Sonia Palma explica como sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade podem passar despercebidos em meninas e mulheres ao longo da vida
São Paulo, setembro de 2026 – O transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) tem início típico na infância, mas seu impacto pode atravessar toda a vida adulta. O quadro figura entre os transtornos neuropsiquiátricos mais prevalentes e discutidos da atualidade, caracterizado por sintomas persistentes de desatenção, impulsividade e hiperatividade, com impacto funcional significativo. Estima-se que a prevalência do TDAH em adultos seja de 2,5%.
Apesar da relevância do tema, o TDAH já foi considerado, por muito tempo, um transtorno predominantemente masculino, o que deixou gerações de mulheres e meninas sem diagnóstico precoce. É o que explica a psiquiatra Sonia Palma, professora universitária com residência em psiquiatria infantil e mais de 40 anos de experiência na área, que atende em consultório realizando diagnóstico, tratamento, orientação e seguimento de pacientes com o transtorno.
A diferença entre meninos e meninas no diagnóstico
Na infância, a proporção de meninos para meninas com TDAH é de cerca de 3 para 1. Já na idade adulta, essa relação se aproxima de 1 para 1, o que sugere que uma parte significativa das mulheres cresce sem receber o diagnóstico ainda na infância.
“Meninas com TDAH costumam desenvolver estratégias para disfarçar os sintomas, o que atrasa o diagnóstico e faz com que cheguem à vida adulta sem entender por que enfrentam tanta dificuldade de organização, concentração e regulação emocional”, explica Sonia Palma.
Impacto do diagnóstico tardio na vida adulta
Sem o diagnóstico na infância, mulheres com TDAH frequentemente atravessam a adolescência e a vida adulta associando suas dificuldades a características pessoais, e não a um transtorno que pode ser identificado e tratado. Para Sonia Palma, esse atraso pode se refletir em dificuldades no âmbito profissional, acadêmico e pessoal que poderiam ser amenizadas com o diagnóstico e o acompanhamento adequados.
Diagnóstico e acompanhamento em todas as fases da vida
O diagnóstico de TDAH em mulheres exige atenção a sintomas que muitas vezes se manifestam de forma diferente dos observados em meninos, como desorganização, esquecimento e dificuldade de concentração, em vez de hiperatividade evidente. Para Sonia Palma, reconhecer esses sinais é o primeiro passo para um tratamento que pode incluir orientação, acompanhamento clínico e, quando necessário, intervenção medicamentosa.
“Quanto mais cedo o TDAH é identificado, maiores são as chances de a pessoa desenvolver estratégias para lidar com os sintomas ao longo da vida. Por isso, é fundamental que mulheres e meninas também sejam observadas com atenção, e não apenas os meninos”, afirma a psiquiatra.
Sonia Palma é psiquiatra e professora universitária, com residência em psiquiatria infantil e mais de 40 anos de experiência na área. Atende em consultório, realizando diagnóstico, tratamento, orientação e seguimento de pacientes.
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