Ouro perde “brilho” com a guerra e pode ter maior queda desde 2008

ouro recorde

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O ouro, tradicionalmente considerado um ativo seguro em crises, enfrenta uma queda significativa após registrar altas recordes. Em março, o metal caiu mais de 13%, com uma expectativa de recuo de 14,6% ao final do mês, a maior queda desde 2008. Fatores como a alta do dólar, aumento da inflação e juros, além da guerra no Irã, impactam negativamente sua cotação. A relação inversa entre o ouro e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também contribui para essa volatilidade.

Investidores estão liquidando posições lucrativas, buscando cobrir perdas em outras áreas ou mantendo dinheiro em caixa. Apesar da recente instabilidade, o Goldman Sachs projeta uma recuperação do ouro, prevendo que ele possa alcançar US$ 5.400 por onça até 2026, impulsionado por tensões geopolíticas que podem aumentar a demanda pelo metal.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Eternamente visto como o último ativo de refúgio seguro em tempos de crises econômicas, o ouro acumulou seguidas altas recordes desde o ano passado – com a turbulência gerada pela política tarifária do presidente americano Donald Trump mesclada com a perspectiva de queda de juros nos EUA -, mas agora enfrenta uma reversão de expectativa enquanto a guerra no Irã entra na quinta semana.

O metal até registrou uma leve alta de 1,6% na manhã de terça-feira, 31 de março, depois de o mercado de venda à vista fechar na segunda-feira, 30, com queda de mais de 13% neste mês, ou mais de US$ 700 por onça troy – o que levou bancos e consultorias financeiras a avaliarem a queda nas últimas semanas dos preços de vendas à vista como uma forte tendência de ser consolidada.

Com isso, o ouro caminha para fechar março com um recuo de 14,6% na sua cotação – o que representaria a maior queda mensal do metal desde outubro de 2008, quando os preços caíram 16,8%.

Uma conjunção de fatores ajuda a entender a trajetória de volatilidade do ouro e de outros metais preciosos, como prata, platina e paládio. O primeiro deles é a relação inversa que o ouro mantém em relação aos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e ao dólar americano – quando estes sobem, o que tem ocorrido recentemente, a cotação da onça troy costuma baixar.

Outros dois fatores estão tendo um grande peso nessa tendência. A guerra no Irã está causando a alta dos preços do petróleo e do gás, aumentando as expectativas de um pico inflacionário em todas as economias, o que pode levar a uma série de aumentos nas taxas de juros.

Essa perspectiva pressiona os preços do ouro porque ele costuma ter um bom desempenho quando as taxas de juros estão baixas e o custo de oportunidade de manter o metal é baixo. Quando as taxas estão mais altas, os investidores tendem a se desfazer do ouro em favor de outros ativos, como títulos do Tesouro, que oferecem renda estável.

Antes da guerra, os mercados financeiros esperavam dois cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA. Hoje, o mercado não precifica nenhum afrouxamento monetário este ano. Os investidores observaram uma dinâmica semelhante em 2022, quando a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia levou a uma alta nos preços da energia, alimentando a inflação. O ouro caiu durante sete meses consecutivos, entre abril e outubro daquele ano.

Venda de carteira

Além disso, as quedas do ouro talvez também tenham sido exacerbadas pela força do preço da onça troy  no início de 2026 e possivelmente por um desejo entre os investidores de liquidar posições lucrativas.

Considerando a forte alta nos preços do ouro e da prata nos últimos dois anos, alguns investidores podem estar realizando seus lucros para cobrir perdas em outras partes de suas carteiras. Outros podem estar querendo manter dinheiro em caixa devido ao fortalecimento do dólar ou buscar investimentos mais atraentes, como ações do setor de energia.

“As necessidades de liquidez em outros setores estão superando o prêmio de risco geopolítico no ouro”, avalia Suki Cooper, chefe global de pesquisa de commodities do Standard Chartered, banco britânico presente em 60 países, incluindo o Brasil.

Para se ter uma ideia do sobe-desce do preço do ouro, a cotação recorde de US$ 5.416 da onça troy foi estabelecida em 28 de janeiro, em meio a trajetórias constantes de alta desde o segundo semestre de 2025. Depois de ultrapassar a barreira histórica de US$ 5 mil por onça troy, o ouro entrou em rota de queda até atingir a cotação mínima de US$ 4.379 na semana passada.

O Goldman Sachs, porém, mantém uma visão otimista para o mercado de ouro, apesar da recente volatilidade, projetando que o metal pode alcançar US$ 5.400 por onça até o fim de 2026. Em nota a clientes, os analistas do banco reconhecem riscos negativos no curto prazo, especialmente devido à vulnerabilidade do ouro a novas liquidações em meio à persistente tensão no Estreito de Ormuz.

“Contudo, no médio prazo, estamos prevendo riscos inclinados para cima, avaliando que episódios geopolíticos recentes — como o conflito envolvendo o Irã e tensões em regiões como Groenlândia e Venezuela — podem acelerar a busca por proteção e reforçar a demanda pelo metal”, diz o relatório do Goldman Sachs.

Ou seja, o banco ressalta que sua previsão assume ausência de novas vendas relevantes do setor privado e estabilidade na diversificação privada, mantendo o ouro como um dos ativos mais resilientes em um ambiente global de incertezas.



Fonte ==> NEOFEED

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