Brasil terá split payment mais amplo do mundo. Veja os riscos

Brasil terá split payment mais amplo do mundo. Veja os riscos

O Brasil está prestes a adotar um sistema de cobrança automática de impostos em escala sem precedentes, mudando a dinâmica financeira das empresas: parte do dinheiro de cada venda deixará de passar pelo caixa e será destinada diretamente aos tributos, reduzindo os recursos disponíveis para a operação.

No modelo chamado split payment, uma das principais inovações da reforma tributária, a parcela correspondente aos novos tributos sobre o consumo – a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) – será recolhida antes que o restante do pagamento chegue à empresa que vendeu um produto ou prestou um serviço.

Hoje, em muitas operações, as empresas recebem o valor integral da venda e permanecem com o dinheiro correspondente ao imposto até a data em que precisam recolhê-lo ao governo. Esse intervalo ajuda a financiar despesas do negócio.

O split payment é uma ferramenta já experimentada no exterior, mas o Brasil pretende aplicá-lo em escala muito maior. Outros países, em geral, limitaram mecanismos semelhantes a determinados setores, tipos de operação ou grupos de contribuintes. Aqui, a proposta é conectar a separação do imposto aos próprios meios de pagamento e, com o avanço da implantação, chegar a um número muito maior de transações.