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Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, classificou o caso do Banco Master como “o maior crime financeiro da história do Brasil”, responsabilizando a gestão anterior do Banco Central, liderada por Roberto Campos Neto, pela falta de controle que permitiu o escândalo.
Ele destacou que a conta do escândalo, que totaliza R$ 52 bilhões, recai sobre o sistema financeiro, afetando grandes bancos.
Mercadante alertou sobre a falta de fiscalização em fintechs, que podem facilitar a lavagem de dinheiro, e previu uma nova crise relacionada aos fundos, que carecem de controle.
Ele defendeu a reestruturação do BC e da CVM para garantir mais autonomia e eficácia na prevenção de crimes financeiros.
André Esteves, do BTG Pactual, concordou que a situação gerou um rombo significativo e destacou a necessidade de controle para evitar a entrada do crime organizado na economia formal.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante (PT), afirmou que o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado em novembro pelo Banco Central (BC) é “o maior crime financeiro da história do Brasil” e jogou a culpa no colo do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto.
A afirmação foi dada durante painel do Fórum Esfera Brasil, realizado neste sábado no Hotel Jequitimar, no Guarujá, litoral de São Paulo. Mercadante estava ao lado do chairman do BTG Pactual, André Esteves, e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.
“Quem autorizou foi a direção anterior à da atual [hoje liderada por Gabriel Galípolo, que fez a liquidação]. Porque a gestão do Ilan Goldfajn [que presidiu o BC entre junho de 2016 e fevereiro de 2019] não autorizou Daniel Vorcaro a entrar como banqueiro relevante no sistema.”
Na prática, segundo Mercadante, fica claro que houve claramente episódios de omissão e conivência. “Tanto que há dois diretores hoje com tornozeleira eletrônica.”
Um problema grande é que, com isso, a conta do escândalo cai diretamente sobre o sistema financeiro brasileiro, que precisa cobrir os R$ 52 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
“Deste total, 18% é o Itaú que paga, 18% é o Bradesco, 15% saem do Banco do Brasil, outros 15% saem da Caixa, e assim vai impactando o sistema financeiro. Aí o Banco Central tem que liberar o depósito compulsório, para amortecer este impacto, o que vai contra a busca da política monetária de combate à inflação”, explica Mercadante.
Na avaliação do presidente do BNDES, além da própria falta de fiscalização sobre o Banco Master, há uma situação preocupante, que é em relação às fintechs. Para ele, isso se torna “um instrumento de lavagem de dinheiro, em que o crime se esconde, porque está abaixo do radar do Banco Central”.
E Mercadante enxerga uma possível nova crise, que ainda não está precificada, e que precisa ser alvo de fiscalização, que são os fundos. “O Reag é só a ponta do iceberg, porque não tem controle. O sujeito coloca no balanço um fundo que ele diz quanto vale, e não vale nada, e cria uma pirâmide.”
Neste sentido, ele enxerga necessidade de mudanças na estrutura do BC e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para ele, é necessário que haja mais autonomia para coibir novos casos de crimes financeiros de forma mais rápida e eficiente.
“CVM e BC não podem continuar como estão. Precisa de uma reestruturação, que inclui valorização do servidor público. Precisa dar autonomia e poder. E o sistema financeiro precisa ajudar a resolver, porque, em última instância, ele paga a conta.”
Para Esteves, não é possível aceitar que “um banco inexpressivo tenha causado um rombo de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC)”. “Além disso, ainda criou um rombo de R$ 12 bilhões no BRB e R$ 4 bilhões em institutos de previdência. Não há dúvida de que as formas de controle não estavam claras”, disse Esteves.
Segundo o banqueiro, situação como esta, gera um problema ainda maior, que é de gerar um mercado paralelo e “fora das quatro linhas” da visão de qualquer órgão de controle no país. E não permitir a entrada do crime organizado em setores formais da economia.
“O que me preocupa não é exatamente a economia, e sim uma guerra entre o Brasil institucional e o não-institucional. Hoje, 20% do mercado de combustíveis no mercado brasileiro se tornou informal. Como é possível isso?”, indaga o presidente do conselho do BTG.
Indagado também se o seu banco errou ao ter demonstrado interesse na aquisição do Banco Master, Esteves negou que tenha havido falha. O banco chegou a comprar ativos do BRB, mas se distanciou de qualquer associação com a liquidada instituição de Vorcaro.
“Óbvio que não houve erro, ao contrário. Quando a gente achou que as coisas estavam saindo do controle, a gente procurou nos posicionar como tal. Mas o nosso papel é de fazer com que o Brasil não perca essa guerra. Estamos falando de milícia, gente que mata. Não podemos nos acostumar nem nos conformar com isso”, afirma Esteves.
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Fonte ==> NEOFEED

