Inclusão e acessibilidade ampliam demanda por profissionais especializados em comunicação para pessoas surdas

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13/07/2026

A inclusão de pessoas com deficiência tem avançado de forma significativa nos últimos anos, impulsionada por legislações mais robustas, iniciativas educacionais e uma crescente conscientização sobre a importância da acessibilidade. Ainda assim, especialistas apontam que um dos maiores desafios continua sendo a garantia efetiva do acesso à comunicação, especialmente para a comunidade surda, que frequentemente enfrenta barreiras em ambientes educacionais, institucionais e até mesmo em situações cotidianas.
Nesse cenário, os intérpretes de Libras assumem um papel cada vez mais estratégico. Muito além da tradução entre duas línguas, esses profissionais são responsáveis por garantir que informações, conteúdos e experiências possam ser acessados de forma plena por pessoas surdas em diferentes contextos sociais.
A expansão da educação inclusiva tem contribuído diretamente para o aumento da demanda por intérpretes qualificados. Com mais estudantes surdos ingressando em escolas, universidades, cursos de especialização e programas de pós-graduação, cresce também a necessidade de profissionais preparados para atuar em ambientes que exigem elevado domínio linguístico e conhecimento técnico.
Segundo especialistas da área, o desafio não está apenas em transmitir informações, mas em assegurar que o conteúdo seja compreendido dentro das especificidades culturais e linguísticas da comunidade surda. Em disciplinas técnicas, por exemplo, o intérprete precisa dominar terminologias específicas e adaptar conceitos complexos sem comprometer a qualidade da comunicação.
Com 14 anos de experiência na área, a intérprete de Libras Francielly Domingues acompanha de perto essa transformação. Sua trajetória inclui atuação em diferentes níveis educacionais, desde o ensino fundamental até programas de mestrado, além de experiências em congressos, seminários, eventos institucionais e ambientes religiosos. Na avaliação da especialista, a inclusão só acontece de forma efetiva quando a comunicação deixa de ser tratada como um detalhe e passa a ser vista como um direito fundamental. Segundo ela, “a acessibilidade não acontece apenas quando existe um intérprete no ambiente, mas quando há um compromisso verdadeiro em garantir que a pessoa surda participe de tudo o que está acontecendo”.
A necessidade de ampliar o acesso à educação tem sido uma das principais pautas discutidas por profissionais do setor. Em muitas instituições, a presença do intérprete representa a diferença entre participar plenamente de uma atividade ou permanecer à margem das oportunidades de aprendizagem.
Nos últimos anos, outro movimento também ganhou força: a ampliação da acessibilidade em eventos públicos, transmissões ao vivo, conferências e seminários. A digitalização dos conteúdos e o crescimento das transmissões online fizeram com que organizações públicas e privadas passassem a investir mais em recursos inclusivos para alcançar diferentes públicos.

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Francielly Domingues

Francielly acompanhou de perto essa evolução. Em 2024, integrou a equipe de intérpretes responsável pela tradução do Seminário da Educação da Prefeitura Municipal de Jundiaí, transmitido ao vivo pela TV TEC. A experiência reforçou uma tendência observada em diferentes regiões do país, onde a acessibilidade vem deixando de ser uma ação pontual para se tornar parte da estrutura dos eventos.
Outro desafio apontado por especialistas está relacionado à formação de novos profissionais. Embora a demanda por intérpretes cresça continuamente, o número de profissionais altamente qualificados ainda é insuficiente para atender todas as necessidades existentes no mercado.
A formação exige anos de estudo, atualização constante e aprofundamento acadêmico. Pós-graduada em Tradução e Interpretação Libras-Português pelo Instituto Singularidades, filiada à Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes (ABRATES) e participante de congressos voltados à pesquisa na área, Francielly acredita que o fortalecimento da profissão passa diretamente pelo investimento em qualificação. Em sua visão, “ser intérprete exige muito mais do que conhecer duas línguas. É necessário compreender culturas, contextos, intenções e assumir a responsabilidade de ser a ponte entre diferentes formas de comunicação”.
Além da atuação prática, a profissional também contribui para a formação de novos intérpretes. Durante seis anos atuou como professora de cursos de Libras, coordenadora pedagógica e examinadora de alunos, experiência que ampliou sua compreensão sobre os desafios da formação profissional no setor.
A produção de conhecimento acadêmico também faz parte de sua trajetória. Em 2018, apresentou uma pesquisa sobre os processos cognitivos envolvidos na interpretação simultânea entre Libras e língua portuguesa durante um congresso nacional voltado à tradução e interpretação. O estudo analisou os esforços mentais desenvolvidos pelos intérpretes durante o processo de mediação linguística, tema ainda pouco explorado no Brasil.
Atualmente vivendo nos Estados Unidos, Francielly segue ampliando sua formação através do estudo da American Sign Language (ASL), aprofundando o contato com diferentes modelos de acessibilidade e inclusão adotados internacionalmente.
Especialistas acreditam que a busca por comunicação acessível continuará crescendo nos próximos anos, impulsionada pela ampliação das políticas de inclusão, pela transformação digital e pela necessidade de tornar ambientes educacionais, institucionais e corporativos cada vez mais acessíveis.
Nesse contexto, a atuação dos intérpretes de Libras deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a ocupar uma posição central na construção de uma sociedade mais inclusiva, onde informação, educação e participação estejam verdadeiramente ao alcance de todos.

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