Puyr Tembé conquista reconhecimento internacional por sua atuação na defesa das florestas primárias
Liderança indígena do Pará está entre os primeiros representantes reconhecidos por iniciativa internacional que busca fortalecer a conservação ambiental e ampliar a participação dos povos originários nas decisões globais.

A liderança indígena Puyr dos Santos Tembé, representante do povo Tembé, no Pará, foi reconhecida como uma das primeiras Embaixadoras dos Povos Indígenas para Florestas Primárias. O reconhecimento foi anunciado em 26 de outubro de 2026, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada em Erevan, capital da Armênia.
A iniciativa, anunciada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), reúne lideranças de seis países: Brasil, Peru, República Democrática do Congo, Gâmbia, Indonésia e Tailândia. O objetivo é dar maior visibilidade ao trabalho dos povos indígenas na conservação de florestas primárias, ecossistemas fundamentais para a biodiversidade e o equilíbrio climático global.
À frente da Secretaria dos Povos Indígenas do Pará, Puyr integra o primeiro grupo de representantes reconhecidos pelo programa, ao lado de lideranças da Tailândia, do Peru, do Congo, da Gâmbia e da Indonésia. A nomeação amplia a visibilidade internacional da Amazônia brasileira e da atuação dos povos indígenas na defesa da biodiversidade.
A escolha de Puyr representa o reconhecimento internacional de uma trajetória dedicada à defesa dos direitos indígenas, à proteção dos territórios tradicionais e à valorização dos conhecimentos ancestrais. Sua atuação também amplia a presença da Amazônia brasileira em discussões internacionais sobre conservação ambiental e participação dos povos originários nas decisões que afetam seus territórios.
Uma trajetória de mobilização e defesa dos direitos indígenas
Puyr Tembé construiu sua trajetória por meio da mobilização social, da articulação política e da participação em espaços institucionais. Seu trabalho está ligado à defesa dos direitos dos povos indígenas, à proteção da floresta e ao fortalecimento do protagonismo das mulheres indígenas.
A liderança é cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), movimento que reúne mulheres indígenas de diferentes povos e biomas brasileiros. Também presidiu a Federação dos Povos Indígenas do Pará (FEPIPA), contribuindo para a articulação de demandas relacionadas aos direitos territoriais e à representação política indígena.

Sua atuação está associada à valorização dos conhecimentos tradicionais e ao fortalecimento da governança indígena sobre os territórios. Entre as iniciativas relevantes para a conservação estão a recuperação de áreas com espécies nativas, a coleta comunitária de sementes e os sistemas agroflorestais, que combinam produção sustentável e preservação ambiental.
Florestas primárias e o protagonismo dos povos originários
As florestas primárias são ecossistemas que mantêm características naturais e processos ecológicos preservados, desempenhando papel essencial na proteção da biodiversidade, na regulação do clima e na manutenção dos recursos hídricos.
A conservação desses ambientes enfrenta ameaças como o avanço de atividades agropecuárias em larga escala, o garimpo ilegal, a exploração madeireira e outras pressões sobre os territórios. Nesse cenário, os povos indígenas desempenham papel importante na proteção de áreas florestais e na manutenção de conhecimentos desenvolvidos ao longo de gerações.
O programa de embaixadores integra o projeto Strengthening Conservation of Primary Forests, voltado ao fortalecimento da conservação de florestas primárias. A iniciativa conta com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e é implementada pela UICN em parceria com o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Griffith University.
Os representantes reconhecidos pelo programa deverão contribuir para campanhas de comunicação e mobilização, ampliando a visibilidade dos direitos territoriais indígenas e das experiências de conservação conduzidas por suas comunidades. A iniciativa também busca aproximar essas lideranças dos debates internacionais sobre financiamento climático e mecanismos de apoio à preservação ambiental.
Reconhecimento que amplia a presença da Amazônia no debate global
A nomeação de Puyr Tembé ocorre em um momento de mobilização internacional em torno da biodiversidade e da implementação de compromissos para a proteção da natureza. A COP17 reúne representantes de governos, organizações internacionais, pesquisadores e integrantes da sociedade civil para discutir medidas de conservação e uso sustentável da biodiversidade.
Nesse contexto, o reconhecimento da liderança paraense destaca a importância de incorporar a experiência e a participação dos povos originários às políticas ambientais. Mais do que preservar áreas florestais, essa perspectiva envolve garantir direitos, proteger culturas e reconhecer o papel das comunidades que mantêm relações históricas com seus territórios.
A presença de Puyr entre as primeiras embaixadoras do programa projeta internacionalmente a atuação indígena brasileira e reforça a relevância da participação dessas lideranças na construção de estratégias para a conservação das florestas e da biodiversidade.
Fonte: União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Matéria assinada por Juma, EDP.