Evento é parte da The smarter E South America, maior aliança de feiras e congressos para o setor energético da América Latina
O debate sobre a adoção de sistemas de baterias para modernizar o sistema elétrico brasileiro entrou em uma nova etapa. Mais do que discutir sua necessidade, o desafio agora é definir como essa tecnologia será incorporada em larga escala no país. A expectativa é que 2026 marque um ponto de virada, impulsionado pela realização do primeiro leilão de reserva de capacidade voltado a essas soluções e pelos avanços regulatórios. Atenta a esse cenário, a ees South America reunirá, de 25 a 27 de agosto, em São Paulo, as principais novidades da indústria e promoverá debates sobre os temas que devem orientar o desenvolvimento desse mercado.
Embora conte com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, o Brasil também figura entre os países com maiores volumes de cortes de geração renovável (curtailment), provocados por restrições operativas do sistema. Para Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), o excesso de geração durante o dia e o déficit de potência à noite evidenciam a falta de flexibilidade do sistema elétrico brasileiro diante da expansão das fontes renováveis.
“O crescimento contínuo da geração distribuída demanda urgentemente a instalação rápida de soluções de armazenamento. Sem isso, o sistema elétrico enfrentará desafios cada vez maiores de operação. Nesse contexto, as baterias passam a ser um componente estratégico para promover essa flexibilização,” observa.
Sobre o potencial de crescimento do setor, Vlasits aponta que o armazenamento deve avançar em cinco grandes frentes: projetos de grande porte (utility scale), aplicações descentralizadas, sistemas isolados, transmissão e, no futuro, a integração entre veículos elétricos e rede elétrica. “Temos um potencial de mercado superior a R$ 80 bilhões nos próximos 8 ou 9 anos, e nossa próxima projeção já deve atingir a marca de três dígitos”, afirma.
Durante o congresso ees South America, Vlasits comandará o painel Flexibilidade, potência e serviços ancilares – O papel do BESS de grande porte no SIN, que discutirá como os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) de grande porte podem contribuir para a segurança, flexibilidade e eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN). A sessão, que acontece na quarta-feira (26), às 9h, abordará a importância do BESS no planejamento da expansão, nos leilões de capacidade, na prestação de serviços ancilares e na integração de fontes renováveis variáveis.
Um dos principais temas do painel, o leilão de reserva de capacidade representa um marco para o mercado brasileiro de baterias, ao atrair investidores, estimular a indústria e consolidar esse novo segmento. “Estamos falando de uma contratação da ordem de 4 GW de potência, correspondente a cerca de 16 GWh de capacidade de armazenamento, considerando sistemas com duração de quatro horas. Isso representa multiplicar por mais de dez vezes a capacidade instalada de armazenamento no país, com entrada em operação prevista para 2028 e investimentos superiores a R$ 10 bilhões”, afirma Fabio Monteiro Lima, diretor-executivo da ABSAE.
Para que esse potencial se concretize, a entidade defende um ambiente regulatório estável, previsível e isonômico, capaz de atrair investimentos de longo prazo e assegurar ampla competitividade.
Outro tema central para a consolidação desse mercado é o avanço da regulamentação. Na avaliação do presidente do conselho da ABSAE, ainda que tenha ocorrido de forma lenta, o processo tem avançado nos últimos meses. “A regulamentação do armazenamento é naturalmente mais complexa do que a de outras tecnologias, porque as baterias não se encaixam facilmente na divisão tradicional do setor elétrico. Dependendo da situação, elas podem consumir energia, armazená-la, fornecê-la ao sistema e prestar diversos serviços à rede, rompendo a lógica convencional que separa geração, transmissão, distribuição e consumo”, explica Vlasits.
Apesar dessa complexidade, o executivo afirma que o setor evoluiu com a publicação das primeiras resoluções específicas da Aneel e que o armazenamento passou a integrar a agenda prioritária dos órgãos responsáveis pelo planejamento e operação do sistema elétrico.
Paralelamente aos desafios regulatórios, o cenário favorável à expansão do armazenamento de energia cria oportunidades relevantes para a indústria nacional. Apresentado por Gabriella Reigada, membro do grupo de trabalho de comunicação da ABSAE, o painel Cadeias produtivas e industrialização – Inserção do Brasil na cadeia de valor do armazenamento de energia discutirá como o país pode combinar competitividade, segurança de abastecimento, desenvolvimento tecnológico e atração de investimentos para fortalecer sua participação nesse mercado.
O debate abordará oportunidades relacionadas a minerais estratégicos, componentes, montagem, fabricação de equipamentos, políticas industriais e instrumentos de incentivo para consolidar uma base industrial voltada às soluções de armazenamento.
A ees South America é parte da The smarter E South America, maior aliança de feiras e congressos para o setor energético da América Latina. Também integram o evento:
- Intersolar South America – principal feira da América Latina para energia solar fotovoltaica, reunindo toda a cadeia de valor do setor.
- Power2Drive South America – focada em infraestrutura de recarga e veículos elétricos, conectando eletromobilidade e inovação urbana.
- Eletrotec + EM Power South America – dedicada à infraestrutura elétrica e à gestão inteligente de energia em edifícios, bairros e redes.
Os links para visitação gratuita às feiras e aquisição de ingresso para os congressos estão disponíveis na página https://www.thesmartere.com.br/ingressos.
The smarter E South America
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Horário: 9h às 20h
Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo/SP
https://www.thesmartere.com.br/

