deveriam ser expostos em termos rigorosamente claros.

Em paralelo a tudo isso, o Estado conseguiu filmar a cunhada do ministro do STF Dias Toffoli explicando um pouco sobre a vida e o patrimônio da família. O Metrópoles exibiu um vídeo em que o banqueiro do BTG André Esteves chega de helicóptero ao resort Tayayá e é recebido por Toffoli, numa cena não muito distante de “A Ilha da Fantasia”.

O mesmo Metrópoles deu destaque ao “minicassino” encontrado no resort (a Folha foi ao local e também achou o espaço, mas demorou um pouco mais a mostrá-lo e a detalhar como funcionaria). Faltou informar que os operadores da empresa responsável pelo minicassino estiveram na lista de convocados pela CPI das Bets, que deu em nada.

A Folha também acabou reservando pouco destaque à decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar pedido de parlamentares para que fosse reconhecido o impedimento de Toffoli no caso Master. Já o ministro Edson Fachin lançou a carta da “defesa da democracia” em favor do colega, e ao menos isso recebeu um pouco mais de atenção.

Notícias sobre o escritório Barci de Moraes andaram apagadas diante do Tayayá Gate, mas O Globo informou, na terça (21), que a banca da “mulher de Alexandre de Moraes atua em caso sigiloso enviado para Toffoli”. O Estado confirmou que Viviane Barci de Moraes “aparece como representante do Master em um processo que investiga o empresário Nelson Tanure por crimes contra o mercado de capitais”.

Em depoimento à Polícia Federal divulgado no final da semana, Vorcaro afirmou que “queria só dizer o seguinte”: “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso”. Falta explicar isso também.



Fonte ==> Folha SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *