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A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da operação “Compliance Zero”, resultando na prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e revelando um grupo de mensagens chamado “A Turma”, onde ele ordenava ameaças e intimidações a opositores e jornalistas. As investigações apuram crimes como ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro, com Vorcaro utilizando a estrutura para monitorar adversários e obter informações sigilosas.
Em mensagens, ele ordenou um assalto ao jornalista Lauro Jardim e ameaçou uma empregada chamada Monique. O esquema criminoso envolvia quatro núcleos: financeiro, corrupção institucional, ocultação patrimonial e um de intimidação. A PF investiga ainda o uso de funcionários do Banco Central para informar Vorcaro sobre ações regulatórias. Ele já havia sido preso anteriormente por fraudes estimadas em R$ 12 bilhões, levando à liquidação de seu banco.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – Em mais um capítulo dos escândalos envolvendo o caso Master, a Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 4 de março, a terceira fase da operação “Compliance Zero”, que prendeu novamente Daniel Vorcaro e trouxe à tona um grupo de mensagens por meio do qual o banqueiro mandava ameaçar ou intimidar opositores.
As investigações da PF apuram a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
A operação também revelou uma estrutura chamada de “A Turma”, por meio da qual Vorcaro dava ordens para intimidações, perseguições e monitoramento ilegal de possíveis opositores ou considerados adversários, além da obtenção de informações sigilosas de órgãos como Polícia Federal, Ministério Público Federal e até mesmo do FBI.
Em uma das conversas, revelada na decisão de Mendonça, Vorcaro determina simular um assalto ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após a publicação de notícias contrárias ao banqueiro e seus negócios. “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”
Após Vorcaro pedir para “quebrar os dentes” do jornalista, Mourão responde com dois símbolos de sinal positivo, sinalizando portanto que “sim”. Na sequência, o mesmo Mourão ainda responde: “Estamos em cima de todos os links negativos vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”, afirmou em referência a possíveis notícias relacionadas ao caso Master e a Vorcaro.
Em outra ameaça, que consta das mensagens desse grupo de celular, Vorcaro ordena a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão – conhecido como “Felipe Mourão”, seu encarregado de operacionalizar essa rede de vigilância privada de desafetos e opositores – que investigue até uma empregada de nome Monique.
“DV [Daniel Vorcaro]: Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.” E pede para que Mourão puxe “endereço, tudo” de sua empregada.
A decisão de Mendonça ainda traz mensagens de WhatsApp enviadas por Fabiano Zettel a Vorcaro sobre o pagamento a um servidor do BC, Belline Santana, que era chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Zettel pergunta a Vorcaro: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”. O banqueiro autoriza. E ainda em outro texto, Zettel volta a Vorcaro: ““Belline cobrando. Paga?”. Vorcaro então responde: “Claro”.
A operação policial foi determinada por decisão do ministro André Mendonça, novo relator no Supremo Tribunal Federal (STF), após Dias Toffoli abandonar o caso Master. O cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, também foi alvo de mandado de prisão, mas ainda não foi encontrado.
De acordo com os achados da PF, o esquema era formado por quatro núcleos principais de atuação: o financeiro, que estruturava fraudes contra o sistema financeiro; o núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; um núcleo de “ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas”; e um último de “intimidação e obstrução de Justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
A PF também investiga o suposto uso de funcionários do Banco Central para informar Vorcaro sobre ações regulatórias da autoridade monetária relacionadas ao caso. O banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, após suposto esquema envolvendo fraudes estimadas em R$ 12 bilhões entre o Master e o BRB. Posteriormente, seu banco foi liquidado pelo BC.
“As investigações também apontam que DANIEL BUENO VORCARO manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise prévia”, diz trecho da decisão de Mendonça.
(Texto em atualização)
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