Conclusões preliminares de uma investigação da ONU sobre as mortes de três soldados indonésios da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) no mês passado indicam que um foi morto por um disparo de tanque israelense e outros dois, por um dispositivo explosivo improvisado provavelmente colocado pelo Hezbollah.
“Estas são conclusões preliminares, baseadas em evidências físicas iniciais”, disse nesta terça-feira (7) o porta-voz da ONU Stephane Dujarric em uma entrevista coletiva, acrescentando que um processo de investigação completo está em andamento, incluindo contato com as partes envolvidas.
Dujarric classificou os incidentes como “inaceitáveis” e disse que podem constituir crimes de guerra segundo o direito internacional.
“Pedimos às partes envolvidas que esses casos sejam objeto de investigações e processos judiciais por parte das autoridades nacionais, a fim de levar os responsáveis à Justiça pelos crimes”, declarou o porta-voz.
Segundo a investigação, um soldado foi morto e outro foi gravemente ferido no dia 29 de março por um projétil de 120 mm, disparado por um tanque Merkava das Forças de Defesa de Israel em Adchit Al Qusayr, onde estavam ocorrendo confrontos diretos entre as forças de Israel e o Hezbollah.
No dia seguinte, dois soldados do mesmo batalhão morreram devido a uma explosão que destruiu seu veículo perto de Bani Hayyan, ao sul do Líbano. Um terceiro ficou gravemente ferido no mesmo ataque.
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“A investigação estima que, levando em conta o local do incidente, a natureza da explosão e o contexto atual, é muito provável que esse artefato tenha sido colocado pelo Hezbollah”, acrescentou Dujarric.
O porta-voz também destacou que a Unifil havia “comunicado às Forças de Defesa de Israel as coordenadas de todas as suas posições e instalações” em duas ocasiões anteriores ao incidente, com a intenção de mitigar riscos aos soldados.
Nesta terça, um comboio de ajuda humanitária no sul do Líbano organizado pela embaixada do Vaticano no país foi forçado a fugir da região devido a bombardeios, disse um padre local à agência Reuters. Também nesta terça, outra porta-voz da Unifil disse que o exército israelense bloqueou um de seus comboios logísticos, e deteve brevemente um de seus soldados.
A porta-voz, Kandice Ardiel, disse que qualquer detenção de um soldado da força de paz das Nações Unidas é uma violação flagrante do direito internacional. O exército israelense informou à Força Interina que havia aberto uma investigação sobre o caso.
Fonte ==> Folha SP
