Caso envolvendo a morte de uma paciente após aplicação de preenchedor permanente reacende debate sobre os riscos do PMMA, a necessidade de regulamentação mais rígida e a importância da escolha de profissionais qualificados
A recente morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, em São Paulo, após um procedimento estético com polimetilmetacrilato (PMMA), reacende o debate sobre os riscos associados a essa substância. O caso, que está sendo investigado pela Polícia Civil como homicídio culposo, serve como um grave alerta para a população e para a necessidade de rigor na escolha de profissionais e substâncias em intervenções estéticas.
Roseli Fernandes faleceu em 26 de maio de 2026, após passar mal depois de receber cerca de 300 ml de PMMA nos glúteos e na parte posterior da coxa. O procedimento foi realizado em uma sala alugada na avenida Santo Amaro, no Brooklin, por uma médica que se apresenta com atuação em Goiânia e na capital paulista. A maquiadora sentiu-se mal no dia seguinte à aplicação e, ao retornar à clínica, sofreu uma parada cardíaca e morreu no local. A defesa da médica responsável afirma que o procedimento foi realizado sem intercorrências e que não há laudo que comprove a relação com o óbito.
O Perigo do PMMA: Posição das Entidades Médicas
O polimetilmetacrilato (PMMA) é um preenchedor permanente, não absorvível, que tem sido associado a uma série de complicações graves, tanto imediatas quanto tardias. Entidades médicas de peso, como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), têm se posicionado veementemente contra o uso do PMMA para fins estéticos generalizados.
Em janeiro de 2025, o CFM solicitou formalmente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a proibição total do PMMA como substância preenchedora no Brasil, argumentando que o país vive um grave problema de saúde pública devido ao seu uso indiscriminado, inclusive por não médicos. O documento do CFM, com extensa fundamentação técnica e científica, destaca que as tentativas de regulamentação e restrição do uso do PMMA têm se mostrado infrutíferas, com um aumento vertiginoso do uso em grandes volumes para fins estéticos.
As complicações do PMMA podem incluir edemas locais, processos inflamatórios, reações alérgicas, formação de granulomas (nódulos), infecções, deformidades e, em casos mais graves, hipercalcemia, lesões renais e até óbito. A remoção cirúrgica do produto é extremamente complexa, pois ele se entremeia aos tecidos saudáveis, podendo deixar sequelas irreversíveis.
Anvisa e o Uso Restrito do PMMA
Apesar das solicitações de proibição, a Anvisa mantém a autorização para o uso do PMMA, mas com restrições claras. A agência permite o uso apenas para preenchimento cutâneo ou muscular com finalidade corretiva ou reparadora, por motivação de saúde e sob prescrição médica. Não há indicação para aumento de volume meramente estético. A Anvisa ressalta que o PMMA é aceitável quando utilizado conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas de uso.
A Visão da Especialista: Natália Venturelli e a Segurança nos Procedimentos Estéticos
Para a Dra. Natália Venturelli, renomada especialista em dermatologia e procedimentos estéticos, casos como o de Roseli Fernandes reforçam a importância da cautela e da busca por profissionais qualificados. A Clínica Venturelli, da qual a Dra. Natália é fundadora, enfatiza a utilização de metodologias exclusivas e tecnologias avançadas, com foco em resultados naturais e na segurança do paciente.
“É fundamental que os pacientes busquem médicos dermatologistas ou cirurgiões plásticos devidamente habilitados e com registro ativo nos conselhos de medicina”, afirma a Dra. Venturelli. “A escolha da substância e a técnica de aplicação devem ser individualizadas, sempre priorizando a segurança e a saúde do paciente. O PMMA, por ser um preenchedor permanente e com alto índice de complicações a longo prazo, deve ser evitado para fins estéticos, especialmente em grandes volumes”, alerta ela.
A especialista destaca que existem alternativas mais seguras e absorvíveis, como o ácido hialurônico e os bioestimuladores, que oferecem resultados estéticos com menor risco de complicações e maior previsibilidade. A avaliação prévia do paciente, a realização dos procedimentos em estabelecimentos de saúde adequados e o seguimento médico responsável são pilares para garantir a segurança em qualquer intervenção estética.
O trágico desfecho em São Paulo serve como um lembrete contundente dos perigos do PMMA em procedimentos estéticos. A conscientização sobre os riscos, a exigência de profissionais qualificados e a adesão às recomendações das entidades médicas são cruciais para proteger a saúde e a vida dos pacientes. A beleza deve ser buscada com responsabilidade e segurança.

