Vaticanistas revelam os bastidores da ascensão de Leão XIV e seus movimentos na geopolítica global

Vaticanistas revelam os bastidores da ascensão de Leão XIV e seus movimentos na geopolítica global

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Às vésperas de o pontificado de Leão XIV completar um ano, quatro vaticanistas, Elise Ann Allen, Elisabetta Piqué, Gerard O’Connell e Christopher Lamb, publicaram livros sobre a vida antes e depois de o cardeal americano Robert Francis Prevost ter sido eleito papa em 8 de maio de 2025.

Allen, a única a entrevistar o papa, lançou a biografia “Leão XIV: Cidadão do mundo, missionário do século XXI”, baseada em dois encontros com o Santo Padre.

Em “The Election of Pope Leo XIV”, Piqué e O’Connell narram os bastidores do conclave, incluindo um incidente de segurança com um celular esquecido.

Por sua vez, o correspondente da CNN International, Lamb, em “American Hope”, analisa o impacto político do novo papa e sua abordagem discreta em um cenário global polarizado.

O pontificado de Leão XIV é caracterizado por um estilo de diálogo e busca pela paz, em continuidade ao legado de Francisco, enquanto a expectativa cresce por novas publicações que explorem sua liderança.

 

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Roma — Praça de São Pedro, Vaticano, 8 de maio de 2025. Entre os cerca de 4 mil jornalistas, vindos de todos os cantos do planeta, que se misturavam à multidão de fiéis, turistas e curiosos, quatro acompanhavam com especial atenção o anúncio do cardeal francês Dominique Mamberti: “Habemus Papam!”

Às vésperas de o pontificado de Leão XIV completar um ano, Elise Ann Allen, Elisabetta Piqué, Gerard O’Connell e Christopher Lamb apresentam ao mundo o resultado de suas investigações — os três primeiros livros de fôlego sobre a vida antes e depois de o cardeal americano Robert Francis Prevost ter sido eleito papa.

Correspondentes internacionais baseados em Roma, como vaticanistas, os quatro são especializados na cobertura das dinâmicas no centro de poder da Igreja. E, a partir do momento em que a fumaça branca saiu da chaminé instalada no telhado da Capela Sistina, eles se lançaram à apuração dos bastidores do conclave, das engrenagens da diplomacia da Santa Sé e dos passos de Leão XIV na intrincada geopolítica global.

Repórter do portal Crux, a americana Elise Ann Allen tem formação em filosofia e comunicação e vive há 13 anos em Roma. Foi a única jornalista, até hoje, a entrevistar o Santo Padre e a primeira a publicar um livro sobre ele. Lançada inicialmente em espanhol e depois traduzida para nove idiomas, incluindo o português, a biografia Leão XIV: Cidadão do mundo, missionário do século XXI é fruto de duas conversas com o pontífice, realizadas na residência papal de verão em Castel Gandolfo e no Palazzo del Sant’Uffizio, sede do Dicastério para a Doutrina da Fé.

“Me convidaram para escrever algo e logo percebi que a bibliografia sobre o cardeal Prevost era escassa. Como ele tinha poucos anos em Roma, eu não dispunha de muitos elementos para trabalhar”, lembra Allen, em conversa com o NeoFeed. “Resolvi pedir uma entrevista. E aceitaram!”

Com uma narrativa envolvente, o livro percorre a infância do papa em Chicago, os anos de missão no Peru e suas prioridades como chefe religioso. “O que mais me impressionou é que ele é extremamente seguro e transparente: não pediu para ver as perguntas antes e não se esquivou de nada”, conta a autora.

De sua observação sobre os primeiros meses de pontificado, ela comenta que, desde o princípio, o Santo Padre imprimiu um estilo discreto, de busca pela paz e diálogo, e o cenário não vai mudar nos próximos cinco anos: “O papa Leão XIV não tem pressa”.

