“Nossas grandes petrolíferas vão entrar e fazer dinheiro.” A sinceridade de Donald Trump é escandalosa. Sinceridade que se confunde com arrogância e desconexão. No show midiático, é difícil distinguir uma das outras.
Logo após a invasão da Venezuela e a abdução de Maduro, planejadas por meses e provavelmente com ajuda interna, o perfil da Casa Branca publicou no Instagram uma imagem de Trump com a sigla FAFO, que significa “fuck around and find out” (em tradução livre, “quem mexe com a gente se ferra”).
É um recado chulo para todo o planeta, em especial a América Latina —que, pela doutrina intervencionista, não passa de um quintalzão. Com a Venezuela encaçapada, a bola da vez é Cuba. Mas o taco pode espirrar, atingindo a Colômbia e o Brasil, para delírio da ultradireita golpista e representantes do “bolsonarismo moderado”, que, após o fracasso da chantagem tarifária, haviam escondido o boné MAGA no armário.
Fanfarrão e covarde, Maduro, no auge da crise, sugeriu abandonar o país desde que ganhasse anistia total. Nas palavras do presidente dos Estados Unidos, ele era um “ditador ilegítimo”. A definição abre o leque para a existência de “ditadores legítimos”, pois não?
É a categoria onde Trump se encaixa, ao passar por cima das hierarquias internacionais e da Constituição americana. O secretário Marco Rubio, na ânsia de puxar-lhe o saco, o definiu: um homem de ação, que executa o que promete, ignorando limites e legalidades.
Maduro, de acordo com o governo trumpista, fazia um bico como narcoterrorista. No pronunciamento de Mar-a-Largo, Trump quase não tocou no assunto drogas. A conversa praticamente se resumiu a petróleo, a palavra mais citada: “Vamos tomar o petróleo de volta”. Não se falou em democracia ou liberdade para o povo venezuelano.
Trump desprezou a oposição no exílio e garantiu que vai “administrar” a Venezuela. Eleita na fraude de 2024, a vice Delcy Rodriguez já ocupou a cadeira de Maduro, com aval do generalato. Continua o chavismo, mas sem o petróleo?
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Fonte ==> Folha SP

