A obra Mulheres no Combate ao WOLLYING, lançada durante eventos realizados na 70ª Comissão sobre o Status da Mulher das Nações Unidas (CSW70), transforma relatos femininos em uma profunda reflexão social, emocional e jurídica sobre uma violência ainda invisível.
Idealizada pelo Instituto “Quais de Mim Você Procura”, sob a liderança de Katia Teixeira, a obra reúne mais de cinquenta mulheres em uma escrita coletiva marcada por experiências humanas intensas, dores silenciosas e reflexões necessárias sobre relações femininas fragilizadas pela competição destrutiva, pela exclusão emocional e pela desvalorização velada da dignidade da mulher.
O termo Wollying — originado da junção entre as palavras Woman e Bullying — surge como expressão contemporânea de uma violência silenciosa praticada entre mulheres, muitas vezes invisibilizada socialmente por não deixar marcas físicas aparentes, mas profundamente capaz de comprometer a autoestima, a estabilidade emocional, a reputação, os vínculos sociais e até mesmo a trajetória profissional de inúmeras mulheres.
Embora ainda não exista tipificação jurídica específica para o fenômeno, a discussão proposta pela obra inaugura um importante espaço de reflexão sobre os limites éticos das relações humanas e os impactos jurídicos decorrentes da violência psicológica, moral e simbólica exercida de forma reiterada e silenciosa.
Em tempos nos quais a dignidade da pessoa humana ocupa posição central nos sistemas constitucionais contemporâneos, torna-se impossível ignorar práticas que promovem humilhação emocional, isolamento social intencional, descredibilização pública, sabotagem relacional e destruição subjetiva da identidade feminina.
A violência nem sempre se apresenta por meio da agressão explícita. Em muitas ocasiões, ela se manifesta no silêncio que exclui, na palavra que inferioriza, na omissão que humilha e na tentativa constante de apagar o brilho da outra mulher para impedir seu crescimento pessoal, profissional ou emocional.
O mais inquietante é que o Wollying frequentemente se desenvolve em ambientes sociais, profissionais e institucionais nos quais se esperaria acolhimento, apoio mútuo e sororidade. Quando isso acontece, os danos emocionais ultrapassam o sofrimento individual e passam a atingir a própria estrutura das relações humanas, produzindo insegurança, adoecimento psíquico e ruptura da confiança feminina coletiva.
Ao transformar vivências dolorosas em literatura, a obra não propõe enfrentamentos entre mulheres, tampouco estimula discursos de hostilidade. Ao contrário. Seu maior mérito talvez esteja justamente na capacidade de transformar dor em consciência, sofrimento em reflexão e silêncio em diálogo civilizatório.
A presença de depoimentos masculinos nas páginas finais da obra reforça, inclusive, uma importante mensagem contemporânea: a defesa da dignidade feminina não exclui homens conscientes e comprometidos com relações mais éticas, respeitosas e humanas. Trata-se de uma construção coletiva em favor da preservação emocional da mulher e do fortalecimento de uma cultura de paz.
Prefaciada por Katia Teixeira, a obra conta ainda com dois posfácios: Inspiração, Respeito e Compromisso na Trajetória das Mulheres, assinado por Célia Rizzante Silva, e Herança de Paz, Legado de Amor, escrito por Myrinha Vasconcellos. Ambos ampliam a reflexão proposta pela obra sobre dignidade feminina, consciência social e preservação emocional das mulheres..
Mais do que um livro, Mulheres no Combate ao WOLLYING transforma-se em um convite à consciência coletiva. Porque algumas violências não deixam hematomas visíveis — mas deixam mulheres emocionalmente feridas por muitos anos.
E talvez esteja justamente aí o maior desafio da sociedade contemporânea: reconhecer que preservar a dignidade emocional da mulher também é uma forma de proteger a própria humanidade.

