Existe um tipo de violência que não faz barulho, não deixa marcas visíveis e raramente vira pauta pública. Ela não acontece nos corredores escuros, mas nos ambientes mais iluminados. Não se manifesta em gritos, mas em sorrisos calculados. Não se apresenta como ataque direto, mas como ironia, exclusão e deslegitimação constante. Esse fenômeno tem nome: wollyng.
O wollyng é um conceito já reconhecido em estudos sobre comportamento organizacional e dinâmicas de poder no ambiente corporativo. O termo descreve a intimidação, a agressão psicológica e a deslegitimação simbólica praticadas por mulheres contra outras mulheres, de forma silenciosa, sofisticada e recorrente.
Wollyng não é bullying. É mais sofisticado, e justamente por isso, mais perigoso.
Diferente do bullying clássico, o wollyng não se manifesta por ataques diretos. Ele opera no campo da reputação. A violência não é explícita, mas constante. Não há confronto aberto, mas há desgaste contínuo. O objetivo não é humilhar publicamente de uma vez, mas enfraquecer a credibilidade da outra ao longo do tempo.
Não se trata de rivalidade pessoal. Trata-se de disputa de território reputacional.
O wollyng se expressa por meio de exclusão estratégica, ironias públicas disfarçadas de brincadeira, elogios que diminuem, questionamentos repetidos sobre competência, silêncios seletivos e isolamento simbólico. São práticas sutis, difíceis de provar, mas extremamente eficazes na erosão da imagem profissional.
O que torna o wollyng especialmente relevante no debate atual é sua relação direta com a gestão de reputação. Em ambientes onde visibilidade, prestígio e legitimidade são recursos escassos, a intimidação silenciosa passa a funcionar como instrumento de proteção de território simbólico. Não é conflito emocional. É cálculo. Não é impulso. É estratégia.
Por isso o wollyng raramente é percebido como violência. Ele se disfarça de normalidade. Quem sofre costuma hesitar em reagir, porque a agressão não é clara o suficiente para virar denúncia, mas é constante o bastante para gerar insegurança, retração e desgaste de imagem. Quem pratica se apoia exatamente nessa zona cinzenta, onde nada é explícito, mas tudo é sentido.
O discurso público sobre sororidade e apoio feminino é importante e necessário. Mas ignorar o wollyng em nome dessa narrativa cria um efeito colateral perigoso: normaliza práticas que corroem reputações silenciosamente, enquanto preserva a aparência de ambientes saudáveis.
É importante dizer: reconhecer o wollyng não transforma mulheres em vilãs nem homens em espectadores inocentes. Trata-se de um comportamento aprendido em ambientes altamente competitivos, onde o jogo reputacional é duro e as regras são implícitas. O problema começa quando esse comportamento se naturaliza, se torna linguagem e passa a ser tratado como “parte do jogo”.
Não deveria ser.

Reputação saudável se constrói com trajetória, não com sabotagem silenciosa. Com entrega, não com desgaste alheio. Ambientes que toleram wollyng não se tornam mais fortes. Tornam-se mais pobres, mais inseguros e menos inovadores.
Trazer esse tema à luz não é criar divisão. É dar nome a um padrão que já existe. Porque aquilo que não é nomeado se repete. E aquilo que não é discutido continua operando no escuro.
O impacto do wollyng vai além do emocional. Ele afeta oportunidades, convites, visibilidade e permanência. Não destrói carreiras de forma abrupta. Desgasta aos poucos, até que a mulher alvo passe a ser vista como “difícil”, “problemática” ou “menos preparada”, rótulos quase sempre descolados de fatos objetivos.
No fim, a lógica é simples:
intimidação silenciosa também constrói reputação, só que negativa.
E quando ela vira estratégia, o custo não é apenas individual. É coletivo.
PODCAST

2. Quais estratégias silenciosas são utilizadas para deslegitimar a competência profissional entre mulheres?
3. Como a normalização dessa violência simbólica impacta a carreira e o ambiente coletivo?

