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Em 2005, aos 22 anos, o italiano Dani Branca deixou Salerno, no sul da Itália, para trabalhar em uma pizzaria em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Sem falar português e com poucos recursos, decidiu apostar em um novo país — uma escolha que mudaria sua trajetória.
Duas décadas depois, Branca é reconhecido como o melhor pizzaiolo do Brasil e o 42º do mundo pelo ranking The Best Pizza Awards 2026. Ao longo desse caminho, aperfeiçoou a técnica da pizza napolitana e criou uma identidade própria, equilibrando a tradição italiana com ingredientes e sabores brasileiros.
Dono da Forneria Paestum e fundador da Soffio, em São Paulo, inaugurada em 2024 e rapidamente premiada pelo mercado, ele também comanda a Pizzaria do Azeite Sabiá, em Santo Antônio do Pinhal.
Entre viagens constantes, a rotina de produção e os planos de expansão, Branca construiu no Brasil uma carreira que começou como uma aposta de juventude e se transformou em referência na gastronomia.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Dani Branca deixou Salerno, cidade portuária a 56 quilômetros de Nápoles, para trabalhar em uma pizzaria de bairro em Guaratinguetá, no coração do Vale do Paraíba paulista. Exatos 21 anos depois, é considerado o melhor pizzaiolo do Brasil — e o 42º melhor do mundo — pelo ranking internacional The Best Pizza Awards 2026.
Essa história, um tanto improvável, ganha contornos ainda mais curiosos quando se sabe que ele vive no triângulo Guaratinguetá, onde mora com a mulher, Sarah, e os três filhos; São Paulo, onde comanda a pizzaria Soffio; e Santo Antônio do Pinhal, no alto da Serra da Mantiqueira, onde é o manda-chuva da Pizzaria do Azeite Sabiá.
Entre aquela viagem de 2005 e o prêmio, recebido em 24 de junho, em Milão, foram duas décadas de desafios bem comuns a todo imigrante. A escolha do Brasil como destino, por exemplo, foi quase aleatória. Um empresário de Guaratinguetá, de família italiana, havia comprado uma pizzaria e precisava de alguém para tocar o negócio.
Lembrou da sobrinha, que morava na Itália e namorava um rapaz recém-formado em um curso técnico-profissionalizante de cozinha. Não foi preciso chamá-los duas vezes.
“Eu tinha 22 anos, já tinha feito alguns estágios e resolvi tentar. Era muito jovem, se desse errado, poderia voltar para a casa da minha mãe”, Branca conta ao NeoFeed. Passados seis meses, a namorada voltou para a Itália e ele ficou — para nunca mais sair.
Sem falar uma palavra de português, idioma que aprendeu na marra, no salão do restaurante, o jovem italiano ainda adotava o primeiro nome completo, Daniele, quando foi incumbido de aprimorar as pizzas da Forneria Paestum.
Propôs aos patrões implementar o estilo napolitano — massa longamente fermentada, aberta com as mãos, que rende discos individuais de bordas altas, alveoladas. Por cima, poucos e bons ingredientes. “No quarto dia, os clientes mais assíduos me chamaram e ameaçaram não voltar”, ele confessa.
Branca optou, então, por ficar no meio do caminho — voltou a fazer pizzas grandes, de oito fatias, mas com massa bem fermentada. Rendeu-se aos discos meio a meio e às coberturas fartas, do jeito que a clientela pedia. Deu certo até demais. “Em pouco tempo, fiz uma proposta e comprei a Paestum, que é minha até hoje”, lembra.
Aplicado nos estudos, Branca foi virando expert no assunto ao mesmo tempo em que a cultura da pizza se modificava no Brasil, especialmente em São Paulo.
À medida que as farinhas de trigo importadas ganhavam mercado, subindo a régua também da indústria nacional, Branca foi se firmando como consultor e trouxe para o Brasil os cursos da italiana Accademia Pizza Doc.