Recém-chegado às livrarias e às plataformas digitais, The Election of Pope Leo XIV: The Last Surprise of Pope Francis (“A eleição do Papa Leão XIV: A Última Surpresa do Papa Francisco”) foi escrito pelo casal Elisabetta Piqué e Gerard O’Connell — ela, ítalo-argentina; ele, irlandês.

Correspondente do jornal argentino La Nación, Betta, como a jornalista é conhecida na sala de imprensa do Vaticano, acompanhou de perto os pontificados de João Paulo II, Bento XVI e Francisco — de quem era próxima desde os tempos em que ele ainda era arcebispo de Buenos Aires e batizou seus dois filhos.

Com trânsito consolidado entre integrantes da Cúria Romana e diplomatas, é uma das vozes mais bem informadas na cobertura religiosa. Ao lado do parceiro O’Connell, correspondente da revista católica America Magazine, forma uma dupla de vaticanistas por excelência.

A americana Elise Ann Allen estruturou a biografia do papa a partir de dois encontros com o Sumo Pontífice

O casal de vaticanistas Elisabetta Piqué e Gerard O’Connell contam sobre os bastidores do conclave

Correspondente da CNN International em Roma e Londres, o britânico Christopher Lamb mostra como Leão XIV tem lidado com desafios internos e externos

Em uma das passagens mais curiosas do livro, eles contam que, durante o conclave, os sistemas de segurança do Vaticano detectaram um sinal eletrônico ativo no interior da Capela Sistina, o que levou à suspensão momentânea da votação e acionou um protocolo rigoroso de verificação.

Após uma varredura minuciosa, constatou-se que o sinal partia do celular esquecido por um cardeal idoso no recinto. O episódio, embora trivial à primeira vista, evidencia o grau extremo de vigilância, controle tecnológico e sigilo que cerca a eleição de um papa.

A apuração detalha também como se deram os votos e a virada de Prevost, cujo nome nunca apareceu na lista dos “papáveis”. Na primeira rodada de votação do conclave, na noite de 7 de maio, Prevost surpreendeu ao receber entre 20 e 30 votos, um número considerado incomum, de acordo com os autores.

O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, apontado como favorito antes da eleição, não conseguiu ultrapassar os dez votos em nenhuma das votações. Na quarta rodada, realizada na tarde do dia seguinte, o americano foi eleito com 108 votos. Durante a apuração final, Tagle, que estava ao lado do futuro papa, ofereceu-lhe uma pastilha para a tosse, em um gesto de gentileza.

Um cenário político global e polarizado é o pano de fundo para American Hope: What pope Leo XIV means for the Church and the world (“Esperança Americana: O que o papa Leão XIV significa para a Igreja e para o mundo”) do britânico Christopher Lamb. Correspondente da CNN International em Roma e Londres, o jornalista tem quase duas décadas de experiência acompanhando o catolicismo.

Na obra, relembra episódios que se tornaram virais, como uma imagem gerada por inteligência artificial de Donald Trump com a vestimenta papal, e analisa a reação de cardeais e fiéis ao redor do mundo. Ele traça perfis dos principais candidatos, incluindo o futuro pontífice Robert Prevost, destacando seu estilo discreto e sua experiência como missionário no Peru.

Mostra ainda como o conclave conciliou tradição, diplomacia e a pressão de uma instituição global em transformação. Além disso, aborda o impacto político do pontificado inicial, as tensões internacionais e a maneira como Leão XIV tem lidado com desafios internos e externos, consolidando-se como uma liderança que equilibra firmeza e diálogo em um contexto internacional complexo.

Por trás da prudência aparente, em pronunciamentos oficiais e relatos de fontes próximas, percebe-se que o Sumo Pontífice segue uma linha de tradição e continuidade em relação ao legado de Francisco. Mas, ao contrário do antecessor, que cultivava manchetes, Leão XIV ainda está construindo sua relação com a imprensa.

A expectativa agora se volta para os próximos livros — e para novas tentativas de explicar um pontificado que, passado o impacto da fumaça branca, começa enfim a ganhar forma.



Fonte ==> NEOFEED

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