Ultragaz vende usinas e deixa o mercado de geração distribuída de energia

Ultragaz vende usinas e deixa o mercado de geração distribuída de energia

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A Ultragaz decidiu deixar o mercado de geração distribuída (GD) após quatro anos, optando por focar no mercado livre de energia. A empresa fechou um acordo com a Veo Energia para vender suas duas usinas fotovoltaicas na Bahia, com os termos da transação ainda em análise pelo Cade.

O diretor de energia elétrica da Ultragaz, Lucas Witzler, destacou que a GD enfrenta dificuldades de escalabilidade e que as mudanças nas regras do setor, como a antecipação do fim de benefícios e cortes de energia, influenciaram a decisão.

A Ultragaz já atua no mercado livre desde 2024 e pretende expandir sua oferta de eletricidade, combinando-a com gás, visando atender um número crescente de consumidores.

A empresa possui 56 mil clientes de gás, dos quais 2 mil também compram energia elétrica, e espera um crescimento acelerado no setor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Quatro anos após entrar em geração distribuída (GD), no embalo da empolgação com esse ramo, a Ultragaz está deixando de atuar neste segmento.

A companhia de energia do Grupo Ultra fechou um acordo com a Veo Energia para se desfazer de seu braço de GD, que conta com duas usinas fotovoltaicas de geração distribuída localizadas no município de Ibirapuã, na Bahia. Os termos da transação, em análise no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), não foram revelados.

A Veo Energia pertence ao Grupo JEM, do empresário José Eduardo Muffato, que também é dono de uma das principais redes de supermercados e atacarejo do Paraná.

Ao NeoFeed, o diretor de energia elétrica da Ultragaz, Lucas Witzler, diz que a decisão foi tomada diante das oportunidades que a empresa vê no mercado livre de energia, enquanto a GD não apresenta mais boas perspectivas de evolução.

“A geração distribuída é algo em que se tem uma dificuldade de escalar, você está sempre dependendo de um ativo vinculado a uma distribuidora”, afirma Witzler. “Entendemos que a melhor estratégia é focar no mercado livre, que é algo escalável e é um modelo de negócio que traz uma experiência para o nosso cliente muito positiva.”

A GD foi a porta de entrada da Ultragaz no mercado de eletricidade, parte da estratégia de ampliar a oferta de soluções energéticas para os clientes. Em 2022, a empresa adquiriu a Stella GD Intermediação de Geração Distribuída de Energia, por R$ 63 milhões. Desde 2021, a Stella fazia parte do UVC, fundo de venture capital da Ultrapar.

A percepção de que a GD não consegue ter escala em termos nacionais e exige muitos ativos prejudica as intenções da companhia de levar novas soluções para seus consumidores, espalhados pelo País. O plano da Ultragaz é passar a ofertar eletricidade aos clientes de seus produtos de gás.

Não ajuda também o fato de as regras do segmento estarem mudando. No ano passado, o Ministério da Fazenda propôs a antecipação do fim dos benefícios concedidos para a micro e minigeração distribuída de energia.

O setor também foi impactado pela decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de iniciar protocolos de cortes de energia em usinas maiores de GD para amenizar o impacto na estabilidade da rede, ameaçada pelo curtailment – cortes de geração nas usinas eólicas e solares centralizadas por sobreoferta.

“A GD passa por um momento de reequilíbrio, tem uma série de discussões sobre o modelo e é lógico que essas incertezas quanto ao futuro do modelo fizeram parte da nossa decisão de focar em um vetor de crescimento que é mais certo”, diz Witzler.

Este cenário fez a Ultragaz decidir dedicar sua atuação em energia elétrica à comercialização de eletricidade via mercado livre. Além da atuação no gás, em que começou e de onde extrai boa parte de seus resultados, a empresa também tem uma divisão de distribuição de biometano.

A companhia atua no mercado livre desde 2024 no modelo varejista, comprando de terceiros, após o governo ter ampliado as possibilidades de consumidores migrarem do mercado cativo para o livre. No ranking da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Ultragaz aparece em primeiro lugar em termos de quantidade de unidades consumidoras (UCs), com 2,7 mil.

“Resolvemos focar nesse segmento, porque ele vai ter uma expansão muito grande no curto prazo. Em 2027, todos os consumidores empresariais poderão comprar energia no mercado livre e, a partir de novembro de 2028, todos os consumidores serão elegíveis no mercado livre”, diz Witzler.

A estimativa é de que, em dois anos, o mercado possa ter quase 90 milhões de consumidores. E a Ultragaz quer aproveitar sua capilaridade para oferecer uma solução completa, combinando gás e eletricidade. “Com a ampliação do mercado, vamos poder utilizar todo o potencial da Ultragaz para atender o mercado domiciliar”, afirma Witzler.

A Ultragaz tem 53 mil clientes empresariais que consomem gás a granel, sendo que 2 mil deles também compram energia elétrica. A companhia não abre os números de suas unidades de negócios. No ano passado, o EBITDA ajustado recorrente da Ultragaz totalizou R$ 1,7 bilhão, alta de 5%, com a receita subindo 9%, para R$ 12,3 bilhões.

Sem apresentar guidance, Witzler diz que a empresa quer crescer esse grupo, apoiado na flexibilização do mercado livre. “A energia elétrica está num momento muito propício, com o mercado se expandindo, abrindo, a gente está muito bem posicionado e acreditamos muito que vai ser um crescimento muito acelerado, e que a Ultragaz vai ser um dos players que estará na liderança desse setor”, afirma.



Fonte ==> NEOFEED

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