Coautora de “O Despertar da Inteligência Emocional”, psicanalista e neurocientista Ana Martins celebra recepção da obra e aponta que interesse dos leitores revela uma mudança na forma como o público busca compreender emoções, comportamento e saúde mental
Ansiedade, dificuldade para lidar com frustrações, relações desgastadas, decisões tomadas sob forte carga emocional e uma sensação cada vez mais comum de estar permanentemente no limite. Em uma sociedade que aprendeu a falar mais sobre saúde mental, uma nova questão começa a ganhar espaço: não basta reconhecer que estamos emocionalmente sobrecarregados — é preciso aprender o que fazer com aquilo que sentimos.
Foi justamente essa demanda que a psicanalista e neurocientista Ana Martins percebeu de perto durante sua participação na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada entre os dias 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi.
Coautora de “O Despertar da Inteligência Emocional – O poder da mente que redefine sua vida e sua performance”, da Editora Chave Mestra, Ana participou do evento como autora e palestrante e acompanhou a chegada da obra ao público. Recém-lançado, o livro vem registrando procura de leitores e, segundo a especialista, a recepção encontrada na Bienal ultrapassou a expectativa em torno de um lançamento literário.
Para ela, o interesse revela algo maior: existe uma busca crescente por ferramentas capazes de ajudar as pessoas a compreender por que sentem, reagem e repetem determinados comportamentos — e como podem construir respostas diferentes.

“Participar da Bienal como coautora e palestrante foi uma experiência extraordinária. Lançar nosso livro em um dos maiores eventos literários da América Latina e acompanhar uma recepção tão expressiva do público tornou esse momento ainda mais especial. A procura pela obra mostra o quanto falar sobre inteligência emocional é necessário e atual”, afirma Ana Martins.
Quando entender a emoção deixa de ser assunto de consultório
Durante muito tempo, falar sobre emoções esteve associado principalmente à intimidade ou ao ambiente terapêutico. Esse cenário mudou.
Saúde mental passou a ocupar conversas dentro de famílias, escolas e empresas. Termos como ansiedade, esgotamento, autorregulação e segurança psicológica entraram no cotidiano. Mas, para Ana, a popularização do tema também trouxe um desafio: transformar informação em compreensão real sobre o funcionamento humano.
Doutora em Psicanálise e mestre em Neurociência Cognitiva e Processos Psicológicos, a especialista trabalha justamente na intersecção entre a história subjetiva do indivíduo e os mecanismos envolvidos nas respostas emocionais e comportamentais.
Essa integração também orientou sua participação na Bienal.
“Para mim, foi especialmente significativo levar esse tema ao público a partir da ciência, unindo neurociência, psicodinâmica e emoções. Inteligência emocional não significa deixar de sentir raiva, medo, tristeza ou ansiedade. Significa ampliar a capacidade de reconhecer essas respostas e compreender o que fazemos a partir delas”, explica.
A diferença parece pequena, mas produz efeitos concretos.
Uma pessoa pode saber que está ansiosa e, ainda assim, não perceber como essa ansiedade interfere em suas decisões. Pode reconhecer que está com raiva e continuar repetindo padrões destrutivos nos relacionamentos. Pode ocupar uma posição de liderança e conhecer conceitos sobre saúde mental, mas não identificar como sua própria forma de reagir à pressão afeta toda uma equipe.
É nesse ponto que, segundo Ana, inteligência emocional deixa de ser uma expressão abstrata e passa a ter implicações na vida cotidiana.
Da vida pessoal à empresa: emoções também tomam decisões
A discussão ganha ainda mais relevância quando sai do indivíduo e chega às organizações.
Além da atuação clínica, Ana Martins trabalha com saúde mental no trabalho, Psicologia Organizacional, desenvolvimento de lideranças, mentorias e gestão de riscos psicossociais relacionados à NR-1.
No ambiente profissional, emoções mal compreendidas podem aparecer disfarçadas de problemas exclusivamente operacionais: conflitos recorrentes, comunicação agressiva, dificuldade de receber críticas, lideranças que administram pelo medo, equipes incapazes de discordar e profissionais que permanecem em estado constante de alerta.
Por isso, para a especialista, falar de inteligência emocional dentro das empresas não significa simplesmente ensinar funcionários a “controlar” sentimentos para produzir mais.
“Existe uma visão superficial de que inteligência emocional é permanecer calmo o tempo inteiro. Não é. Uma pessoa emocionalmente inteligente também sente medo, frustração e raiva. A diferença está na capacidade de reconhecer o que está acontecendo internamente antes de transformar aquela emoção, automaticamente, em uma decisão ou comportamento que afete a si mesma e aos outros”, afirma.
Essa perspectiva aproxima o debate de uma questão cada vez mais presente nas organizações: até que ponto a saúde emocional de uma equipe pode ser discutida sem observar também a maneira como o trabalho é organizado e as relações são construídas?
Para Ana, responsabilizar exclusivamente o indivíduo por suportar ambientes adoecedores seria uma distorção do próprio conceito.
“Não podemos falar de inteligência emocional apenas como capacidade individual de suportar pressão. Empresas também precisam olhar para liderança, comunicação, cultura, segurança psicológica e riscos psicossociais. Não adianta ensinar alguém a respirar diante de uma estrutura que adoece continuamente”, pontua.
Sucesso de livro encontra um público que quer compreender a própria mente
A recepção de “O Despertar da Inteligência Emocional” durante e após a Bienal ganha significado justamente nesse contexto.
A obra reúne diferentes autores e perspectivas em torno da relação entre mente, emoções, escolhas, comportamento e performance. Para Ana, entretanto, o resultado mais importante do lançamento não está apenas nos números de venda, mas na identificação do público com a discussão proposta.
A experiência também representou uma mudança de escala.
Questões que fazem parte diariamente de sua atuação clínica e organizacional chegaram a um dos maiores eventos literários da América Latina e encontraram leitores interessados em compreender a própria experiência emocional para além de fórmulas prontas.
“Volto dessa experiência com a certeza de que conhecimento, quando encontra propósito e humanidade, ultrapassa as páginas e alcança pessoas. O livro é um instrumento para levar essa discussão além do consultório e das empresas e aproximá-la de quem talvez esteja começando agora a olhar para a própria vida emocional”, afirma Ana.
Para a neurocientista, esse talvez seja um dos sinais mais importantes deixados pela experiência na Bienal: as pessoas não estão buscando apenas respostas para o que sentem. Estão tentando compreender por que sentem — e o que podem fazer a partir disso.
E, em uma época marcada por excesso de estímulos, pressão por desempenho e relações cada vez mais atravessadas pela urgência, aprender a compreender a própria mente pode ter deixado de ser apenas uma ferramenta de desenvolvimento pessoal.
Pode estar se tornando uma necessidade.
Sobre Ana Martins
Ana Martins é psicanalista, neurocientista, doutora em Psicanálise, mestre em Neurociência Cognitiva e Processos Psicológicos, empresária e administradora de empresas, especialista em Saúde Mental no Trabalho e Psicologia Organizacional.
Fundadora do Espaço Neurodinâmico, atua em atendimento clínico, consultoria organizacional, palestras e mentorias, integrando Psicanálise e Neurociência Aplicada ao desenvolvimento humano e à saúde mental. Também desenvolve trabalhos relacionados à implementação da NR-1 e programas de formação de líderes e equipes emocionalmente saudáveis.
É coautora de “O Despertar da Inteligência Emocional – O poder da mente que redefine sua vida e sua performance”, da Editora Chave Mestra, lançado nacionalmente em 2026.

