O que vem a seguir na Venezuela após a saída de Maduro do poder

O que vem a seguir na Venezuela após a saída de Maduro do poder

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A detenção de Nicolás Maduro e a subsequente declaração de Donald Trump sobre a administração dos Estados Unidos na Venezuela marcam um ponto de inflexão significativo na política da região. A promessa de que empresas americanas, especialmente do setor de petróleo, entrarão no país para revitalizar a economia é uma parte central da estratégia americana. No entanto, a história recente sugere que a transição para um novo governo pode ser mais complicada do que parece.

A experiência dos EUA em intervenções militares, como na Líbia, Iraque e Afeganistão, mostra que a remoção de um líder não garante a estabilidade ou a construção de um governo funcional. A maioria das estruturas de poder na Venezuela ainda permanece intacta, e a simples captura de Maduro não elimina os desafios políticos e sociais que o país enfrenta.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi detido e levado para os Estados Unidos, onde o procurador-geral americano anunciou que ele enfrentará acusações de tráfico de drogas e narcoterrorismo.

Mas se a captura e a remoção de Maduro levarão a uma mudança de regime no país latino-americano rico em petróleo ainda não está claro.

Em suas primeiras declarações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país vai administrar a Venezuela, mas não deu detalhes sobre como isso ocorrerá.

“Estamos lá agora e ficaremos até o momento em que uma transição apropriada aconteça. Vamos ficar até lá. Vamos governar o país, essencialmente, até que uma transição apropriada possa acontecer”, afirmou Trump.

Ao mesmo tempo, Trump deixou claro que empresas americanas vão entrar no país para mexer na estrutura do setor de petróleo. E, por mais de uma vez, mencionou que a Venezuela vai fazer muito dinheiro com a matéria-prima.

“Eles não estavam bombeando quase nada de petróleo, em comparação ao que poderiam bombear. Vamos levar nossas maiores companhias de petróleo dos EUA. Elas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura do petróleo e começar a fazer dinheiro para o país”, disse o presidente americano.

A Chevron, única petroleira americana que opera na Venezuela atualmente, é a companhia mais bem posicionada para se beneficiar desse novo cenário.

A história, no entanto, mostra que, nas últimas décadas, tem sido extremamente difícil ditar o futuro político de países estrangeiros pela força militar.

O governo Trump poderia ter aprendido essa lição com a Líbia, cujo governo ditatorial os EUA e seus aliados derrubaram em 2011. O país mergulhou no caos logo depois, infligindo sofrimento generalizado a seus cidadãos e criando problemas para seus vizinhos.

No caso da Venezuela, é improvável que os ataques militares americanos, por si só, sejam suficientes para minar fatalmente seu governo. Maduro pode ter saído do poder, mas a grande maioria do aparato governamental e militar do país permanece intacta.

Se o governo Trump sonha em estabelecer um governo estável e pró-americano em Caracas, terá que fazer mais do que apenas prender Maduro.

Promover uma mudança de regime duradoura normalmente envolve a ocupação do país com tropas terrestres e a realização de “construção nacional”. Os EUA tentaram isso com resultados decididamente mistos no Iraque e no Afeganistão.

Em quase nenhuma intervenção militar recente dos EUA, o governo americano se propôs a construir nações desde o início. A necessidade percebida de conduzir um novo governo à existência geralmente só surge quando os limites do que pode ser alcançado apenas pela força militar se tornam evidentes.

A guerra no Afeganistão, por exemplo, começou como uma guerra de vingança pelos ataques terroristas aos EUA em 11 de setembro de 2001. A questão transformou-se em um compromisso de reconstrução nacional de 20 anos.

No Iraque, o governo Bush acreditava que poderia depor Saddam Hussein e sair em poucos meses. Os EUA acabaram ficando por quase uma década.

É difícil imaginar Trump seguindo o mesmo caminho, até porque ele sempre retratou a reconstrução nacional como um desperdício de vidas e recursos americanos.

Mas isso ainda o deixa sem uma maneira plausível de alcançar os resultados políticos divergentes que ele, seus apoiadores e o establishment da política externa americana desejam com as ferramentas que têm à disposição.

Enquanto isso, o presidente dos EUA enfrentará pressão de diversos grupos, desde republicanos linha-dura até eleitores hispânicos conservadores, para forçar uma mudança radical de regime na Venezuela.

A forma como Trump responder a essa pressão determinará o futuro da política externa americana em relação ao país.

(Com informações do The Conversation)



Fonte ==> NEOFEED

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