Trabalhar em diversos países me revelou uma realidade simples e profundamente transformadora: a maneira como as pessoas se comunicam, decidem e constroem confiança muda conforme o contexto cultural. Ao longo da minha trajetória, atuei na América Latina, no Oriente Médio, e no Sudeste Asiático — experiências que foram muito mais do que atividades realizadas em geografias diferentes: foram vivências que me fizeram crescer profissional e pessoalmente, com aprendizados que carrego para sempre.
Na América Latina, minha atuação em áreas estratégicas e de mercado exigiu constante atenção à forma como cada realidade funciona localmente. Aprendi na prática que qualquer estratégia só se sustenta quando dialoga com o ambiente: regras, prioridades dos envolvidos, dinâmica das equipes e até o modo como decisões são amadurecidas. Em vez de enxergar cada particularidade como um desvio do planejado, passei a ver essas diferenças como parte essencial do trabalho: observar, perguntar, ajustar e, sobretudo, alinhar expectativas com clareza.
À medida que assumi responsabilidades mais amplas, percebi que a diversidade cultural não se restringe ao mercado: ela permeia as relações e o próprio exercício da liderança. Em equipes formadas por referências distintas, o que se transforma não é apenas o idioma ou o estilo de comunicação, mas também a forma de lidar com conflitos, interpretar objetivos e organizar prioridades. Esse aprendizado me tornou mais paciente e atenta ao ouvir, e mais criteriosa ao planejar e executar.

Igor Viana Gomes
No Oriente Médio, os ganhos foram ainda mais profundos. Lidar com múltiplas realidades simultaneamente me levou a aprimorar minha prática de governança, comunicação e alinhamento entre áreas, entendendo que um modelo eficaz é aquele que faz sentido para quem o vivencia, e não apenas para quem o idealizou. Nesses contextos, a consistência se constrói com processos claros e uma liderança que aproxima e respeita a sensibilidade de cada local.
Já no Sudeste Asiático, confirmei algo que já vinha percebendo: a diversidade cultural amplia nosso repertório para encontrar soluções melhores. Em projetos de grande porte, a boa execução passa pela compreensão das relações humanas — pelo ritmo da convivência, pela confiança construída com o tempo e pela disposição de adaptar métodos ao cenário. Esse período me ensinou a ser mais flexível, a questionar premissas e a enxergar diferentes pontos de vista não como obstáculos, mas como parte do caminho.
De volta ao Brasil desde o começo de 2024, levo essa bagagem com clareza: continuo buscando resultados, mas sem perder de vista o ambiente em que as pessoas trabalham. As vivências internacionais me mostraram que um trabalho de qualidade não nasce apenas de metas e indicadores: ele também se fundamenta na cultura, na confiança para se expressar, no respeito às diferenças e numa liderança que sabe unir sem impor rigidez.
Por fim, essas experiências fortaleceram em mim tanto competência quanto integridade. Como profissional, ampliaram minha capacidade de liderar com clareza, planejar com cuidado e executar com solidez em cenários diversos. Como pessoa, me tornaram mais aberto ao diálogo, mais consciente das particularidades e convicto de que construir confiança é o caminho mais valioso.