Na Soffio, a pizza prosciutto e queijo Tulha é uma das mais elogiadas (Foto: Ligia Skowronski)
Bob Costa e Bia Pereira apostaram em Branca para liderar a Pizzaria do Azeite Sabiá, em Santo Antônio do Pinhal (Foto: Pizzaria do Azeite Sabiá)
Inaugurada em 2024, a Soffio consolidou o pizzaiolo italiano no mercado paulistano com pizzas autorais e técnica italiana (foto: Ricardo D’Angelo)
Entre uma pizzaria e outra, Dani Branca faz questão de reservar tempo para os filhos Fiorella, Aurora e Antonio (Foto: Arquivo pessoal)
Em 2022, seu nome apareceu pela primeira vez no ranking Best Pizza Awards, em 79º lugar. Respeitado no setor, ele já se destacava nas competições internacionais, mas permanecia desconhecido do grande público paulistano, o que só mudaria com a inauguração da Soffio, em 2024.
“Os sócios me seguiam nas redes sociais e me chamaram para uma consultoria”, diz ele. “Comecei ajudando na compra dos equipamentos, masseira, forno, até que me fizeram a proposta de ficar definitivamente em São Paulo.”
Mas ele não aceitou de bate pronto — os 230 quilômetros entre Guaratinguetá e a Soffio pareceram longos demais. Na negociação, ele conseguiu um apartamento de apoio na capital e a regalia de estar na pizzaria só duas ou três vezes por semana. Desde então, viaja para São Paulo às quartas e volta para casa às sextas.
A Soffio não demorou a emplacar — e acumular prêmios com suas pizzas autorais, que levam coberturas de pera, gorgonzola e mel, de provola defumada, parmesão e guanciale ou de prosciutto e queijo Tulha. A técnica é italiana raiz, mas o pizzaiolo se rendeu a certas brasilidades, como a borda recheada com ricota de búfala que circunda a pizza Soffio Ripieno. Os discos individuais custam de R$ 69 a R$ 87.
O sucesso da empreitada serviu como cartão de visitas para o contrato da pizzaria do Azeite Sabiá, mas a negociação também começou de um jeito e terminou de outro.
Bob Costa e Bia Pereira, o casal de proprietários, cuidavam da obra quando chegou o momento de escolher os equipamentos, inclusive o forno. Por um amigo em comum, eles souberam do consultor que morava relativamente perto de Santo Antônio do Pinhal, a 80 quilômetros de distância.
“A primeira conversa já deu uma liga gostosa. Quando fomos à Soffio pela primeira vez, entendemos que não havia mais o que discutir”, lembra Costa, em conversa com o NeoFeed. Branca virou mais do que consultor da Sabiá.
Todos os sábados, metido em um dólmã que exibe o prêmio “The Best Pizza Awards” bordado na manga, ele comanda a equipe de pizzaiolos e circula pelo salão. A casa está conseguindo quebrar um velho paradigma do setor — aberta apenas para o almoço, até o fim de tarde, tem lotado todo fim de semana.
O cardápio, mais enxuto do que o da Soffio, repete alguns hits, como a margherita especial com muçarela de búfala. Já a de abobrinha marinada com cebola roxa e parmesão, só tem lá. Individuais, todas as pizzas custam entre R$ 89 e R$ 99.
Com 21 anos de Brasil, Dani Branca quase passa por brasileiro. O sotaque, sutil, só se revela de vez em quando. Já o temperamento ainda tem um quê de italiano do sul.
Quem comete a indiscrição é Kayo César Moreira, chef dos pizzaiolos da Sabiá e seu braço direito em Santo Antônio do Pinhal. “Ele é calmo, mas às vezes se irrita tanto que fica até vermelho”, revela ao NeoFeed. “Quando acontece, mando ele sair e dar uma volta.”
A Via Dutra, estrada que liga Guaratinguetá ao restante do estado de São Paulo, virou uma espécie de segunda casa. Semanalmente, Branca percorre ao menos 630 quilômetros para bater ponto nas duas pizzarias e ser um pai presente para Fiorella, 12 anos, Aurora, 3, e Antonio, 5 meses. Mas, se depender dele, o ritmo vai ficar ainda mais intenso.
Aos 43 anos, o pizzaiolo dá pistas de que mal começou. A Soffio, que registra salão cheio desde a última premiação, acaba de implementar o próprio delivery. Por enquanto, os motoboys só circulam por bairros da Zona Sul paulistana, mas a ideia é ampliar o mapa, com o apoio de dark kitchens.
“Também temos a ideia de abrir mais uma casa, mas tudo com muita cautela”, ele avisa. Piano, piano, como dizem os italianos.
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Fonte ==> NEOFEED

