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O Bradesco anunciou um aumento de capital privado de até R$ 10 bilhões para apoiar seu plano de transformação em um momento de deterioração do cenário econômico. A operação prevê um aporte de até R$ 8 bilhões pelos controladores e a antecipação de R$ 6,5 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP), permitindo que os acionistas utilizem esses recursos para participar da subscrição.
A operação tem como objetivo sustentar investimentos em tecnologia, expansão dos negócios e eficiência comercial, em um ambiente econômico mais desafiador, marcado pelo aumento da inadimplência e pela pressão sobre os resultados das instituições financeiras.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O Bradesco informou na noite de quarta-feira, 29 de julho, um aumento de capital privado de até R$ 10 bilhões, sob a justificativa de continuar apoiando o plano de transformação em curso no banco, em um momento em que a deterioração da economia pesa sobre a inadimplência e os resultados das instituições financeiras.
Segundo o fato relevante divulgado pela instituição, a operação será realizada por meio de uma subscrição privada de ações, com um aporte de até R$ 8 bilhões garantido por um compromisso firme do grupo controlador, que teria solicitado o aumento de capital.
A operação prevê também a antecipação de um total de R$ 6,5 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP) já declarados, permitindo que os acionistas utilizem esses recursos para aderir ao direito de preferência.
O banco emitirá até 302.876.396 novas ações ordinárias e até 301.976.357 novas ações preferenciais, ao preço de emissão de R$ 15,43 para as ordinárias e R$ 17,64 para as preferenciais. O preço foi definido com desconto de 6% em relação ao fechamento de 28 de julho, “que tem por finalidade incentivar os acionistas a participarem do aumento de capital”, segundo o fato relevante.
O período de exercício do direito de preferência será de 6 de agosto a 4 de setembro, na proporção de 5,72% sobre as ações da mesma espécie que o acionista possuir em 4 de agosto.
A projeção é de que o capital social do Bradesco suba de R$ 93,8 bilhões para R$ 103,8 bilhões e que o índice CET1 — que mede o capital de maior qualidade de um banco em relação aos seus ativos ponderados pelo risco — aumente em cerca de 0,90 ponto percentual, atingindo 13,6%, considerando o nível pro forma de 12,7% registrado no primeiro trimestre.
Segundo o Bradesco, a operação permitirá sustentar os investimentos estratégicos, “mediante a ampliação de investimentos relevantes em tecnologia, eficiência comercial, expansão dos negócios, bem como o compromisso institucional com financiamento sustentável”.
“As acionistas controladoras têm o legítimo interesse de continuar investindo no banco, onde salientam e reiteram sua elevada confiança no plano de transformação que está em andamento, com execução acelerada e bem-sucedida, trazendo impactos positivos crescentes sobre eficiência operacional e competitividade do Bradesco perante o mercado”, diz trecho do fato relevante.
O banco embarcou, no fim de 2023, num processo de transformação da operação, com investimentos para acelerar a agenda tecnológica e medidas para retomar a rentabilidade sem assumir riscos excessivos. A previsão inicial é de que toda a iniciativa dure cerca de cinco anos, avançando step by step, conforme Marcelo Noronha, CEO do banco, tem ressaltado nos últimos trimestres.
Esses investimentos — realizados ao longo dos últimos trimestres e destinados a deixar para trás a imagem de um banco pesado, dependente de agências e pressionado em rentabilidade — agora encontram uma economia duramente impactada pelos juros elevados.
O Santander Brasil, primeiro a abrir a temporada de balanços do segundo trimestre, divulgou um resultado abaixo do esperado, prejudicado justamente pelas condições macroeconômicas.
O Bradesco, que marcou a divulgação dos resultados do segundo trimestre para 5 de agosto, adotou um tom mais conservador no início do ano, embora a expectativa para 2026 continue sendo de crescimento da margem financeira.
Para os analistas do Banco Safra, o aumento de capital visa sustentar o ritmo atual de crescimento, ao mesmo tempo em que melhora a rentabilidade do banco e reforça a posição de capital antes de um ciclo mais desafiador.
“Em nossa opinião, o verdadeiro objetivo é melhorar a posição de capital para enfrentar os próximos meses e aumentar a base de capital para sustentar o benefício fiscal do IoC [juros sobre capital próprio] em um nível substancial, contribuindo para o ROE”, diz trecho de comentário enviado a clientes.
No entanto, acrescenta a equipe de research do banco, considerando o cenário macroeconômico atual, a operação provavelmente aponta para uma “recuperação mais lenta do ROE em nível bancário, em comparação com as perspectivas do início do ano”.
As ações ordinárias do Bradesco fecharam o pregão de ontem com queda de 2,25%, a R$ 16,04, enquanto as preferenciais recuaram 2,24%, para R$ 18,35. No ano, os papéis acumulam altas de 2,56% e 0,71%, respectivamente. O valor de mercado do banco é de R$ 182,1 bilhões.
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Fonte ==> NEOFEED

