A inteligência artificial já escreve propostas, analisa dados e automatiza abordagens em uma escala inalcançável para qualquer equipe humana. Para Fábio Torres, Diretor Executivo do BNI, em pouco tempo, produzir conteúdo, acessar informações e iniciar contatos deixará de ser uma vantagem competitiva, pois todos terão acesso às mesmas ferramentas.
O que continuará escasso será a confiança.
Para Torres, quanto mais a tecnologia ampliar a capacidade de falar com pessoas, mais valiosa será a capacidade de se relacionar verdadeiramente com elas. Conversar não é apenas trocar palavras. É conectar, colaborar, gerar valor e demonstrar, por meio de atitudes, que quem está do outro lado importa.
Mesmo assim, muitos profissionais ainda entram em cada conversa procurando um cliente. Apresentam rapidamente seus produtos, aguardam uma brecha e tentam transformar o contato em contrato antes mesmo de compreender quem está à sua frente.
Essa é a miopia do networking: tentar vender para a única pessoa que está diante de você, quando um relacionamento de confiança pode abrir as portas para toda a rede que existe ao redor dela.
Essa postura pode até produzir uma venda pontual, mas frequentemente desgasta a relação antes que ela tenha a oportunidade de amadurecer.
Torres resume essa diferença de forma direta: tentar vender o tempo todo pode matar a fome de hoje. Importar-se verdadeiramente, colaborar e gerar valor constrói relações capazes de abrir oportunidades por uma vida toda.
Essa convicção também nasce de sua experiência prática. Nos últimos dez anos, o empresário participou da construção de uma rede que atendeu mais de 2.500 clientes e contribuiu para a geração de mais de R$ 1 bilhão em negócios.
Segundo ele, esses resultados não foram produzidos pela tentativa de vender em cada encontro, mas pela convivência, pela colaboração e pela credibilidade construída ao longo do tempo.
A inteligência artificial tornará as empresas mais rápidas, produtivas e eficientes. Ao mesmo tempo, fará com que conteúdos, discursos e propostas se tornem cada vez mais parecidos. Nesse cenário, a verdadeira diferenciação estará naquilo que nenhum algoritmo consegue produzir sozinho: confiança suficiente para que alguém coloque a própria reputação em jogo ao fazer uma recomendação.
Uma recomendação não entrega apenas uma oportunidade. Ela transfere credibilidade.O futuro dos negócios será tecnológico, mas continuará profundamente humano. As empresas mais inteligentes usarão a IA para ganhar eficiência e investirão o tempo economizado naquilo que não pode ser automatizado: escutar com atenção, colaborar de forma genuína, gerar valor e construir relações consistentes.
A provocação de Torres é clara: quem tenta vender em toda conversa pode até conquistar o contrato de hoje. Quem constrói confiança se torna lembrado quando os próximos negócios surgirem — mesmo quando não estiver presente na sala.

Fábio Torres é empresário, escritor e especialista em vendas colaborativas e networking estratégico. Diretor Executivo do BNI em Sorocaba e Guarulhos, é autor dos livros Pare de Vender e Seja Comprado e Conversas que Convertem.portuguesa.

