JBS abandona meta de emissão zero cinco anos após anúncio – 09/07/2026 – Economia

Várias cabras de cores claras e escuras estão aglomeradas em um espaço fechado, com marcas numéricas visíveis em seus corpos. A luz do sol incide parcialmente sobre elas, destacando algumas áreas.

Maior fornecedora de carne do mundo, a JBS abandonou uma meta climática importante que havia anunciado cinco anos atrás, juntando-se a grandes poluidores que desistiram de contabilizar o impacto ambiental total de seus negócios.

O grupo brasileiro de carnes com operações globais decidiu abandonar a meta de emissões líquidas zero que inclui gases de efeito estufa liberados na atmosfera por fornecedores, que representam a grande maioria da pegada ambiental da empresa.

A JBS justificou a medida com base nas dificuldades de controlar essas emissões indiretas, ou chamadas de Escopo 3, geradas principalmente pelo gado que compra para abate de milhares de pecuaristas.

A empresa informou que se concentrará em reduzir as emissões dentro de suas próprias operações, conhecidas como emissões de Escopo 1 e 2. Estas representam apenas cerca de 3% da produção total de gases de aquecimento da empresa, incluindo metano, que contribuem para as mudanças climáticas.

Jason Weller, diretor de sustentabilidade, disse que a JBS “não está se afastando” de suas responsabilidades climáticas. “Ambição ousada é bom, mas agora você precisa realmente ter metas muito boas, mensuráveis e com prestação de contas. E é isso que estamos fazendo —agora estamos estabelecendo metas onde acreditamos ter controle operacional”, afirmou ao Financial Times.

A JBS, listada na Bolsa de Nova York, fez sua promessa de emissões líquidas zero em 2021 e a divulgou como sendo a primeira de uma empresa líder na indústria de carnes.

A pecuária responde por 14,5% de todas as emissões causadas pelo ser humano, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). O gado produz metano, um gás de aquecimento mais potente que o dióxido de carbono em um período mais curto, como parte de seu processo digestivo. Vários métodos têm sido experimentados com ração animal para lidar com essas emissões, mas permanecem fragmentados e em pequena escala.

A JBS indicou que manterá a meta de reduzir a intensidade de emissões de suas operações principais em 30% até 2030, a partir de uma linha de base de 2019. Em seguida, almeja uma redução de 70% até 2050 em todas as suas instalações. Intensidade de emissões é uma métrica que permite um aumento nas emissões absolutas conforme a receita cresce.

Weller disse que a empresa também se concentrará em melhorar a produtividade agrícola, o que poderia, por sua vez, ajudar a reduzir as emissões.

A decisão do conglomerado alimentício foi atacada por grupos ambientalistas que anteriormente visaram suas operações por levarem ao desmatamento na floresta amazônica.

“A cadeia de fornecimento da JBS a torna responsável por algumas das maiores emissões de metano do planeta”, avaliou Daniela Montalto, ativista de alimentos e florestas do Greenpeace. “Então, abandonar sua responsabilidade de reduzir as emissões de Escopo 3 é indescritivelmente irresponsável”.

Weller ressaltou que a JBS alcançou a meta de eliminar o desmatamento entre fornecedores diretos e “indiretos” na amazônia, ou seja, pecuaristas que vendem para os próprios fornecedores de gado da processadora de carne.

O grupo tem sido alvo de ações judiciais por acusações de alegações falsas de marketing verde. No final do ano passado, chegou a um acordo de US$ 1,1 milhão em um processo envolvendo o procurador-geral de Nova York, que disse que a empresa havia enganado o público sobre seus esforços de redução de carbono e não tinha um plano viável para cumprir sua meta de emissões líquidas zero até 2040.



Fonte ==> Folha SP

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