Psicodélicos avançam sob Trump – 20/04/2026 – Opinião

Psicodélicos avançam sob Trump - 20/04/2026 - Opinião

No sábado (18), Donald Trump assinou uma ordem executiva para acelerar o desenvolvimento e a eventual aprovação de terapias com psicodélicos —substâncias capazes de causar alucinações por meio da alteração de sentidos, percepção e consciência.

A medida destina US$ 50 milhões para cofinanciar estudos clínicos com estados e determina que a FDA, agência reguladora de fármacos e alimentos dos Estados Unidos, dê prioridade máxima à análise de pedidos relativos a psicodélicos que já tenham algum grau de evidência (fase 2 ou 3 de pesquisa).

A ordem executiva não apresenta uma lista fechada de substâncias. O critério é o estágio de desenvolvimento científico, mas o texto menciona algumas delas, como psilocibina e MDMA, com destaque para a ibogaína.

Considerando o potencial dessas drogas no tratamento de alguns tipos de transtornos mentais, como depressão, e a influência da FDA nas regulações de outros países, trata-se de movimento bem-vindo do americano, que, por óbvio, tem interesses político-ideológicos.

A ibogaína, derivada da planta africana Tabernanthe iboga, é usada em casos de dependência química desde os anos 1960. Desde 1997, o médico brasileiro Bruno Rasmussen Chaves já tratou mais de 2.000 pacientes com a substância, por meio de autorizações especiais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) —o órgão não autoriza a comercialização da ibogaína no país.

Apoiadores de Trump e membros do seu governo defendem o uso da droga no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), condição que afeta sobretudo ex-soldados e está relacionada a risco de suicídio. O texto destaca que a ordem executiva visa “beneficiar todos os americanos, especialmente nossos bravos veteranos militares”.

Segundo pesquisa da Universidade Brown, 30.177 militares da ativa e veteranos ligados às guerras americanas do pós-11 de setembro morreram por suicídio entre 2001 e 2021, ante 7.057 mortos nessas operações de guerra.

O tema fez parte dos debates da conferência Psychedelic Culture (PCU26), realizada entre 17 e 19 deste mês em São Francisco (Califórnia); uma semana antes, outra conferência na Universidade Harvard tratou de psicodélicos. O interesse científico por essas drogas, algumas com uso ritualístico ancestral, é global.

Ainda que movido para agradar sua base eleitoral, Trump acaba promovendo a pesquisa de substâncias que se mostram promissoras na área da saúde mental.

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Fonte ==> Folha SP

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