O futuro do mercado de planos de saúde pet no Brasil e no mundo

Ilustração editorial sobre o futuro dos planos de saúde pet no Brasil e no cenário global, com gráficos de crescimento, ícones de saúde animal e destaque visual para o mercado pet em expansão.
O mercado de planos de saúde pet avança no Brasil e no mundo, impulsionado pela humanização dos animais, pela profissionalização da medicina veterinária e pela mudança no perfil dos tutores, que passam a enxergar o cuidado pet como planejamento de longo prazo.

O mercado de planos de saúde pet segue impulsionado por mudanças demográficas, transformações culturais e avanços no ecossistema de serviços veterinários. O setor deixa de ser um produto acessório para ocupar um espaço estratégico na vida das famílias contemporâneas e no planejamento de longo prazo das empresas do setor pet.

O setor global denominado “pet insurance” (planos de saúde para animais de estimação), vive um período de expansão acelerada, registrando crescimentos anuais na casa dos dois dígitos. Esse fenômeno é liderado por nações com tradição no setor securitário. Atualmente avaliado em USD 15,81 bilhões, o mercado deve saltar para USD 25,97 bilhões até o final de 2030, sustentando uma taxa de crescimento anual composta (TCAC) de 10,44%.

Segundo dados da Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), o Brasil conta com aproximadamente 170 milhões de pets (sendo 100 milhões de cães e gatos), o que coloca o país entre os maiores mercados do mundo. A projeção de faturamento para 2026 é de R$ 80 bilhões, com destaque alimentação, serviços veterinários e cuidados especializados. Com base nessas informações, é correto afirmar que setor se tornou uma das melhores oportunidades de investimento para comercialização de produtos e serviços.

No Brasil, embora o setor ainda seja jovem, o crescimento é acelerado, por três fatores principais, como o aumento do custo da medicina veterinária, maior longevidade dos pets e a mudança no perfil do tutor. Este movimento cria uma janela rara com um mercado ainda em formação, mas com consumidores cada vez mais sofisticados. “É um mercado com muito potencial, com cerca de 1% de penetração e deve chegar a 5 milhões de pets cobertos nos próximos três anos. Como está descrito em nosso propósito, queremos democratizar o acesso a saúde e cuidados pet de qualidade”, comentou Luiz Gênova, CEO da APet, uma das principais operadoras do Brasil.

Os pets deixaram de ser apenas “bichos de estimação”. Hoje, eles ocupam o lugar de membros da família. Essa transformação emocional tem reflexo direto no consumo. O perfil redefine expectativas, modelos de negócios e níveis de exigência. É o que explica Luiz Gênova, “Nesse novo cenário, não basta oferecer cobertura, é preciso entregar confiança, clareza, segurança e uma experiência encantadora e que faça sentido para o tutor e do pet. Na APet, escolhemos seguir um caminho que acreditamos ser sustentável no longo prazo, oferecendo diferenciais, como livre escolha, tele consulta pet, tag localizadora e jornada de compra e reembolso digital, simples e fluída, sempre com preços que cabem no bolso, com excelência técnica e solidez econômica.”

Eficiência, controle e experiência

A verticalização surge como um novo cenário do setor. Grupos que integram os planos de saúde com clínicas próprias, hospitais, laboratórios, telemedicina e canais digitais e buscam reduzir custos assistenciais, padronizar protocolos de atendimento, melhorar previsibilidade financeira e entregar uma experiência mais consistente ao tutor

Porém, Luiz Gênova alerta que ainda há pontos de atenção e risco, principalmente em relação à experiência do tutor e para a rede credenciada. “O desafio está em escalar mantendo empatia, transparência e qualidade clínica especialmente em um setor onde decisões envolvem afeto, urgência e, muitas vezes, o luto. “Quando uma operadora verticalizada passa a abrir unidades próprias em regiões onde já existem clínicas parceiras e surge um conflito. Pode haver descredenciamento, concentração dos atendimentos e redução da renda recorrente de clínicas independentes. Isso também pode afetar diretamente os tutores que ficam sem opção de escolha e amarrados à estrutura vertical do plano, deixando de ser atendidos pelo veterinário de confiança. ‘’Sem falar dos riscos relacionados à transparência de coberturas, critérios de autorização, protocolos clínicos e negativas de procedimentos’’, acrescenta.

Empresas que não entenderem a dimensão emocional tendem a perder relevância, mesmo com preços competitivos. Há também uma mudança importante no comportamento de consumo: o tutor moderno planeja. Ele entende prevenção, vacinação, acompanhamento contínuo e custo de longo prazo.

O plano deixa de ser apenas uma proteção contra emergências e passa a ser um instrumento de cuidado contínuo.  As gerações Millennials e Gen Z já representam importante fatia dos novos tutores urbanos. Essas gerações postergam filhos, vivem mais tempo sozinhas, priorizam experiências e valorizam marcas com propósito

Para elas, contratar um plano de saúde pet é tão natural quanto assinar um streaming — desde que a experiência seja digital, transparente e alinhada a valores como ética, sustentabilidade e bem-estar animal. O futuro do mercado de planos de saúde pet aponta para a consolidação e fusões, uma possível regulamentação, o uso intensivo de dados e IA para precificação, atendimento e prevenção, a integração com ecossistemas de serviços pet, e o foco crescente em experiência do cliente. Mais do que um produto financeiro, o plano de saúde pet caminha para se tornar uma plataforma de cuidado.

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