Há trajetórias profissionais construídas por vocação. Outras ganham sentido pela capacidade de atravessar gerações. Na história da médica Andréa Santos Sousa Soares, essas duas dimensões se encontram: a experiência acumulada no cuidado à saúde da mulher passou a dividir espaço com a produção científica realizada ao lado dos três filhos, todos estudantes de Medicina.
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Medicina Fetal pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), a Dra. Andréa vem participando de pesquisas voltadas a alguns dos principais desafios da assistência médica brasileira. Endometriose na adolescência, hemorragia pós-parto, sífilis congênita, abortamento, HIV/AIDS em mulheres, infarto em jovens e cânceres urológicos estão entre os temas estudados.
O que poderia ser apenas uma sequência de trabalhos acadêmicos adquiriu, para a médica, um significado particular: a oportunidade de produzir conhecimento com os próprios filhos e acompanhar de perto o início da trajetória profissional de cada um.
“Produzir conhecimento também é uma forma de cuidar. E poder fazer isso ao lado dos meus filhos tornou esse trabalho ainda mais especial”, afirmou a médica em um dos textos de apresentação de sua produção acadêmica.
Ciência voltada aos desafios da saúde da mulher
Parte dos estudos foi apresentada no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, realizado entre 27 e 30 de maio de 2026, em Belo Horizonte. Promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o encontro reuniu cerca de 4 mil congressistas, 341 palestrantes e 235 atividades científicas, segundo o balanço divulgado pela própria entidade. FEBRASGO
Entre os trabalhos apresentados está “Endometriose na adolescência: perfil e tendência das internações no Brasil”. A pesquisa chama a atenção para um problema ainda cercado por desinformação: a normalização da dor menstrual incapacitante entre meninas e adolescentes. O trabalho consta no catálogo oficial do CBGO 2026.
Cólicas que provocam faltas frequentes à escola, impedem atividades físicas ou obrigam a adolescente a permanecer deitada não devem ser tratadas automaticamente como uma característica normal da menstruação. A investigação precoce pode reduzir anos de sofrimento, permitir o controle da dor e melhorar a qualidade de vida.
Outro estudo, “Óbitos por hemorragia pós-parto no Brasil: perfil sociodemográfico e análise temporal (2015–2024)”, voltou-se a uma emergência obstétrica capaz de evoluir rapidamente e que exige reconhecimento e intervenção imediatos. O trabalho também está disponível no acervo científico do congresso.
A hemorragia pós-parto pode ocorrer tanto depois do parto vaginal quanto após uma cesariana. O estudo de seus padrões sociodemográficos ajuda a identificar grupos mais vulneráveis e a compreender onde existem falhas de acesso, prevenção e assistência.
“Mais do que números, cada óbito materno representa uma mulher, uma família e uma história”, escreveu a Dra. Andréa ao apresentar a pesquisa.
Prevenção antes do nascimento
A sífilis congênita também esteve entre os temas investigados. O estudo “Tendência temporal das internações por sífilis congênita no Brasil: análise epidemiológica” reforça a importância do diagnóstico durante o pré-natal, do tratamento adequado da gestante e do cuidado com suas parcerias sexuais. O trabalho integra a relação oficial de pesquisas do CBGO.
Quando não diagnosticada e tratada no momento adequado, a infecção pode ser transmitida ao bebê durante a gestação e provocar consequências graves. O tema evidencia que o pré-natal ultrapassa o acompanhamento do desenvolvimento fetal: ele constitui uma oportunidade decisiva para prevenir doenças, reduzir riscos e proteger simultaneamente a mãe e a criança.
Outras pesquisas apresentadas pela médica e seus filhos abordaram as desigualdades regionais nas internações relacionadas ao abortamento e o perfil da AIDS em mulheres em idade reprodutiva no Sudeste. Em comum, os trabalhos procuram interpretar dados epidemiológicos não apenas como estatísticas, mas como indicadores de acesso, ou da falta dele, aos serviços de saúde.
Uma família reunida pela pesquisa
A colaboração acadêmica não ficou restrita à Ginecologia e à Obstetrícia. Em 2025, mãe e filhos participaram de trabalhos apresentados no 16º Congresso Internacional de Uro-Oncologia, com análises sobre internações por câncer de bexiga e mortalidade por câncer de próstata.
O interesse por essa área nasceu, segundo a médica, da possibilidade de um dos filhos, Gabriel, seguir carreira na Urologia. A curiosidade dele mobilizou a família e deu origem a pesquisas em uma especialidade diferente daquela em que a mãe concentra sua prática clínica.
No mesmo ano, o grupo também participou de um estudo sobre hospitalizações e mortalidade por infarto agudo do miocárdio entre jovens brasileiros. O trabalho analisou pessoas de 15 a 24 anos e procurou ampliar a discussão sobre prevenção cardiovascular em uma faixa etária que, muitas vezes, não se percebe exposta ao problema.
Mais do que direcionar as escolhas profissionais dos filhos, a Dra. Andréa afirma procurar oferecer estímulo, experiência e liberdade para que cada um encontre o próprio caminho.
“Não sei ainda qual especialidade cada um escolherá no futuro, e essa decisão será inteiramente deles. Mas poder participar dessa fase, incentivando a curiosidade científica e o estudo, já é um grande privilégio”, declarou.
Cuidado feminino em diferentes fases da vida
Paralelamente à pesquisa, a Dra. Andréa desenvolve atuação clínica em Ginecologia, Obstetrícia, Medicina Fetal e gestação de alto risco. Recentemente, passou a integrar o atendimento do Instituto Kitamura, na unidade localizada nos Jardins, em São Paulo.
Seu trabalho envolve acompanhamento ginecológico, climatério, menopausa, métodos contraceptivos, procedimentos ginecológicos e cirúrgicos, além de cuidados relacionados à saúde íntima e à qualidade de vida feminina.
A chegada à nova unidade representa uma ampliação dessa trajetória: da assistência às gestantes ao acompanhamento de adolescentes e mulheres maduras, a prática clínica permanece conectada aos temas que também orientam sua produção científica.
Na medicina de Andréa Tomiazzi, pesquisa e atendimento não ocupam mundos separados. São partes de uma mesma proposta de cuidado, agora compartilhada com uma nova geração que começa a construir sua própria história.
Dra. Andréa Santos Sousa Soares Tomiazzi
Ginecologia, Obstetrícia e Medicina Fetal
CREMESP 129015 | RQE 33942
Instituto Kitamura — Unidade São Paulo
Rua Henrique Schaumann, 286, conjunto 44 — Jardins
Telefone: (11) 99939–0641
