O uro-oncologista Dr. Renato Mariano explica como novos medicamentos, cirurgia robótica e exames moleculares estão mudando a abordagem da doença

O câncer de bexiga músculo-invasivo é aquele que atinge a camada mais profunda do órgão. Por apresentar maior risco de disseminação, exige uma estratégia de tratamento mais agressiva.
Durante anos, a retirada da bexiga, geralmente associada à quimioterapia, foi a principal opção para esses pacientes. Atualmente, novas combinações de medicamentos permitem tratar o tumor antes e depois da cirurgia, com o objetivo de aumentar as chances de cura e reduzir o risco de a doença voltar.
“Hoje, não pensamos mais somente na cirurgia. O tratamento deve começar antes do procedimento e continuar depois, com estratégias definidas de acordo com as características do paciente e do tumor”, afirma o uro-oncologista Dr. Renato Mariano.
Entre as novidades estão as combinações de imunoterapia com medicamentos que atuam diretamente nas células tumorais. Quando administrados antes da cirurgia, esses tratamentos podem reduzir o tamanho do tumor e, em alguns casos, eliminar os sinais detectáveis da doença.
“Além de combater o tumor visível, a estratégia busca atingir possíveis células cancerígenas microscópicas que ainda não aparecem nos exames tradicionais”, explica o especialista.
A cistectomia radical, cirurgia para retirar a bexiga, continua sendo uma das principais formas de controlar a doença. A indicação e o planejamento do procedimento dependem das condições clínicas e das características de cada paciente.
A cirurgia robótica pode tornar o procedimento menos invasivo, com potencial para reduzir o trauma cirúrgico e facilitar a recuperação. Quando realizada por equipes experientes, apresenta resultados oncológicos e funcionais promissores.
“O robô é uma ferramenta, não o tratamento em si. O resultado depende da indicação correta, do planejamento e da experiência da equipe”, ressalta o Dr. Renato Mariano.
Outra tecnologia em desenvolvimento é a análise do DNA tumoral circulante, feita por meio de exames de sangue. Esse recurso pode identificar sinais moleculares de doença microscópica antes que ela apareça nos exames tradicionais.
A expectativa é que essa ferramenta ajude a definir quais pacientes podem se beneficiar de tratamentos adicionais e quais podem ser acompanhados com mais segurança.
“O objetivo não é tratar mais, mas oferecer a estratégia adequada para cada paciente”, afirma o médico.
A combinação de medicamentos modernos, cirurgia de precisão e exames moleculares reforça a tendência de personalizar o tratamento. Para o Dr. Renato Mariano, essa abordagem pode aumentar as chances de cura e contribuir para preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Sobre o Dr. Renato Mariano
Dr. Renato Mariano é urologista, com doutorado em câncer de bexiga pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP). Atua como assistente dos grupos de Uro-Oncologia do IAMSPE e da EPM/UNIFESP e integra o corpo clínico das redes Américas e D’Or, além do Hospital Israelita Albert Einstein.

