Enfermeiro, farmacêutico e mestre pela UFPA, Uêbem Fernandes Ramos aposta na formação prática de profissionais para reduzir falhas e ampliar a segurança no atendimento a pacientes críticos
Em situações de urgência e emergência, decisões tomadas em poucos minutos — e, muitas vezes, em segundos — podem alterar completamente o desfecho de um atendimento. Nesse cenário, domínio técnico, treinamento e conhecimento sobre medicamentos deixam de ser apenas diferenciais profissionais e passam a integrar diretamente a segurança do paciente.
É a partir dessa realidade que o enfermeiro e farmacêutico Uêbem Fernandes Ramos, mestre pela Universidade Federal do Pará (UFPA), vem concentrando parte de sua atuação profissional na qualificação de trabalhadores da saúde, especialmente em áreas que exigem respostas rápidas e conhecimento aplicado.
Autor dos livros “Farmacologia do Carro de Emergência – Padronização, Protocolos e Manejo” e “Drogas Vasoativas – Guia rápido para uso clínico e emergencial”, Ramos defende que aproximar o conhecimento farmacológico da rotina prática das equipes é uma das formas de tornar o atendimento mais seguro e eficiente.
“Na emergência, não basta conhecer o medicamento. O profissional precisa compreender indicação, dose, preparo, administração, monitorização e possíveis intercorrências dentro de um contexto em que o tempo é determinante”, destaca.
A preocupação ganha relevância diante da complexidade dos atendimentos realizados em unidades de urgência, pronto atendimento e ambientes hospitalares. Situações como parada cardiorrespiratória, choque, anafilaxia e outras condições críticas exigem que diferentes profissionais atuem de maneira coordenada e tenham familiaridade com protocolos, equipamentos e medicamentos disponíveis.
Da experiência profissional à formação de novos trabalhadores da saúde
Além da produção técnica, Uêbem atua diretamente na educação profissional. É CEO da Blue Quality Consultoria e do Instituto Office Cursos, além de diretor-presidente da COOENFI, reunindo experiência nas áreas de enfermagem, farmácia, gestão e capacitação.
Seu trabalho também se volta a um problema enfrentado especialmente por profissionais em início de carreira: a distância entre o conhecimento adquirido durante a formação e as situações encontradas no cotidiano dos serviços de saúde.
Para Ramos, preparar profissionais para o mercado não significa apenas transmitir conteúdo.
“Existe uma diferença importante entre conhecer determinado assunto e estar preparado para tomar uma decisão diante de uma situação real. A formação precisa desenvolver segurança, raciocínio e capacidade de aplicar aquilo que foi aprendido”, afirma.
Essa visão também orienta iniciativas de capacitação e mentoria voltadas a profissionais de enfermagem, com atividades que procuram aproximar conteúdo técnico, prática profissional e preparação para o mercado de trabalho.
Livros transformam experiência técnica em ferramentas para a prática
A produção editorial tornou-se outra frente desse trabalho. Em “Farmacologia do Carro de Emergência”, o especialista aborda a utilização dos principais medicamentos presentes nesse equipamento essencial ao atendimento de pacientes críticos, reunindo informações sobre padronização, protocolos e manejo.
Já “Drogas Vasoativas” concentra-se em medicamentos empregados no suporte hemodinâmico e em situações clínicas e emergenciais, propondo uma consulta objetiva para profissionais que precisam compreender sua aplicação.
Recentemente, o trabalho desenvolvido por Ramos também ganhou espaço na televisão, com a apresentação de sua produção durante participação no Jornal Cultura – 2ª Edição, da TV Cultura, ampliando a discussão sobre a importância do conhecimento farmacológico aplicado às situações de urgência e emergência.
Mais do que divulgar publicações, Uêbem afirma que pretende contribuir para uma cultura de atualização permanente entre os profissionais.
“A saúde exige estudo contínuo. Protocolos evoluem, evidências são atualizadas e o profissional precisa acompanhar esse movimento. Quando investimos em qualificação, estamos falando também de qualidade assistencial e cuidado com vidas”, conclui.
